Assassino Atemporal

Capítulo 751

Assassino Atemporal

(Dentro do Mundo Congelado no Tempo, Mansão Particular de Leo, Ponto de Vista de Leo)

A luz azul oscilante do projetor holográfico pintava as paredes atrás de Leo com tons frios de tristeza enquanto ele apertava o botão de play.

*TRRRR*

Um leve zumbido preenchia o ambiente, como o ritmo de um estrela morrendo, enquanto a imagem ganhava vida diante dele, primeiro granulada, depois nítida o bastante para parecer que poderia sangrar.

Ali estava ele – Aegon Veyr.

Seu primo. Seu irmão em tudo, exceto na linhagem de sangue.

O mesmo garoto que, uma vez, empunhou sua espada com orgulho inabalável e carregou o futuro do Cult nas costas, que agora estava despojado de toda dignidade, sendo mostrado nu pelas ruas dos planetas justos, preso em uma jaula de vidro transparente.

Cadeias enroladas ao redor de seus pulsos e tornozelos, brilhando suavemente enquanto sigilos de contenção piscavam na superfície. Sua cabeça pendia baixa, mas sua coluna permanecia ereta, seu silêncio mais forte que qualquer pedido por misericórdia.

Fora da cela, uma multidão de cidadãos Justos vibrava, com rostos deformados de desprezo e prazer. Joguavam pedras, frutas podres e coisas piores… sujeira que se espalhava contra o vidro a cada grito de ódio, enquanto risos ecoavam na transmissão como uma zombaria dos próprios céus.

Os dedos de Leo se cerraram ao redor do apoio do seu cadeira, ao assistir às imagens, enquanto o ar ao seu redor parecia mais pesado.

'Eles ainda ousam exibi-lo nu?’

Pensou, enquanto as veias de seus antebraços saltavam, uma tênue aura vermelha percorrendo-os, como uma intenção assassina despertando sob a pele, como uma fera enclausurada que recomeçava a se mexer.

*CRACK*

A primeira rachadura apareceu no mármore sob seus pés.

Sua mandíbula se fechou, sua respiração firme, mas aguda, enquanto lutava para controlar a tempestade que começava a se formar dentro dele.

*CHICOTE*

*GUINCHO*

O som das correntes rangendo na tela só alimentava a fúria que já latejava dentro de seu peito.

Ele tentou manter a compostura, lembrando-se de que aquilo era apenas uma imagem, uma gravação, mas cada segundo parecia uma afronta da própria realidade, desafiando-o a perder o controle.

"Veyr..." ele sussurrou, o nome pesado na língua, carregado de mais afeto do que normalmente permitia-se mostrar.

Na tela, a jaula era arrastada pelo centro da praça principal da capital, o desfile se estendendo por milhas enquanto bandeiras da Fação Justa tremulavam orgulhosamente acima das multidões debochantes.

Crianças apontavam e riam, comerciantes paravam suas trocas, soldados lançavam maldições em nome de seus deuses.

E então veio o próximo horror.

A gaiola parou na base de uma plataforma gigante, uma espécie de palco de show, ladeada por guardas vestindo uniformes do Governo Universal.

*Puxar*

Os guardas arrastaram Veyr como se fosse uma besta, forçando-o até o centro do palco, antes de fazê-lo ajoelhar diante de uma multidão.

*CRAC*

A primeira chicotada atingiu, o som rasgando o silêncio da mansão enquanto os olhos de Leo se remexiam, sua aura pulsando uma vez, apenas uma, e toda a sala tremeu.

*TREMER*

Runas de prata embutidas na sua cadeira piscaram fracamente, como se implorassem por misericórdia sob a pressão do seu poder, enquanto poeira caía do teto e as paredes gemiam com o peso do pressionar.

Mais chicotes caíram, repetidamente, até que o número de golpes se tornasse irrelevante.

Cada golpe provocava ondas de raiva percorrendo as veias de Leo, seu coração pulsando como trovão em sua cabeça, enquanto ao redor tudo começava a distorcer com leves ondulações gravitacionais.

A mana no ar chiarava audivelmente agora, sendo atraída por ele em fluxos incontroláveis, conforme sua intenção assassina começava a vazar.

O vidro da janela próxima quebrou silenciosamente, formando linhas finas de teias de aranha que se espalhavam a cada respiração.

"Como eles ousam..." ele sussurrou, com a voz tremendo não de fraqueza, mas de contenção.

Sentia isso – seu sangue fervendo, sua alma rugindo, toda sua existência rebelando-se contra o que seus olhos eram obrigados a testemunhar.

Humilhar um prisioneiro ou criminoso era uma coisa. Humilhar um guerreiro digno era outra.

E humilhar o messias do Cult… isso era imperdoável.

A gravação mudou novamente.

A multidão rugia. Uma nova figura apareceu, um locutor, de pé com orgulho no centro do palco, sua voz amplificada pela cidade.

"Em sessenta dias," declarou o homem, com tom festivo, "o Dragão caído do Cult, Aegon Veyr, enfrentará seu julgamento final. Sua execução será pública, transmitida por toda a galáxia, como prova de que a justiça triunfa sobre a corrupção. Que os hereges tremam. Que eles saibam que a era do Cult do Mal acabou!"

Aplaudos começaram, ensurdecedores, repulsivos, intermináveis.

No momento em que a palavra execução escapou dos lábios do locutor, algo dentro de Leo quebrou, e as luzes da mansão se estilhaçaram de uma só vez.

*BANG*

Uma explosão de aura pura e crua se espalhou, destruindo a cadeira abaixo dele à medida que rachaduras se espalhavam pelo chão de pedra, como veias de destruição.

Os móveis ao redor dele se desfizeram em pó, o próprio ar parecendo se rasgar sob o peso de sua fúria.

*TREMER*

*TREMOR*

Do lado de fora, o chão vibrou, ondas de pressão invisível se propagaram pela encosta do penhasco, achando a grama e dobrando as árvores como se fosse uma reverência de medo, enquanto as nuvens acima se torciam formando um tornado de tempestade, relâmpagos cortando-as enquanto os céus pareciam responder à sua ira.

*RUMOR*

Os olhos de Leo brilhavam em cinza intenso, mais do que nunca, enquanto o holograma continuava a piscar diante dele, ainda mostrando a figura acorrentada de Veyr, ainda ecoando as risadas da multidão amaldiçoada.

"Eu os matarei," disse calmamente, cada palavra carregando o peso de um julgamento divino. "Cada um deles."

As palavras não foram gritando, não foram gritos, apenas sussurradas com tanta certeza que parecia até que o universo inteiro as ouvia.

Sua aura se expandiu ainda mais, descontrolada agora, transformando o ar antes tranquilo em uma tempestade vorticosa de intenção assassina opressiva, fazendo o chão ao redor da mansão tremer como um terremoto para um raio de 30 quilômetros de raio.

Os encantamentos protetores ao redor de sua mansão tremeram, as runas ao longo de sua estrutura brilhando em desespero para conter a força que poderia demolir uma cidade.

"Já chega..."

Leo fechou a mão, e o holograma congelou na metade da cena.

A imagem de Veyr, machucado e desfeito, mas de pé, permaneceu na luz oscilante.

Seus olhos, desafiadores mesmo na dor, encontraram os de Leo através da projeção, como se, através do tempo e do espaço, ainda se reconhecessem mutuamente, enquanto Leo sentia sua fúria vacilar por um breve instante.

*Suspiro*

Ele exalou lentamente, deixando a tensão se recolher em seu peito, embora o ar ao redor continuasse a tremer.

"A Fação Justa sabe exatamente o que faz," murmurou, sua voz mais firme agora, mas ainda carregada de venenoso ressentimento. "Isso… nunca foi só um ato de crueldade. É uma mensagem."

Ele se recostou um pouco, os olhos estreitando-se enquanto estudava o holograma pausado. "Eles querem que a gente vá até ele. Querem que o Cult quebre as barreiras, que saia como bestas enfurecidas. Isso é isca."

Por um momento, o silêncio voltou, frágil e tenso, sendo o único som dentro da sala o estalo da luz quebrada acima.

Leo sabia que tentar salvar Veyr após ele ter caído nas mãos dos Justos era suicídio.

Todo o fio de lógica em sua mente clamava por cautela, paciência e contenção.

E mesmo assim…

Ao olhar novamente para a imagem de Veyr, com o rosto outrora nobre marcado pela dor, mas jamais pela rendição, Leo sentiu, de modo inexplicável, que a lógica já não era suficiente para impedi-lo de tentar um resgate.

"Mesmo assim," ele sussurrou, sua voz baixa, mas firme, "se existe a menor chance de eu alcançá-lo… de salvá-lo..."

O chão sob seus pés rachou novamente enquanto sua aura se abalava por um breve instante, feroz e implacável.

"Então, eu vou encontrá-la."

Ele deixou o holograma desaparecer na escuridão, sua imagem refletida sendo a única coisa restante na tela — fria, calma e queimada com propósito.

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