Assassino Atemporal

Capítulo 748

Assassino Atemporal

(Dentro do Mundo Congelado no Tempo, Território Interior do Culto, Cidade Skyshard, POV dos Civis)

O Culto estava em caos.

Ninguém esperava ver naves da Facção Justa pairando acima dos céus de Skyshard, pois isso não acontecia há mais de vinte anos, desde que viviam nesse mundo selado.

A simples aparência dessas embarcações estrangeiras, com cascos brilhando como espelhos escuros contra o crepúsculo eterno, causou um medo coletivo em cada bairro, enquanto as pessoas saíam às ruas para testemunhar algo que nunca imaginaram ser possível.

E, mesmo assim, por mais horrível que fosse ver as naves do inimigo, o que elas deixaram cair antes de serem destruídas foi ainda pior.

Milhares de cápsulas metálicas pequenas desceram pelo céu como estrelas cadentes, se enterrando em praças, mercados e torres residenciais por toda a cidade.

Mãos curiosas as ergueram, olhos assustados se concentraram ao redor, e logo começaram a exibir as primeiras gravações— hologramas cintilantes ganhando vida diante das faces atônitas do povo do Culto.

As cenas que se seguiram romperam o silêncio.

Seu Dragão, seu salvador, seu símbolo de resistência e vitória, Aegon Veyr, estava sendo exibido nu pelas ruas de mundos justos.

Seu corpo estava ensanguentado, com os braços acorrentados, seu orgulho destruído para o entretenimento das multidões justas, que arremessavam pedras e riam dele.

Cada vídeo era pior que o anterior, cada transmissão era uma facada que se cravava no coração de quem assistia.

E, quando apareceu a última mensagem na tela, anunciando sua execução para daqui a sessenta dias, a reação de protesto que se seguiu abalou toda a cidade.

"Como eles têm coragem!" gritou uma mulher, lágrimas correndo pela sujeira em seu rosto. "Como ousam tratar nosso Dragão como um criminoso comum!"

"Eles vão pagar por isso!" gritou outro, segurando um pingente do coração de mana contra o peito como se pudesse se fortalecer com aquilo. "Vão pagar com a vida!"

Em toda a cidade, o ar incendiava de revolta. Civis gritavam e choravam nas ruas, os mercados pararam, os templos de oração se lotaram, e o céu noturno ecoava com o som do seu descontentamento.

Porém, sob o caos do povo, os soldados do Culto permaneciam em silêncio.

Assistiram às mesmas imagens, sentiram a mesma raiva subir pela pele, mas sua fúria foi atenuada por outra coisa—medo.

Pois, ao pensar no que as ações dos Justos haviam feito e no que os aguardava agora, todos chegaram à mesma dolorosa conclusão.

Alguém precisaria entregar essa gravação ao Senhor Skyshard.

E ninguém queria ser essa pessoa.

Os quartéis mergulharam em murmúrios tensos, o tilintar da armadura era quase imperceptível sob o peso da hesitação. Tochas tremulavam contra as paredes de ferro enquanto homens trocavam olhares ansiosos, cada um orando silenciosamente para que o comando desviasse essa responsabilidade para alguém mais.

"Quem será que vai ter coragem de contar pro Senhor?" perguntou um soldado, sua voz quase um sussurro, enquanto esfregava as mãos tremendo em busca de calor que não vinha.

"Seja quem for," respondeu outro com som sombrio, "só um Monarca consegue suportar a presença do Senhor quando vê uma coisa dessas… um soldado mais fraco certamente desmaiará, ou pior… vai morrer."

Os demais concordaram com a cabeça, embora ninguém tivesse mais nada a acrescentar. A simples ideia de enfrentar o Dragão Sombrio com ele irritado fazia até os mais corajosos tremerem.

Nos últimos vinte anos, cada um deles já tinha enfrentado esse poder pelo menos uma vez. Era uma tradição em Skyshard, um rito de passagem que todo soldado precisava passar para ser considerado um verdadeiro guerreiro: desafiar o seu Senhor em combate.

E foi nesses treinos que aprenderam a mesma terrível verdade: o Dragão Sombrio não era humano.

Mesmo quando limitava a si mesmo, selando grande parte do seu poder e restringindo seus movimentos, seus instintos eram tão apurados e sua intenção de matar, tão afiada, que ninguém conseguia ficar diante dele sem sentir a alma recuar.

Quando ele caminhava pelos campos de treino sem esconder sua aura, o ar parecia distorcer-se ao seu redor, e os guerreiros mais fracos desmaiavam ao vê-lo.

Para eles, ele não era apenas um comandante. Era a criatura mais poderosa que já tinham visto, com um simples olhar irritado suficiente para matar uma dezena de homens.

"Quantas vitórias o Senhor já conquistou?" perguntou hesitante um soldado mais novo, a voz trêmula enquanto tentava quebrar o silêncio.

"Ouvi dizer que já passa de trezentos mil," murmurou outro, com tom incerto.

"Setecentos e vinte e três mil," corrigiu um veterano, com os olhos arregalados de reverência. "Até ontem. Meu irmão foi um dos adversários dele. Disse que era como lutar contra o próprio universo, cada golpe que ele dava, o Senhor já tinha visto antes de mover."

Os demais ficaram em silêncio, o número era tão enorme que mal podiam compreender.

Setecentos e vinte e três mil vitórias sem uma única derrota.

Esse era o poder do seu Senhor.

Esse era o monstro que um deles agora teria que enfrentar, não em batalha, mas na dor e na fúria, quando chegasse o momento de levar a notícia do que tinha acontecido ao Dragão e entregar a fita amaldiçoada.

O silêncio nos quartéis ficava mais pesado a cada minuto, denso demais até para a própria respiração. Ninguém olhava nos olhos de ninguém. As lâmpadas tremiam sob o peso do medo compartilhado, e, embora todos evitassem dizer em voz alta, cada homem sabia que quem carregasse essa fita já estava morto.

À medida que as gravações continuavam a ser exibidas por toda Skyshard, lançando imagens de humilhação e correntes no horizonte, todos aguardavam que alguém, qualquer pessoa, fosse escolhido para entregá-lo ao Senhor.

Pois, no fundo de seus corações, todos sabiam uma verdade.

Quando Leo Skyshard soubesse o que tinha acontecido com Aegon Veyr, o próprio universo iria tremer em resposta.

Comentários