
Capítulo 747
Assassino Atemporal
(Há 24 horas, ponto de vista do Comandante da Frota Justa, Bobby)
Bobby não esperava que a civilização Cult do outro lado do Portal do Tempo Congealado fosse algo extraordinário.
Depois de tudo, o Mundo Congealado há muito era considerado um reino morto, com sua mana corrompida, seu ar irrespirável, seu solo negro e irreparável.
Ele imaginava que fosse uma espécie de deserto árido onde só os espíritos poderiam persistir, uma ferida desolada no tempo, onde nada realmente vive.
E assim, quando liderou sua frota de mil embarcações de guerra através do portal giratório, esperava destruição, silêncio e decadência.
No entanto, o que viu ao atravessar a cortina foi algo completamente diferente.
A transição foi como um mergulho através de vidro derretido. O mundo se curvou e se torceu enquanto luz e tempo se dobravam, os sensores gritando de alarme antes de se estabilizarem em clareza — e, quando a distorção finalmente se dissipou, Bobby se viu olhando para um horizonte que desafiava todas as expectativas.
Uma cidade moderna, vibrante, radiante e impossivelmente grande se estendia diante dele.
Torres altas, feitas de formas belas, erguiam-se como catedrais divinas contra um céu que parecia opaco, cinza e estagnado em comparação.
Autoestradas suspensas brilhavam suavemente em padrões circulares ao redor do núcleo central, e canais de mana pura cortavam a paisagem como artérias, alimentando estruturas que pulsavam com vida.
Era exatamente o oposto de um mundo árido e desolado, pois o que tinha diante deles era a melhor metrópole que o universo já tinha visto.
"O que… no nome de Senhor Mauriss é isso?" sussurrou seu segundo, os olhos arregalados enquanto as leituras piscavam violentamente na tela dele. "Não há mana corrompida na nossa região. Nenhum apodrecimento. Nenhuma decadência. Comandante, isso não é uma terra deserta. É—"
"Uma metrópole vibrante", completou Bobby suavemente, com a garganta seca.
Ele observou as spires de prata no topo das torres emitirem luz que imitava o efeito do sol neste mundo sem luz solar, como se o povo Cult tivesse pensado até nisso para tornar a vida aqui o mais normal possível.
"Ativem as gravações", ordenou Bobby após uma pausa longa, com tom firme novamente. "Todos os esquadrões. Distribuam por todos os bairros principais. Os hereges do Cult precisam ver a queda do seu Dragão."
"Sim, senhor!"
O comando ecoou pela frota enquanto escotilhas se abriam e milhares de cápsulas metálicas pequenas desciam em direção à cidade reluzente, queimando como cometas pelo ar.
Por um breve momento, o mundo pareciam calmo.
Então—
*BOOOOOOM*
Uma rajada de luz verde surgiu do centro da cidade, cortando diretamente a formação.
Vinte navios desapareceram num instante, seus cascos transformando-se em destroços derretidos antes que os sensores registrassem impacto. O céu calmo se transformou em caos, com ondas de mana esmeralda subindo, formando uma cúpula radiante que começou a disparar contra a frota com precisão implacável.
"O que? O que foi isso? De onde veio aquele ataque?!" gritou Bobby, segurando na guia enquanto o navio tremer sob seus pés. "Eles estão respondendo ao ataque? Todas as unidades, localizem a origem e devolvam o fogo!"
Ele ordenou, enquanto ao seu redor cada vez mais navios eram destruídos por cortes de mana invisíveis, que atravessavam a formação como manteiga.
"Comandante, parece que não conseguimos localizar a origem daquele ataque, nossos radares não funcionam neste mundo."
"E agora, senhor? Qual sua ordem?" perguntou o capitão, a voz passando por estática.
Mas antes que Bobby pudesse responder, as nuvens sobre a metrópole se abriram e uma forma gigantesca e pouco natural surgiu de dentro delas.
No começo, parecia uma névoa verde se formando, mas à medida que ascendia, a névoa se condensou em algo tangível, algo vivo.
Um sapo.
Um gigante monstruoso de pele esmeralda, do tamanho de uma nave classe destruidor, com olhos dourados brilhando com inteligência e furiosa. Seu corpo era ágil e blindado por uma carapaça natural, e de suas costas se estendia uma colossal espada de quase um quilômetro, forjada inteiramente de mana condensada, vibrando como uma tempestade viva.
"Meu Deus…" sussurrou alguém, a voz tremendo. "Ele… ele está olhando direto pra gente."
O sapo levantou lentamente sua espada, o ar vibrando enquanto reunia poder, a lâmina brilhando cada vez mais até ofuscar o brilho das torres da cidade.
Então, a pancada.
*SKRRRRRHHHHHH*
Os céus rugiram enquanto um único golpe de luz cegante rasgou a frota, dividindo o espaço ao meio.
Centenas de navios se desintegraram instantaneamente, vaporizaram pela onda de choque enquanto alarmes soavam e metais rangiam.
"Recuem! Manobras evasivas! Todas as embarcações, quebrem a formação!" gritou Bobby, sua voz sendo abafada pelo barulho das explosões. "Não podemos lutar contra isso… É poderoso demais… recuem, droga, recuem!"
A frota dispersou-se, mas era tarde demais. A segunda investida da criatura rasgou outra formação, seu ataque cortando armaduras como papel.
Onde Bobby olhasse, seus navios estavam caindo, explodindo em bolas de fogo silenciosas que desapareciam no céu cintilante.
"Comandante, não vamos conseguir sair vivos!" gritou o capitão, segurando os controles com força.
"Vamos, coloque as coordenadas—saiamos agora!" ordenou Bobby, batendo o punho no console. "Já!"
*FZZZZZZZTTT*
O portal de saída se aproximava, piscando de forma errática enquanto a nave de destruição acelerava em direção a ele.
Neste momento, ninguém sabia se conseguiriam escapar ou não, mas, no fim, foram a única nave a retornar.
Das mil embarcações que Bobby liderou rumo ao Mundo Congealado nesta operação, foram apenas elas que conseguiram voltar, enquanto as demais foram neutralizadas pelo Monstro Verde gigante.
"O-que diabos foi aquilo? Que cidade era aquela? E aquele Monstro Verde Gigante?"
Alguém a bordo sussurrou essas palavras, a voz tremendo, enquanto Bobby engolia em seco, o som da própria garganta formando um gole alto que ecoou em seus ouvidos, mais forte que as explosões que ainda rugiam além do casco.
Embora fosse um Monarca e um veterano de incontáveis campanhas, até ele sentiu o calafrio da morte rastejar pela espinha ao lembrar daquele olhar do sapo monstruoso.
Pois, naqueles olhos dourados, não havia maldade, ódio — apenas a calma confiança de um poder tão absoluto que a resistência parecia absurda.
E naquele instante, Bobby soube, além de qualquer orgulho ou negação, que nem dez dele juntos conseguiria enfrentar aquele ser único.
A criatura não era uma besta.
Ela era a encarnação do domínio.
E o Cult… não estava morrendo.
Ele estava evoluindo.