Assassino Atemporal

Capítulo 749

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, dentro do Buraco Negro, ponto de vista de Soron)

A pressão era interminável.

Ela pressionava vindo de todas as direções, um oceano invisível de gravidade que poderia reduzir planetas inteiros a poeira, e mesmo assim Soron permanecia no coração de tudo isso, imóvel, seu corpo cercado por um campo de aura protetora delicado que deformava o espaço o suficiente para permitir sua existência.

Ao redor dele, o abismo elaborava ondas e gemia. O ar, se é que podemos chamar assim, ondulava como vidro derretido. Fragmentos de luz se despedaçavam antes de alcançá-lo, engolidos pela boca negra que devorava até mesmo a ideia de cor.

E através de tudo isso, Soron respirava, devagar e de forma constante, cada expiração dispersando partículas de essência metálica condensada na tempestade.

O Metal da Origem flutuava à sua frente, meio derretido, meio sólido, uma lasca de substância divina capaz de reescrever a própria história. Ele pulsava suavemente, sincronizado com o ritmo de seu coração, como se também lutasse para sobreviver na insanidade gravitacional que os cercava.

"Noventa e cinco por cento," Murmurou Soron, sua voz mal mais do que um pensamento dentro do silêncio que se desfazia. "Só mais um pouco."

Ele percebia que a refineção atingia seu limite, as últimas camadas de liga metálica dissolvendo-se no vazio enquanto o Metal da Origem cedia à sua vontade.

A cada segundo de progresso, vinha uma dor difícil de descrever. Seus circuitos de mana gritavam em protesto, seus ossos vibravam como aço forjado, e sua consciência tremia entre existir e ser destruída. Ainda assim, seu foco nunca vacilou.

Ele não veio aqui para morrer.

Veio para aperfeiçoar o que até mesmo deuses temem tocar.

Duas semanas… Era quanto ele calculava que levaria para que a refineção chegasse à sua conclusão definitiva, após a qual finalmente poderia retornar.

Duas semanas antes de pisar de novo no universo e ver o que se tornou o Cult na sua ausência, e como ele estava após a morte de Charles.

*Suspiro*

Ele exalou novamente, sua respiração agitada por esporos de mofo preto que traíam o verdadeiro estado de seu corpo.

Manter toda sua força por tanto tempo havia cobrado um preço alto: a infecção pelas feridas do Metal da Origem agora passava a alcançar seus pulmões.

Ele tinha dificuldade para respirar, e toda vez que expirava de forma forte, espóris mofados presos ao seu hálito saíam de sua boca, mostrando o quão rápido ele estava se esvaziando por dentro.

"Só mais um pouco… Preciso apenas viver um pouco mais," sussurrou para si, as palavras se espalhando pelo vazio esmagador ao seu redor como um pacto, e não um pedido.

Havia abandonado há muito a ideia de sobreviver mais de um século ao pisar neste buraco negro, pois conhecia o custo de refinar o Metal da Origem melhor que ninguém.

Ao empurrar seu corpo além do limite da razão, queimou os anos que poderia ter restante, trocando-os por um poder que duraria apenas mais uma vez—suficiente para uma última batalha.

Depois disso, o câncer que já começava a consumir seus órgãos terminaria o que o buraco negro não conseguiu, se a lâmina de seu inimigo não o abrisse antes.

E ainda assim, perante essa certeza, Soron não sentia medo.

Apenas exaltação.

A sensação silenciosa de um guerreiro que sabia que seu fim se aproximava e o recebia com a serenidade do propósito.

Em pouco tempo, deixaria aquele lugar.

Em breve, caminharia novamente no campo de batalha contra os homens que traíram seu pai.

E quando esse dia chegasse, teria nas mãos uma lâmina capaz de matá-los, e uma esperança de, finalmente, encontrar redenção.

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(Dentro do Mundo Congelado no Tempo, Cidade Skyshard, ponto de vista do Chaosbringer)

O ar dentro do escritório estava completamente imóvel, salvo pelo leve zumbido do mecanismo do coração de mana embutido nas paredes, que silenciosamente purificava a atmosfera até mesmo das menores vestígios de mana corrompida.

O aroma de incenso frio permanecia no ar, afiado e limpo, escondendo a tensão que pesava na sala como chumbo.

Chaosbringer estava sentado atrás de sua mesa, dedos entrelaçados, olhos cansados fixos nas cinco Monarcas ajoelhadas diante dele.

Eram alguns dos seres mais poderosos do Cult, comandantes de vastas divisões, líderes capazes de queimar cidades e partir montanhas com um simples gesto—e ainda assim, ali estavam, com as cabeças baixas, com medo até de encarar os olhos de um mero mortal.

Vinte anos não foram gentis com Chaosbringer.

As linhas no seu rosto agora estavam mais profundas, e o brilho tênue de juventude que antes brilhava em seus olhos havia sido ofuscado pela fadiga paciente de um homem que viu demais.

Seu cabelo, ainda longo e sedoso, agora tinha mechas discretas de prata, que eliminaram qualquer encanto jovial que ainda pudesse haver, parecendo mais um cavalheiro distinto, com boa higiene, do que o hipster extravagante de outrora.

À sua frente estavam Su Pei, Darnell Nuna, Dupravel Nuna, Mickey James e Anderson Silva, cinco Monarcas que tinham assumido o comando de várias divisões emergentes do Cult.

Porém, hoje, parecia que sua força de combate tinha pouco valor diante da tarefa que tinham pela frente.

"Senhor Chaosbringer," começou Darnell suavemente, seu tom confiante habitual substituído por algo quase imploratório. "Por favor, precisa ser você. Além da família dele, o Lorde só se atenta a restringir sua aura ao seu redor. Receio que ele não faça o mesmo por nós."

Os demais entreolharam-se em silêncio, evitando o olhar uns dos outros, envergonhados de sua própria relutância, enquanto Chaosbringer soltava um suspiro lento, apoiando a testa na palma da mão enquanto se recostava na cadeira.

A luz tênue do projetor em sua mesa piscava contra seu rosto, projetando a imagem repetida da humilhação de Aegon Veyr no mundo exterior.

Ele tinha assistido uma única vez, mas isso foi mais do que suficiente. A raiva que havia crescido na sua nuca na época ainda permanecia, como um veneno no peito.

E agora eles queriam que ele mostrasse isso para Leo.

Ele já podia imaginar o silêncio que se seguiria. A calma antes da tempestade. A vibração no ar quando a aura de Leo finalmente se libertasse.

E, por isso, não o culpava por não querer estar presente naquela destruição.

"Certo," finalizou, sua voz calma, porém carregada. "Vou fazer isso pessoalmente."

Nenhum dos Monarcas se moveu. Nenhum teve coragem sequer de agradecê-lo.

Simplesmente se curvaram mais profundamente, com alívio e culpa estampados nos rostos, enquanto Chaosbringer se levantava da cadeira e se dirigia à porta.

Uma tempestade se aproximava.

A Fraternidade Justa havia desafiado um Cult já furioso.

E uma resposta certamente viria.

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