Assassino Atemporal

Capítulo 755

Assassino Atemporal

Leo soltou um suspiro profundo assim que Leonardo saiu, enquanto o silêncio da mansão se estabelecia ao redor dele novamente, pesado e familiar.

Ele não podia acreditar como o garoto estava crescendo rápido. Parecia que foi ontem que Leonardo se escondia atrás das pernas de Jacob, espiando nervoso com olhos arregalados toda vez que Leo voltava do treinamento.

Ele ainda se lembrava de como a criança se agarrava às vestes de Elena, tímida demais para cumprimentá-lo sozinha, e como sua risada ecoava pelo pátio da mansão enquanto brincava com as espadas de madeira que Elena tinha esculpido para ele.

Agora, esse mesmo menino estava de pé, alto e orgulhoso, carregando o peso do nome Skyshard nos ombros com a graça de um homem duas vezes mais velho.

Aquela percepção apertou o peito de Leo de leve, uma dor silenciosa se espalhando por ele enquanto observava o suave brilho de seu próprio reflexo no chão de mármore polido.

Quando foi que os anos passaram tão silenciosamente?

Quando o menino virou um guerreiro?

No meio do treinamento incessante e da busca por força, o tempo passou por ele sem misericórdia, se esvaindo em décadas até que ele não se lembre mais exatamente quando o riso inocente de Leonardo virou uma lembrança.

*Suspiro*

"No final... vou caminhar sozinho?" ele murmurou baixinho, sua voz quase inaudível diante do zumbido suave da energia que preenchia o ar.

Sua mente vagou pelos rostos de seus pais—o olhar constante de Jacob, o sorriso caloroso de Elena. Ambos já se foram, deixaram nele apenas o eco vazio do que um dia foi.

Eles partiram sem aviso, deixando-o em pé após sua ausência, questionando se todo o treino de anos valeu a pena pelo preço de perder aqueles momentos finais.

Por um tempo, depois de entrar no Mundo Parado no Tempo, ele conseguiu equilibrar tudo... força e família, ambição e afeto.

Durante os primeiros quinze anos de sua permanência aqui, ele visitava casa com frequência, passando dias rápidos, mas essenciais, com a família todo mês.

Ainda se lembrava das jantares que se estendiam noite adentro, repletos de risadas, brincadeiras e aquelas reprimendas suaves de sua mãe toda vez que treinava além da conta.

Mas após a morte de Jacob, as coisas mudaram. Elena ficou mais silenciosa, menor de alguma forma, sua alegria desvanecida pela solidão, enquanto ele próprio se consumia pelo dever, perdendo de vista o mundo exterior ao ciclo infinito de disciplina.

Quando ela faleceu em seu sono, em paz, mas só, a culpa grudou nele como uma lâmina girando lentamente pelo peito.

"Essa força..." ele sussurrou, olhando para as mãos enquanto uma tênue luz escarlate começava a cintilar ao redor de seus dedos, a cor mudando como fogo líquido. "…é mais uma maldição do que uma bênção."

A aura vermelha pulsou suavemente, ritmando irregularmente, sua pressão se espalhando pela sala em ondas que faziam as janelas próximas tremerem. Leo respirou lentamente, controlando-a, embora o ato exija muito mais esforço do que ele gostaria de admitir.

O Manual de Supressão Imperial lhe concedeu um poder inimaginável, mas cada camada de maestria tinha seu preço. Quanto mais forte ficava sua aura, mais frágil se tornava seu controle sobre ela, como se o próprio mundo resistisse à energia que carregava.

Ele cerrava os punhos, observando a luz piscar e desaparecer.

Por causa desse poder, ele tinha perdido o direito de estar perto dos que amava.

Não podia segurar a mão de sua esposa sem medo de machucá-la.

Não podia embalar os filhos em seus braços sem arriscar seus coraçõezinhos frágeis.

Cada visita à sua casa só acontecia depois que as crianças eram colocadas em um lugar seguro, ou ele encontrava Amanda em privacidade, onde ela vinha vê-lo sem as crianças.

Era uma ironia cruel.

Tornou-se forte o suficiente para mover oceanos inteiros, mas impotente para tocar os rostos que davam sentido à sua vida.

"Está me tornando igual a ele", Leo murmurou, a voz carregada de amargura silenciosa. "Do mesmo jeito que Jacob foi..."

Um pai que está sempre ausente.

Um pai que observa de longe.

Um pai cujo amor só consegue alcançar pela ausência.

Seu olhar se dirigiu à parede distante, onde marcas de queimadura ainda manchavam a pedra de sua fúria anterior. As lembranças da humilhação de Veyr ardendo vívidas por trás das pálpebras, alimentando a raiva que tentou reprimir.

Talvez esse fosse o preço de carregar força demais—

Amar, mas nunca tocar.

Proteger, mas nunca segurar.

Cuidar, mas sempre ficar sozinho.

A aura vermelha piscou novamente, primeiro fraca, depois como uma chama viva que dançava pelos ombros dele antes de ele forçar sua volta, exalando com esforço.

A mansão tremeu levemente sob a pressão, o silêncio que se seguiu mais profundo que antes.

"É por isso que preciso te salvar, Cuz, porque no final, se não for por você, posso acabar sem um único amigo neste universo, e só de pensar nisso, dá medo."

Por mais que inveje Soron por sua força, não quero viver 2.000 anos igual a ele, confinado entre as paredes de um castelo antigo, com apenas um subordinado para chamar de amigo…"

Leo confessou, percebendo, ao longo das últimas duas décadas e após finalmente aceitar a morte de dois entes queridos, que seu caminho inevitavelmente acabaria com ele sozinho.

Pois, a menos que Veyr, Leonardo, Caleb ou Mairon se tornassem deuses também, estaria condenado à eternidade da solidão.

"Tenho certeza de que, ao final deste caminho, não vou olhar para trás e me perguntar: ‘Valeu a pena todo esforço?’ Certo?"

Ele se questionou, com os olhos escurecendo, a voz baixa carregada de sarcasmo e medo, ao colocar a venda sobre os olhos mais uma vez e começar a caminhar em direção ao campo de treinamento.

Já havia derrotado 750 mil oponentes sem uma única derrota, e se conseguisse manter isso sem cometer erros, poderia finalmente concluir essa etapa do Manual de Supressão Imperial no próximo ano….

Com a esperança de salvar Veyr, o fracasso não era mais uma opção, pois sabia que precisava de toda força que pudesse reunir para mesmo pensar em tentar aquela missão.

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Fim do Volume 7

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