Assassino Atemporal

Capítulo 718

Assassino Atemporal

(O Mundo Congelado no Tempo, Ponto de Vista de Dumpy)

Dumpy sentava em silêncio no topo de uma pequena colina, com suas espadas gêmeas ao lado, observando uma vasta clareira de natureza selvagem onde os soldados do Culto trabalhavam sem descanso para transformar caos em ordem.

Abaixo dele, centenas de homens e mulheres labutavam sob um céu cinzento e imóvel, seus gritos eram baixos mas constantes enquanto cortavam tocos persistentes, queimavam raízes que se recusavam a morrer e rolavam troncos caídos para abrir caminho a mais uma porção de terra que um dia abrigaria outra cidade.

No centro da clareira, erguia-se um único Poste de Refinamento, sua estrutura delgada vibrando em intervalos rítmicos, cada pulso liberando ondas invisíveis que flutuavam silenciosamente pelo ar, purgando a mana corrupta ao redor da área.

Os soldados o chamavam de "a torre que respira", pois quando pulsava, o próprio ar parecia suspirar de alívio, como se o mundo finalmente pudesse respirar depois de séculos de sufocamento.

Era dever de Dumpy proteger locais assim há quase um ano, desde sua chegada ao Mundo Congelado no Tempo.

Enquanto outros cuidavam das linhas de abastecimento e ajudavam na construção, sua tarefa era simples: eliminar os monstros que os soldados comuns não conseguiam lutar, pois tinha o papel de 'Músculo Supremo'.

Era uma missão solitária, que deixava tempo demais para pensar.

"Se você estivesse aqui, sentado ao meu lado, provavelmente estaria fumando um cigarro, não é, homem do cigarro?"

Ele murmurou, enquanto lembrava com tristeza de Charles, de quem tinha acabado de saber que havia falecido.

No começo, ignorou os sussurros dos soldados, dizendo a si mesmo que estavam enganados, que Charles certamente não tinha morrido.

Afinal, o homem do cigarro sempre pareceria teimoso demais para morrer. Ele brigava alto demais, lutava com ferocidade, vivia intensamente. Alguém assim não desapareceria de repente.

Porém, à medida que os dias se transformaram em semanas e as semanas em meses, tornou-se impossível negar a realidade.

Charles havia se ido.

E com ele, algo dentro de Dumpy também mudou.

Ele não fazia mais piadas durante as missões ou gargalhava de diversão ao assustar os mais jovens.

Deixou de fingir dormir durante as reuniões ou de se esconder nos acampamentos de suprimentos atrás de comida.

O sapinho infantil que antes ria no caos agora foi silenciado, deixando para trás uma criatura de silêncio, moldada inteiramente pelo dever.

Porém, a vazio que sentia no peito insistia em não desaparecer.

Sentia falta da voz do velho, aquela mistura de irritação e cuidado relutante, do jeito que ele o chamava de preguiçoso, mesmo quando treinava até o corpo tremer.

Senti falta do cheiro de fumaça que permanecia na roupa dele, da autoridade calma que fazia até Leo obedecer sem questionar.

"Você não é humano," Charles tinha dito a ele na última sessão de luta, com tom duro e paciente ao mesmo tempo. "Então pare de lutar como um. Você tem seus próprios poderes. Use-os. Encontre seu ritmo. Salte. Pule. Expanda. Contraia. Solte ácido… É assim que você vence."

Naquela época, essas palavras pareciam um insulto, mais uma das correções intermináveis de Charles. Mas agora, enquanto o silêncio se estendia ao redor, eram tudo o que Restava.

E assim, ele treinava.

Dia após dia, enfrentando monstros retorcidos por mana estagnada por séculos, testando seu corpo, aprimorando seus instintos, moldando-os em um estilo de luta que era só dele.

Com o tempo, seus golpes ficaram mais limpos, seus saltos mais precisos, seu controle absoluto. Aprendeu a transformar seu peso natural em impulso, sua flexibilidade em velocidade, e sua resistência em uma arma que poucas criaturas deste mundo corrompido poderiam suportar.

Pois, embora tenha perdido o homem do cigarro, prometeu nunca perder seu Senhor Pai, que se tornou sua única motivação para ficar mais forte, não importando o quê.


(Mais tarde, no local da clareira, ponto de vista de um soldado comum do Culto)

*Estalo*

*Sussurro*

*Soco forte*

O vento uivava entre as árvores parcialmente derrubadas enquanto uma pequena equipe de soldados do Culto cortava vinhas espessas que se recusavam a morrer, seus botas afundando na terra macia carregada de raízes de mana que brilhavam de leve sob o solo.

"Cuidado por ali," um deles avisou. "Os sensores dizem que ainda há muita corrupção residual perto da crista."

Outro gemeu enquanto enxugava o suor da testa. "Juro, esse lugar é amaldiçoado. Nem dá para cavar um buraco sem o chão tentar nos matar."

"Relaxem," respondeu uma terceira voz, com um sorriso fraco. "O Grande Verde está nesta área. Se aparecer algo monstruoso, nem vamos ter tempo de gritar antes de ele transformar em pasta."

Os outros riram nervosamente.

"Disseram que ele matou três Cerebri de nível Transcendente sozinho semana passada," contou um. "Meteu uma jumpada e acabou com eles."

"Isso não é nada," acrescentou outro. "Meu primo na unidade oeste viu ele cortar uma wyvern toda corrompida ao meio. Disse que o ar até tremeu quando ele aterrissou."

"Haha. Acho que as histórias não mentiram. O Grande Verde é real, e é um monstro de verdade."

Suas risadas se extinguiram de repente quando o chão sob eles tremeu violentamente.

*Ruído de trovão*

*Tríncia forte*

*CRAC!*

A terra se abriu, e de uma fenda gigante surgiu uma criatura serpentina e monstruosa, com quatro braços e escamas que reluziam como óleo sob o céu cinzento.

Seus olhos brilhavam em amarelo, enquanto seu rugido vibrava nos ossos de todos.

"Contatos! Contatos! Deploy de escudos defensivos," gritou um soldado, enquanto o pânico se espalhava como incêndio.

Escudos de mana surgiram, lâminas foram desembainhadas, feitiços começados, mas antes que qualquer ataque pudesse atingir, a besta avançou, sua cauda gigante varreu a clareira e lançou metade da equipe para o ar.

"Não podemos vencer essa coisa, é de nível Transcendente superior!" gritou alguém. "Fé em recuar! RECUE—"

*Explosão!*

Na hora em que os soldados começaram a entrar em pânico, um borrão verde caiu na batalha como um meteoro, o chão tremendo sob seu peso, e até a serpente corrompida pausou seu ataque por um instante, confusa.

"É…?"

Começou um soldado do Culto, as palavras morrendo na garganta ao ver Dumpy sair com suas duas lâminas na mão, seu corpo uma imensa estrutura de cinquenta pés de altura.

"É O GRANDE VERDE!"

"PESSOAL, ESTAMOS SALVOS! LORD GRANDE VERDE CHEGOU!"

Eles gritaram, enquanto Dumpy ficava entre eles e a serpente, sua figura imensa envolta em leves vestígios de vapor que se espalhavam como energia líquida.

*SWOOSH*

Sem uma palavra, Dumpy saltou para a frente, suas espadas gêmeas cortando a pele da serpente como se fosse uma pele resistente.

*SING*

*ESFREGA*

*BANG*

Em apenas dois golpes, os braços do monstro foram arrancados, e no ataque seguinte, sua cabeça se foi — o cadáver caiu com estrondo retumbante, levantando poeira que se espalhou ao redor como neblina.

Por um longo momento, ninguém se mexeu.

Depois, os soldados começaram a respirar novamente, sua admiração se transformando em sussurros silenciosos.

"Ele conseguiu! O Grande Verde salvou a gente de novo…" murmurou um, tremendo na voz.

"Lord Grande Verde," disse outro suavemente, com os olhos arregalados de reverência. "O anjo da guarda da fronteira."

Porém, Dumpy não ficou para receber admiração.

Simplesmente limpou o sangue das lâminas, colocou-as nas costas e saltou em direção ao horizonte, deixando os soldados agradecidos para trás, alimentando ainda mais sua lenda.

A lenda do Sapo Verde Gigante!

O Guardião mais forte do Culto!

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