Assassino Atemporal

Capítulo 750

Assassino Atemporal

(No Mundo Congelado no Tempo, Mansão Privada de Leo, ponto de vista de Leo)

Depois que sua aura começou a ficar instável quase uma década atrás, Leo deixou a Cidade Skyshard e se mudou para um canto isolado do Mundo Congelado no Tempo, para não representar uma ameaça à população civil ao seu redor.

Sua residência era simples: uma casa de um quarto com uma arena de treinamento anexa, sem funcionários, guardas ou luxos.

Situada a quase duzentas milhas da borda da cidade, sua isolamento não era por preferência, mas por necessidade.

Desde que começou a trilhar o caminho do Imperador, sua aura se tornou algo que o próprio mundo resistia.

Um momento de perda de controle podia quebrar vidro, rachar paredes ou tirar a vida sem intenção.

E, por isso, apenas uma mão de pessoas eram autorizadas a se aproximar dele, e mesmo assim, apenas quando chamados.

A situação tinha se tornado tão grave que, até as bestas contaminadas locais, normalmente atraídas pela aura de adversários fortes, agora evitavam-no instintivamente como se fosse uma peste, pois até seus instintos primais animalescos diziam para ficarem longe da ameaça que era Leo Skyshard.

Portanto, ao ouvir um veículo se aproximando sem aviso na direção de sua mansão, Leo ficou inicialmente surpreso com o ocorrido, só para depois perceber que devia ser algo importante, ao ouvir Chaosbringer andando em seu ritmo habitual.

*Toc, toc*

*Toc, toc*

"Entre, Chaosbringer."

Leo disse com uma voz calma, baixa e autoritária, que ecoou forte pelo cômodo mesmo sendo sussurrada, carregando autoridade.

Chaosbringer paralisou por um momento na soleira da porta, sua mão ainda levantada no ar, percebendo que Leo o reconhecera apenas pelo som dos seus passos.

'O Senhor melhorou como guerreiro mais uma vez…'

Pensou enquanto respirava fundo para se acalmar, antes de abrir a porta e entrar.

*Tosse*

O ar na sala era denso, pesado, quase vivo com uma energia contida, e Chaosbringer tossiu involuntariamente ao respirar aquela atmosfera pesada.

Leo estava sentado na sua frente, numa cadeira de trono esculpida em aço negro, revestida com runas de prata que continham um encantamento de supressão de aura, feito para manter sua presença sob controle.

Seus olhos estavam cobertos por uma venda simples de seda preta, amarrada frouxamente na cabeça, enquanto sua postura era perfeitamente imóvel — as mãos descansando nos apoios, as pernas cruzadas, sua aura selada dentro do tênue limite de sua força de vontade.

Chaosbringer já tinha visto Leo inúmeras vezes antes em campos de batalha, em reuniões anuais, até no rescaldo de guerras, mas naquela noite, ele era diferente.

Nesta noite, parecia régio. Sovereign.

Como se uma majestade silenciosa emanasse dele agora, sutil, mas absoluta, como se os céus mesmos reconhecessem seu direito de governar.

Seu rosto parecia não ter envelhecido um dia, e, ainda assim, carregava a maturidade de séculos, uma expressão que nenhum jovem poderia usar.

"Fale", disse Leo suavemente, sua voz cortando o silêncio carregado como a lâmina de uma espada.

"Meu Senhor," começou Chaosbringer, sua garganta apertando ao sentir uma leve vibração de energia contida que arrepiava sua pele. "Houve um… desdobramento. Acho que você precisará tirar a venda e ver com seus próprios olhos."

Leo inclinou um pouco a cabeça. "Ouvi as embarcações inimigas entrando em nossa atmosfera mais cedo, mas senti que Dumpy estava lidando com isso. Achei que o assunto não era digno da minha atenção. Mas desde que essas embarcações chegaram, percebo uma raiva… forte, coletiva, quase descontrolada, crescendo pela cidade."

Sinto como se o sangue de todos os homens e mulheres de Skyshard estivesse queimando em uníssono. Mas não entendo o porquê."

Ele virou um pouco em direção a Chaosbringer, embora a venda ainda escondesse seus olhos. "Diga-me, velho amigo. O que eles fizeram?"

As mãos de Chaosbringer tremeram. Ele respirou fundo, sua voz quase se quebrou ao responder: "Meu Senhor, seria melhor se você visse com seus próprios olhos."

Os dedos de Leo roçaram a borda da venda.

"Muito bem."

Ele puxou o pano e o tirou.

No instante em que seus olhos se abriram, o mundo reagiu.

*Vuumm*

O ar se torceu. O piso vibrando. A luz tênue de velas tremelicava descontroladamente, enquanto uma força invisível se propagava como ondas de choque na água.

*Estalo!*

Um vaso de vidro próximo à parede distante quebrou-se, os fragmentos virando pó fino no ar.

Chaosbringer arfou, seus joelhos vacilaram sob a pressão, seus pulmões contraíram-se como se uma mão invisível estivesse segurando sua garganta.

*Engasgo*

Ele tossiu violentamente, sangue escorrendo de seus lábios ao cair de joelhos, a intensidade da aura de Leo lavando-o com ondas de gravidade opressora.

Leo suspirou, com expressão calma, embora com um leve pesar.

"Desculpe-me, velho amigo. Desde que trilho esse caminho, minha força tem crescido mais rápido do que meu controle. Ainda agora, restrinjo ao máximo… mas parte dela escapa. E quando escapa, machuco os que não quero ferir."

Ele deu uma pausa, fechando os olhos por um momento, a venda ainda frouxamente na mão, apesar do peso que pressionava seu corpo, enquanto Chaosbringer balançava a cabeça veementemente.

"Não, meu Senhor… sentir sua aura já é uma honra por si só. Não há necessidade de se desculpar."

Disse, enquanto Leo dava um sorriso breve, pequeno, quase solene.

"Então, levante-se," ordenou tranquilamente, e Chaosbringer obedeceu, cambaleante, mas decidido, avançando com a caixa holográfica firmemente segurada com as duas mãos.

"Meu Senhor, esta gravação… foi deixada pela frota da Facção Justa antes de ser destruída. Ela mostra imagens do Dragão, Aegon Veyr. Ele foi capturado… e estão usando-o para nos provocar."

Por um instante, o silêncio entre eles se aprofundou.

A expressão de Leo não mudou, mas seu aura pulsou de calma para um tom perigoso. O ar esquentou, a luz diminuiu, as sombras ao redor da sala se intensificaram até que as janelas começaram a ranger. Lá fora, um vento distante começou a soprar, uivando fraco pelo desfiladeiro, como se a própria natureza recuasse.

"Entendo," disse Leo finalmente, com um tom tão suave que Chaosbringer quase desejou que ele não tivesse falado.

Ele olhou para o dispositivo, a mão pairando acima dele, depois voltou seu olhar para Chaosbringer.

"Se contém informações tão sensíveis, acho melhor que eu assista sozinho, velho amigo. Você não quer estar perto de mim ao abrir."

Leo sugeriu, enquanto Chaosbringer se curvava em reverência, com uma expressão por um momento aliviada, embora cansada.

"Como ordenar, meu Senhor."

Respondeu, antes de se virar rapidamente, caminhando em direção à saída com passos rápidos, mas respeitosos.

Porém, assim que chegou à porta, Leo o impediu mais uma vez com sua voz.

"Chaosbringer."

Leo falou, parando e se virando.

"Você tem algum pedido final, meu Senhor?"

ele perguntou suavemente, enquanto Leo pensava por um momento antes de responder.

"Mande Leonardo até mim assim que puder. Diga que seu tio quer falar com ele."

Leo instruiu, e Chaosbringer fez uma reverência profunda, assentindo.

"Farei isso imediatamente."

Disse, antes de sair da câmara com passos cuidadosos, fechando a porta maciça atrás de si.

Assim que saiu, soltou um suspiro que não percebera que segurava. Seu peito subiu e desceu enquanto acelerava pelo corredor, cada fibra gritando por ele para se afastar o máximo possível da mansão.

"Corra como o vento," ordenou ao motorista de seu veículo hovercraft ao subir a bordo. "Agora. Leve-me o mais longe possível daqui."

O motorista olhou nervoso, mas não questionou a ordem, enquanto a nave se elevava do chão e se lançava em direção ao horizonte, cortando o ar enevoado.

Logo atrás, na mansão silenciosa no penhasco, as janelas tremiam. O vento ganhava força, uivando pelo vale como o grito de uma fera invisível.

E dentro da sala do trono, Leo permanecia sozinho, a fita holográfica repousando na palma da mão, sua luz azulada refletindo no rosto.

Esperou até não sentir mais nenhum sinal de vida a quilômetros de seu aura.

Somente então, permitiu que sua aura entrasse no dispositivo, quando o botão de play pisca e ganha vida.

"Veyr, meu primo… Eu tinha pedido para você vir comigo…."

Murmurou enquanto pressionava play, e a mensagem holográfica começou a se reproduzir, luminosa e vibrante.

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