
Capítulo 724
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, planeta Wamir, ponto de vista de Veyr)
A nave mercante atravessou a fina neblina azul da atmosfera superior de Wamir, seu casco tremendo levemente ao descer em um dos inúmeros portos comerciais espalhados pelas vastas planícies desérticas.
Da pequena janela na cabine, Veyr podia ver a superfície abaixo, que parecia uma extensão interminável de areia ocre, interrompida apenas pelas faixas de bandeiras de diferentes conglomerados comerciais que chamavam esse mundo neutro de lar.
Não havia fronteiras aqui, nem um governante ou deus único, apenas comércio e a promessa silenciosa de que tudo poderia ser comprado ou traído pelo preço certo.
*Ssssh*
*BANG*
O trem de pouso da nave travou no lugar ao tocar a pista de um píer lotado.
No momento em que as portas deslizaram, uma onda de calor e barulho invadiu o interior — gritos de comerciantes, o rugido de guindastes, o zumbido das engines de mana e o tilintar monótono das máquinas, tudo se misturando numa sinfonia de sobrevivência sem fim.
Veyr ajustou o capuz com mais firmeza e ajeitou o manto preto que agora escondia a maior parte de suas feições, mantendo a cabeça baixa ao sair da nave.
Ele não parecia nada com o infame Dragão venerado pelo Cult, pois usara [Transformar] para se transformar num comum disfarçado, com rosto envelhecido e enrugado, enquanto seus cabelos pareciam desmazelados e sujos.
Seus olhos negros fundos estavam opacos de cinza sujo, sua aura régia completamente suprimida por pura força de vontade, já que ninguém sequer se virou para olhar duas vezes enquanto ele caminhava.
*Passo*
*Passo*
*Passo*
Veyr avançou rapidamente pelos pontos de controle do porto, seus movimentos lentos mas deliberados, misturando-se à multidão de estranhos que viviam e morriam pelo próprio czarinho.
O cheiro de óleo queimado e especiarias preenchia o ar enquanto ele passava por fileiras de barracas vendendo armas baratas, artefatos falsificados e saque recente de mundos Cult, que tinham negociado recentemente o transporte de Passageiros à bordo de suas naves.
Em toda parte, ele via insígnias hostis: o Governo Universal, o Clã Du, o Clã Mu, todos voando lado a lado sob o tratado de neutralidade de Wamir, cada um fingindo não notar os espiões dos outros entre eles.
Ele manteve os olhos fixos à frente, o coração batendo steady.
Não havia segurança alguma aqui, não de verdade. Wamir se orgulhava de sua neutralidade, mas MP falava mais alto que a lei, e a recompensa pela sua cabeça valia mais do que a maior parte das pessoas poderia ganhar em mil vidas.
Uma única palavra sussurrada no ouvido errado poderia acabar com sua vida antes do amanhecer, e Veyr sabia muito bem disso.
Não era mais território do Cult. Era um mundo hostil, onde a paz existia não pela moralidade, mas pelo medo e ganância em igual medida.
*Passo*
*Passo*
Ele parou brevemente numa encruzilhada movimentada, onde alguns artistas de rua atraíam uma pequena multidão.
Um deles, um bardo mascarado, cantava uma música sobre a recente queda de Tithia, suas palavras distorcendo a verdade em zombaria ao declarar a “purificação justa” do Cult Maligno, enquanto o público ria, aplaudia e enchiam seu chapéu com cristais de mana e moedas de ouro.
A mão de Veyr se fechou dentro do seu manto, suas unhas se enterrando na palma, até que doeu, mas ele não disse nada. Apenas virou-se e continuou caminhando.
De um Dragão adoradíssimo, que uma vez vagava livremente pelas ruas de pedra dos mundos do núcleo do Cult, ele se tornara agora uma sombra sem nome, outro andarilho engolido por multidões estrangeiras.
E enquanto o vento começava a levantar, puxando as bordas do manto, ele o ajustou mais firme ao redor de si e entrou no ruído e na fumaça da cidade neutra, deixando tudo para trás — tudo o que um dia foi.
A partir de agora, viveria como uma sombra, surgindo somente de tempos em tempos para lembrar seu povo de que também vivia entre eles neste planeta.
Mas além disso, planejava permanecer disfarçado bem fundo, confiando em ninguém.
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Sozinha, em uma taverna sombria que também funcionava como centro de inteligência para negócios clandestinos, dois homens se sentavam na mesa mais afastada, de cabeça baixa e vozes baixíssimas, quase sussurrando.
O mais velho, trajando roupas comuns de comerciante que poderiam pertencer a qualquer um, tocou uma pequena tela holográfica sobre a mesa, cuja luz piscava lentamente na fumaça do ambiente. "O último relatório chegou há menos de uma hora," murmurou. "O Comando Central acredita que o Dragão, Aegon Veyr, pode ter abandonado Ixtal antes do seu inevitável colapso e estar vindo para cá, para Wamir."
O mais jovem, magro e de olhar afiado, parou no meio de um gole. "Aqui? Neste planeta?"
"Sim," respondeu o mais velho calmamente, com o olhar firme. "Nossos contatos em Ixtal o avistaram embarcando num navio com destino a Wamir, portanto, devemos monitorar todas as chegadas e alertar assim que algo suspeito aparecer."
Ele se inclinou mais perto, baixando ainda mais o tom. "E se confirmarmos sua presença com uma prova visual, mesmo uma foto parcial do rosto dele ou uma troca por algo que seja dele, como uma peça de roupa… a recompensa por essa tarefa simples ultrapassa um bilhão de MP."
Os olhos do jovem se arregalaram, a respiração ficou presa por um instante, enquanto a ganância surgia em seu rosto. "Um bilhão… só por informação, você tem certeza?"
O velho espião assentiu, com um sorriso sério e sem humor. "Deolha a sua própria lua. Deixa de trabalhar pra sempre. Mas cuidado. Se o Dragão do Cult Maligno realmente estiver aqui, não somos os únicos atrás dele. Todo assassino, caçador de recompensas e zelote justo deste setor vai logo chegar a este planeta como um bando de abutres."
Do lado de fora, o vento da noite de Wamir uivava pelos telhados de aço, carregando o cheiro de poeira e pólvora, enquanto em meio à multidão, uma figura encapuzada se infiltrava mais profundamente nas sombras.
Nenhum deles sabia ainda, mas sua presa já desembarcara.
E com sua chegada, a frágil neutralidade de Wamir certamente desmoronaria em breve.