Assassino Atemporal

Capítulo 722

Assassino Atemporal

(11 dias após a queda de Juxta, flutuando pelo espaço, ponto de vista do Comandante Rufas)

As estrelas se estendiam infinitamente pelo vazio além da cabine de observação, mas todos os olhos a bordo da nave de destruição estavam fixos na esfera azul-esverdeada à frente: Tithia.

O comandante Rufas permanecia ao lado do painel de vidro, com as mãos cruzadas elegance, seu humor alegre, enquanto sentia uma empolgação pura correr por suas veias.

"Então, no final... o bem triunfa sobre o mal."

Rufas murmurou, com tom calmo, mas vitorioso, enquanto os oficiais atrás dele, fileiras de homens e mulheres bem vestidos com uniformes iguais da facção justa, se endireitavam de uma só vez, sorrisos se espalhando pelos rostos enquanto trocavam olhares silenciosos de satisfação.

"Se posso me permitir, comandante," disse um deles, avançando. Sua placa de identificação dizia Barry Lint, um jovem tenente com cabelos grisalhos nas têmporas e uma energia nervosa a respeito dele. "Tenho uma história para compartilhar."

Rufas virou um pouco o rosto, seu olhar calmo encontrando os olhos ansiosos de Barry. "Por favor, fique à vontade, Barry."

O tenente fez uma reverência respeitosa antes de continuar, com voz firme, mas carregada de entusiasmo. "Quando eu era criança, comandante, gostava de brincar de guerra com meus amigos, fingindo ser soldados da Fé Justa. Marchávamos pelos jardins da aldeia e dizíamos que estávamos purgando o Culto do Mal. E toda vez que jogávamos esse jogo, eu sempre sonhava em destruir Tithia."

Ele fez uma pausa, sua voz suavizando enquanto um sorriso se formava nos lábios. "Agora, quarenta anos depois, tenho a honra de realizar esse sonho de infância."

Rufas observou-o em silêncio por um momento antes de assentir, um sorriso de aprovação surgindo lentamente. "Não é apenas seu sonho, Barry. É o sonho de todos nós... de todos que apoiam o lado do Bem."

Ele se virou novamente em direção a Tithia, refletido na janela de liga transparente, que tremulava delicadamente.

"Todo soldado da Fé Justa cresce ouvindo as mesmas histórias: como o Culto do Mal cria hereges, assassinos e pecadores que perturbam a ordem universal.

Portanto, destruí-los não é apenas uma vitória. É uma justiça realizada."

Disse, apertando as mãos firmemente atrás das costas, com voz tranquila, porém carregada de convicção.

"Para o Culto do Mal, Tithia é seu centro administrativo, seu segundo planeta mais importante, depois de Ixtal.

E sua queda é tão simbólica quanto estratégica, pois seu colapso é uma clara mensagem de que os tempos em que o Culto do Mal aterrorizava o universo chegaram ao fim.

A partir de agora, não há retorno para eles...

A partir de agora, a facção do Bem triunfará!"

Rufas ergueu os punhos, incentivando seus subordinados a aplaudir moderadamente.

*Aplausos* *Aplausos* *Aplausos

Eles batiam palmas num ritmo, enquanto Rufas sorria levemente, seu olhar fixo na Terra abaixo, que se aproximava a cada segundo.

"Hoje... venceremos."

Disse, convencido de que esse seria o desfecho, sem mais dúvidas em seu coração.

—------------

(Enquanto isso, lá em Tithia)

*RUMOR*

*Crrr*

O solo de Tithia tremia levemente quando os primeiros raios de mana destruidora atingiram o dossel protetor do planeta.

O som ecoava no ar como trovão preso sob o céu, a vibração se espalhando de cidade em cidade até mesmo quem estava no subterrâneo sentia os seus ossos tremerem de medo.

*CRRRRR*

*TRRRR*

A vibração se intensificou, com o primeiro ataque rapidamente seguido por um segundo, depois um terceiro, cada um mais pesado, mais alto, mais próximo, enquanto poeira caía do teto e os mais fracos sentiam seus batimentos acelerarem diante do pavor.

Dentro do que fora uma humilde padaria, os civis do Culto improvisaram um abrigo de guerra reforçando o interior com vigas de aço recuperadas, tábuas de madeira e sacos de areia empilhados para absorver o impacto.

Desmontaram mesas e fornos para fazer barricadas, o chão agora repleto de armas improvisadas e sacos de ração. E, apesar da destruição e da tensão, havia uma estranha calmaria no ambiente, uma aceitação nascida do saber que o fim finalmente chegara.

Uma antiga lamparina a óleo tremia na mesa, sua chama laranja pálida balançando a cada tremor que sacudia o chão.

Sob a luz, sombras longas se estendiam pelas paredes rachadas, sombras de homens idosos e veteranos mutilados, de mães com filhos assustados demais para entender o que vinha, e de jovens tão quebrados a ponto de não conseguir fugir.

*Passo*

*Passo*

*Passo*

De repente, o silêncio foi quebrado pelo estrondo da porta, que se abriu de golpe, e um jovem escoteiro entrou tropeçando, ofegante, com o rosto pálido e coberto de poeira.

"A barreira…" ele engoliu em seco, agarrando-se à porta para se equilibrar. "A barreira foi rompida. O inimigo chegou."

Um suspiro nervoso percorreu o cômodo, mas ninguém gritou, ninguém entrou em pânico. Todos apenas viraram a cabeça para ele em silêncio, como se esperassem exatamente aquelas palavras.

"Então começa," murmurou um ancião sentado no canto, com as pernas amputadas e os olhos brilhando com uma determinação severa, enquanto passava os dedos trêmulos na borda de um rifle de mana antigo, relíquia de uma guerra passada.

"Melhor que comece agora do que mais tarde. Estou pronto para morrer desde o dia em que queimaram Juxta. E minha visão não é tão boa quando escurece." Disse uma velha, sentada ao lado dele, com as mãos calejadas de tanto soldar barricadas durante a manhã, soltando um suspiro suave.

Ao seu redor, assentimentos silenciosos. Sem lágrimas, sem pânico, apenas uma serenidade sombria que vem de saber que nada mais há a perder.

Eram os deixados para trás — não por negligência, mas por destino.

Os mais pobres, incapazes de pagar a viagem até as regiões neutras.

Os idosos, considerados de baixa prioridade pelo Chaosbringer, que não foram evacuados nesse momento.

Os orgulhosos, que recusaram abandonar suas casas, relutantes em fugir como fantasmas das terras que viveram e sangraram.

Apesar das razões diferentes, todos aceitaram a morte à sua maneira.

Alguns afiaram facas que quebrariam após um único golpe. Outros carregavam balas de lata em rifles quebrados. Um homem, ex-farmer, sentado no canto, esculpia uma lança usando a alça de uma vassoura, dizendo baixinho, como se fosse uma preparação para a colheita.

Do lado de fora, as ruas estavam cheias de barricadas de móveis empilhados, carrinhos derrubados e armadilhas rudimentares de arame e fogo, colocadas com cuidado desesperado por aqueles que já sabiam que não veriam o nascer do sol novamente.

*EXPLOSÃO*

*KABUM*

*COLAPSO*

À medida que os estrondos no alto ficavam mais altos, uma velha se levantou, segurando a mão de uma criança pequena demais para lutar, mas velha o bastante para lembrar. "Quando eles vierem," ela disse suavemente, "você não corre. Você atira a primeira pedra e continua até que seus braços não aguentem mais. Promete para mim."

A voz do menino tremeu, mas sua resposta foi firme. "Prometo."

Do outro lado da sala, alguém riu levemente — um som exausto, vazio, que de algum modo ainda parecia coragem. "Pelo menos, levaremos alguns desses malditos justos conosco."

"Talvez mais que alguns," respondeu outro, ajustando as goggle rachadas com um sorriso fraco. "Vamos fazer eles lembrarem de Tithia. Mesmo que queimem até virar cinzas, eles vão lembrar."

Por um breve momento, algo quente flamejou entre eles. Não esperança, pois ninguém acreditava na sobrevivência, mas orgulho... o orgulho de quem se recusava a ajoelhar, mesmo com o fim batendo à porta.

*KABOOM*

Do lado de fora, o céu voltou a tremer, mais próximo agora, com os destroços do bombardeio pesado caindo sobre o telhado da padaria onde estavam, enquanto as naves inimigas avançavam cada vez mais perto.

"Que nossas almas manchem para sempre a vitória deles,"

disse o velho naquele momento, enquanto ao seu lado, cada homem, mulher e criança naquele abrigo estavam prontos — não por misericórdia, mas para a guerra, decididos a morrer como homens livres, e não como escravos capturados.

Comentários