
Capítulo 723
Assassino Atemporal
(12 dias após a queda de Juxta, Planeta Ixtal, ponto de vista de Leo)
A notícia chegou em seu gabinete pouco antes do amanhecer, exibindo uma coleção das principais fotos e trechos do que acontecera em Tithia, confirmando sua queda nas mãos dos Righteous.
Por um longo momento, Leo permaneceu em silêncio, fixando o olhar na mesa de dados que mostrava a barreira defensiva do planeta desmoronando, seguida pelos bombardeios cidade por cidade, pois apesar do esforço máximo das forças defensoras, no final, Tithia foi conquistada pela Frota dos Justos em menos de duas horas.
"Prepare a nave de evacuação… E informe Veyr que estamos saindo." disse, finalmente, após assistir ao vídeo, pois embora tivesse resistido até agora à ideia de fugir para o Mundo Parado no Tempo, ele sabia que não podia mais adiar, pois a queda de Tithia indicava que Ixtal seria o próximo.
"Senhor Chefe, tentei ao máximo convencer o Dragão a acompanhá-lo…
Porém, ele permanece irredutível em não vir.
Ainda fala sobre fugir para outros planetas neutros.
E garante que não irá com vocês por mais que insistam…" Chaosbringer disse, antes de partir de Ixtal, confirmando mais uma vez que Veyr não acompanharia o grupo, independente do que acontecesse.
"Tudo bem, se ele não quer vir, não há o que fazer.
Você apenas informe Su Pei e Dupravel que estamos partindo e que eles estejam prontos para nos acompanhar dentro de uma hora." instruíu Leo, e exatamente uma hora depois, saiu de Ixtal a bordo de uma pequena nave mercantil, com apenas Chaosbringer, Su Pei, Dupravel e o filho dele, Darnell, a bordo, enquanto Veyr partiu uma hora depois, em uma nave comunitária rumo ao planeta neutro 'Wamir'.
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Leva quase seis horas para Leo alcançar o perímetro externo do portal de entrada do Mundo Parado no Tempo a partir de Ixtal, e durante toda essa longa espera silenciosa, seus pensamentos vaguearam infinitamente pelo caos dos últimos doze dias.
Ele lembrou dos rostos que salvou, e dos inúmeros que não conseguiu, enquanto os números se gravavam em sua mente como uma ferida que nunca cicatrizaria.
No final, entre ele e Veyr, conseguiram resgatar aproximadamente sessenta e sete vírgula dois por cento da população total do Culto, enquanto o restante tinha sido deixado para enfrentarem seus destinos.
Segundo os relatórios, cerca de dezessete por cento deveriam receber a misericórdia da morte instantânea, enquanto os demais vinte e oito por cento estavam condenados a viver como escravos sob a bandeira dos Justos, em uma vida até pior que a morte.
"Perdoe-me… A cada alma que não consegui salvar, peço que me perdoem.
Pois, embora não tenha conseguido salvar vocês, prometo vingá-los."
disse Leo pouco antes de sua nave entrar na Bolha Dimensional, reafirmando sua intenção de um dia retornar ao Mundo Parado no Tempo e vingar cada alma que não conseguiu salvar naquele dia.
*TRUMM*
*BATERIA*
A passagem pela barreira dimensional durou pouco mais que um coração, mas quando a turbulência passou e a luz fora da cabine suavizou, Leo sentiu sua respiração paralisada dentro de si.
O mundo além da janela não era nada do que ele imaginava, pois em vez do cinza desolado que o recepcionou ao entrar pela primeira vez no Mundo Parado de Zhanrok, aquele apresentava uma metrópole extensa construída logo abaixo do portal de entrada.
"Uau—"
Ele refletiu, enquanto a vista que o saudava era ao mesmo tempo assustadora e impressionante, uma cidade moderna que brilhava suavemente sob um céu de crepúsculo que parecia não mudar nunca.
O céu acima era de um roxo apagado, carregado de mana opressiva que pressionava seus sentidos como um peso invisível, porém, mesmo sob tamanha opressão, a vida encontrava uma forma de prosperar.
Não havia luz solar, nem vento, apenas uma atmosfera imóvel que reluzia com um brilho tênue, como se o próprio ar pulsasse com uma energia contenida, mas apesar do céu sombrio, a cidade parecia vibrante e muito bem iluminada.
Os postes de refinamento de mana espalhados em intervalos regulares pulsavam em ritmo constante, suas pulsações invisíveis eliminando a toxina que um dia tornara aquele mundo inabitável.
De sua posição, Leo conseguiu ver o enorme hangar na cidade, que se estendia pelo vale abaixo, sua primeira visão da 'Cidade Skyshard', como agora era conhecida.
Era uma visão totalmente diferente do que ele tinha imaginado, mesmo após ter lido vários relatórios sobre sua aparência.
Edifícios em camadas, com paredes feitas de ligas tratadas com mana que reluziam sob a luz do crepúsculo.
As ruas estavam cheias de movimento — trabalhadores, engenheiros, soldados e civis todos se movendo com uma rotina incessante, seus rostos cansados, mas determinados.
A cidade estava lotada além do limite, e mesmo de longe Leo podia ver que milhões moravam em espaços onde talvez apenas milhares fossem destinados a viver, mas, apesar da densidade sufocante, a ordem de alguma forma prevalecia.
Lanternas artificiais banhavam as ruas com um tom âmbar suave, enquanto condutores de mana percorriam os telhados como rios brilhantes, alimentando forjas, clínicas e domos de proteção que abrigavam distritos inteiros.
"Pelo tanto…" Su Pei sussurrou, colocando uma mão no vidro. "Isso não é mais um abrigo de apocalipse… é um império exilado."
Leo permaneceu em silêncio. Seu olhar percorreu o horizonte, onde dezenas de novas zonas de expansão estavam em construção, andaimes emergindo na névoa cintilante.
As pessoas do Culto, os sobreviventes, ainda construíam, ainda resistiam, ainda se negavam a desaparecer.
*FSSSHH*
Sua nave logo começou a descer em direção ao hangar principal, deslizando entre rotas de voo iluminadas por luzes azuis suaves.
De cima, ele viu as bandeiras do Cultu tremulando novamente, não em desafio, mas em perseverança silenciosa.
Quando a nave finalmente tocou o solo, a vibração suave sob seus pés parecia quase surreal.
Chaosbringer avançou e fez uma leve reverência. "Chegamos, Senhor Chefe. Seu novo Império o aguarda."
Leo assentiu lentamente, ainda fixando o olhar na linha do horizonte, visível através do domo translúcido do hangar.
" Isto é o que restou de nós," ele disse com silêncio. "E é daqui que nossa vingança começa."
Desceu pela rampa, sentindo o peso do ar imóvel ao seu redor, espesso, pesado e inalterável, mas, em algum lugar dentro daquela quietude sufocante, ele percebeu uma pulsação tênue de vida.
O Culto tinha resistido ao impossível, e contra toda lógica, ainda respirava.
Com esta Cidade Skyshard como prova viva dessa resistência.
A Facção dos Justos tinha atacado com força máxima para erradicar o Culto.
Mas, no final, isso ainda não foi suficiente.