Assassino Atemporal

Capítulo 740

Assassino Atemporal

(Planeta Voralis, Território da Facção Justiceira, POV de Veyr)

Após exibí-lo nu em uma gaiola por vários mundos, a Facção Justiceira decidiu mudar o roteiro no sétimo dia de sua turnê de humilhação, organizando desta vez um evento ainda maior: um concerto de humilhação.

Amarrado em uma plataforma elevada no coração do Grande Fórum de Voralis, Veyr permanecia acorrentado por cadeias de liga divina que reluziam, cada elo vibrando fraca e sutilmente com força contenida, enquanto segurava seus braços afastados e mantinha seu corpo ereto diante de uma multidão que se estendia além da vista.

Centenas de milhares de pessoas enchiam os níveis ao redor da praça, seus gritos e maldições se fundindo em um único e interminável rugido que sacudia a pedra sob seus pés nus.

Acima dele, os dois sóis pendiam pálidos por trás de uma névoa de fumaça de incenso, sua luz fragmentada pelas bandeiras do Governo Universal que ondulavam ao vento, cada uma adornada com sigilos dourados de poder.

De alto-falantes ocultos ao redor do fórum, vinham graves batidas de tambores cerimoniais que ecoavam como um batimento cardíaco, marcando um ritmo sombrio para o que estava prestes a acontecer.

Ele já não conseguia precisar quantos soldados o guardavam, pois seus sentidos estavam confundidos pelos dezenas de drogas em seu corpo, que de alguma forma o mantinham lúcido o suficiente para sentir a dor e a vergonha, mas nunca agudo o bastante para quebrar ou resistir.

*Passo*

*Passo*

Neste momento, um comandante de nível Monarca, vestido com armadura prateada, avançou, sua voz amplificada ecoando pela praça.

"Cidadãos da Facção Justiceira," declarou, com tom suave, porém venenoso, "vejam o falso messias, o chamado Dragão do Culto, trazido perante vocês para ser julgado por seus crimes contra toda a criação."

*Aplausos*

*Ruído de multidão*

A plateia respondeu com gritos de aprovação, batendo os pés e aplaudindo como se celebrasse um festival em vez de uma execução.

Veyr levantou lentamente a cabeça, com uma expressão neutra, porém firme, seus cabelos longos molhados caíam em mechas embaraçadas sobre os ombros enquanto as correntes tilintavam a cada respirar.

Sentiu a raiva fervilhar dentro de si ao ver aquelas pessoas impassíveis zombando dele, mas nunca deixou transparecer… pois não queria lhes oferecer o prazer de ver sua calma se quebrar.

"Agora, começarei a ler os crimes pelos quais este falso profeta foi acusado…

Esperamos que ele se arrependa disso.

Porém, se não o fizer, vamos aplicá-lo dez chibatadas por cada crime pelo qual ele não demonstrar arrependimento!"

O Comandante declarou, desenrolando um longo rolo de papéis com os crimes que Veyr supostamente cometeu, e começou a lê-los um a um.

"Aegon Veyr, por crime de prejudicar cidadãos da Facção Justiceira e assassinar nossos soldados, você se arrepende?"

Ele perguntou enquanto os olhos de Veyr se abriam completamente pela primeira vez, sua expressão desafiadora ao dizer…

"Não... não me arrependo."

*Chibatada forte*

Seu corpo se sacudiu quando a chibata acertou suas costas, seus olhos se movendo com o choque da dor aguda, mas sua face permaneceu imóvel, o queixo erguido, expressão desafiadora e impassível.

*Chibatada forte*

....

....

....

*Chibatada forte*

Mais nove chicotadas logo depois, enquanto Veyr sentia toda a suas costas queimar de dor, a camada superficial da pele sendo arrancada dos músculos.

"Por crimes de matar crianças inocentes e espalhar terror em planetas da Facção Justiceira, você se arrepende?"

O comandante perguntou em seguida, enquanto—

"Não." foi a resposta arrogante de Veyr.

*Chibatada forte*

....

....

*Chibatada forte*

A pele de couro estalou contra as omoplatas dele, o som ecoando pela praça enquanto sua respiração falhava por um instante, mas novamente, ele não recuou.

Sua expressão permaneceu calma, o olhar fixo à frente, as veias do pescoço tensas enquanto o sangue escorria lentamente por suas costas.

"Por ordenar que seus homens cometam crimes de guerra, violem e profanem os inocentes, você se arrepende?"

Seus lábios se moveram lentamente, sua voz mais baixa, mas tão firme quanto antes.

"Não."

*Chibatada forte*

....

....

*Chibatada forte*

Desta vez, os golpes foram mais duros, a multidão uivava em aprovação enquanto os olhos de Veyr se fechavam por um instante, a dor atravessando cada nervo. Mas quando reabria os olhos, estavam frios e inquebráveis, a mandíbula tensa, seu corpo alinhado contra a força das correntes.

O ritmo continuava. A voz do general. Os gritos da multidão. A resposta de recusa que não mudava.

*Chibatada forte*

"Não."

*Chibatada forte*

"Não."

Cada recusa era como mais um prego em sua resistência, batendo mais forte do que a punição em si.

Em determinado momento, ele deixou de sentir as chicotadas separadamente, a dor fundindo-se em uma queimaçã contínua que envolvia sua mente como metal derretido, mas, apesar de tudo, ele permaneceu de pé, com o olhar fixo no horizonte.

Então veio a última acusação, a que o comandante guardou para o final, sua entonação crescendo de fúria e solenidade dramática.

"Aegon Veyr, ao desafiar a vontade dos Verdadeiros Deuses e seguir o falso deus Soron, você se arrepende?"

A multidão parou completamente, até o vento ficou em silêncio, esperando sua resposta.

"Os verdadeiros deuses?"

Ele repetiu enquanto levantava a cabeça, o cabelo caindo de volta ao redor do rosto, sua respiração irregular, mas firme, enquanto um leve sorriso surgia em seus lábios.

"Quer dizer os covardes que conspiraram e traíram o Assassino Sem Tempo?

Aquele que nunca enfrentou Lorde Soron nos últimos 2200 anos por medo de sua ira?

Devo considerá-los legítimos?

Não... não considero."

*Chibatada forte*

....

....

*Chibatada forte*

Dezoito vezes seguidas, os golpes atingiram, rasgando linhas de sangue tênues na pele, mas ele permaneceu imóvel, os olhos vítreos de dor, mas com o rosto calmo como antes.

O barulho voltou a explodir, a praça inundada de gritos e maldições, mas ele já não os ouvia, por causa da perda de sangue ou da dor, que o estavam levando à inconsciência novamente.

'Acham que isso vai me derrotar,' pensou, sua visão tremendo, a cabeça pendendo para frente enquanto sangue pingava do queixo no chão. 'Mas tudo que fizeram foi me lembrar do motivo de eu não poder cair.'

Forçou os olhos a se abrirem uma última vez, fixando o olhar nas primeiras filas da multidão, onde nobres influentes se inclinavam para ver o espetáculo.

Mesmo semi-inconsciente, seu olhar carregava um peso silencioso que os fazia se mexer de desconforto.

"Guardas… Guardas…"

Os nobres murmuraram em pânico, enquanto Veyr ria entre dentes antes de cair no sono, seu rosto sorridente irritando mais a multidão do que suas palavras poderiam fazer.

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