
Capítulo 746
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, Planeta Granada, POV de Mauriss)
*Gotejo*
*Gotejo*
*Gotejo*
O som da chuva batendo no oceano sem fim preenchia o silêncio como um batimento cardíaco, lento e deliberado, enquanto lá embaixo, o mar gemia e se moveu como se até ele tivesse medo de falar alto demais na presença da entidade que se via acima dele.
Mauriss estava sentado na única rocha no coração do oceano, imóvel, exceto pelo leve sorriso nos lábios, seu peito nu brilhando suavemente sob a luz da tempestade, enquanto seus longos cabelos pretos flutuavam acima da cabeça.
Antes dele, ajoelhado, estava um homem vestido com o uniforme militar padrão da Facção Justa, a testa apoiada na pedra molhada, seu corpo todo tremendo pelo peso do olhar do deus.
"Você tem certeza," Mauriss perguntou suavemente, com uma tonalidade quase brincalhona, "de que foi a cidade mais magnífica que você já viu?"
O comandante engoliu em seco, respirando superficialmente, evitando levantar os olhos. "S–sim, meu senhor. Foi, de fato, a cidade mais magnífica que já vi," ele gaguejou. "Voei até lá eu mesmo, como sua orientação, e divulguei as fitas de vídeo pelos bairros superiores antes que as patrulhas pudessem nos interceptar. Os sistemas de defesa do Culto detectaram nossa frota imediatamente."
Eu… eu quase não consegui sair vivo…
Estava na única nave que conseguiu sobreviver das mil que vocês enviaram lá dentro."
Mauriss inclinou a cabeça levemente, os olhos brilhando por entre a cortina de chuva, enquanto estudava a figura trêmula do homem.
"Mas o que estava diante de nós," o comandante continuou, a voz tremente como se a própria lembrança o perturbasse, "não era o deserto que esperávamos. Não era cheio de humanos corrompidos, meio-demônios, ou ruínas queimadas pela corrupção. Pelo contrário, era… vivo. Uma metrópole tão vasta, tão avançada, que até nossas colônias mais fortes parecem pífias em comparação. O Culto, meu senhor… eles estão florescendo."
Por um momento, o silêncio retornou — tão denso que até a chuva parecia fazer uma pausa entre suas gotas.
Então, veio um som.
Uma risada baixa, gutural.
Os ombros de Mauriss tremeram um pouco, sua cabeça inclinando-se para frente enquanto sua risada ecoava suavemente pelo horizonte sem fim.
"Florescendo, você diz…" ele murmurou, passando a mão pelos cabelos molhados enquanto um sorriso quase sinistro surgia no canto dos lábios. "Que relatório impressionante."
Seus dedos se contraíram lentamente, a água escorrendo pela palma como se traçasse veias invisíveis de poder.
"Pois bem," ele sussurrou, os olhos brilhando com uma loucura calma demais para ser comum, "isso torna tudo ainda mais interessante, não acha?"
Ele se levantou da pedra com uma graça sem pressa, a água ondulando sob seus pés nus, como se estivesse se curvando diante dele.
O comandante teve coragem de levantar a cabeça o suficiente para ver o sorriso do deus — e logo se arrependeu.
Pois, naquela expressão, o que ele viu não era diversão, nem fúria, mas uma fascinação doentia, como o prazer de um predador que acaba de descobrir uma nova presa valiosa para caçar.
Mauriss olhou para as nuvens distantes, onde relâmpagos rasgavam a tempestade como veias de fogo prateado, e falou em tom que soou quase como reverência: "Um Culto florescente significa que ainda existe um coração pulsante daquela organização infeliz… e corações, meu querido comandante, são tão agradáveis de partir."
Ele voltou a rir, inicialmente silencioso, depois mais alto, até sua risada se fundir ao som do trovão atravessando o mar.
*CRACK*
*KABOOM*
A tempestade rugia junto com ele, como se os céus não soubessem se deviam ecoar ou fugir, e por bons dois minutos, Mauriss se entregou às suas próprias fantasias.
"Meu senhor, se posso?" o comandante gaguejou, sua voz fina como fio, ao forçar-se a levantar, com as palmas das mãos na rocha escorregadia, buscando se estabilizar sob o olhar do deus.
"Sim, continue," respondeu Mauriss, com diversão moldando sua voz suave.
"Meu senhor, sugiro que armemos uma emboscada fora da entrada do Mundo Congelado no Tempo e que aprisionemos os terroristas do Culto lá para sempre.
Se garantirmos que eles não possam sair, pouco importará o que fizerem lá dentro. Eles ficarão isolados, cortados do mundo, e se transformarão em ameaças ociosas que nunca precisaremos enfrentar."
"Proponho que lancemos uma frota de um milhão de naves naquela entrada, só pra garantir que os Cultistas nunca possam escapar."
O comandante sugeriu timidamente, enquanto, por um instante, Mauriss apenas observava, com os olhos como lanternas geladas, ponderando seriamente sobre a proposta.
*Mexer*
*Mexer*
Porém, após refletir um pouco, ele começou lentamente a balançar o dedo, uma risadinha suave escapando de seus lábios, como se a própria ideia o divertisse e acalmasse alguma parte cruel de sua mente.
"Não," ele disse, provando a palavra com uma nuance que a tornava mais perigosa do que um grito, "onde está a diversão nisso?"
Ele mordeu a ponta do dedo, formando uma bolha vermelha, e observou-a escorrer de volta para a tempestade, a alegria tornando seu sorriso mais fininho. "O que precisamos é de espetáculo. Precisamos que eles acreditem que têm chance, que sintam esperança e cheirem a vitória, para que quando se moverem, possamos vê-los correrem direto na armadilha que preparei para eles."
Armariar a porta deles é astuto, é organizado, é covarde.
Mas o que de verdade quero é que eles saiam rugindo, levantem suas bandeiras, reúnam seu velho Deus, e avancem para salvar seu Dragão."
*Engolir em seco*
O comandante engoliu nervoso, a ideia se instalando como gelo, enquanto Mauriss continuava.
"A data da execução do Dragão já está marcada, e, com você tendo conseguido espalhar aquelas fitas na sancturária deles, tenho certeza de que eles virão.
Quando virem a imagem devastadora do messias deles sendo arrastado por terra e humilhado mil vezes, perderão a cabeça, e seu estúpido desejo de vingança falará mais alto.
Logo, eles sairão daquela porra de mundo nojento, como as ratazanas que são, e cairão direto na armadilha que preparei para sua destruição!"
Mauriss afirmou, começando a rir de novo, desta vez ainda mais maniacal do que antes.