
Capítulo 719
Assassino Atemporal
(7 dias após a queda de Juxta, Planeta Tithia, P.V. de Veyr)
A atmosfera dentro da Câmara Civil de Tithia era pesada e silenciosa, uma quietude que pesava sobre todas as almas presentes.
A câmara alta, de paredes de pedra, que outrora vibrava com debates e decisões, agora parecia uma tumba, preenchida apenas com o som de respirações agitadas e corações ansiosos.
Veyr estava sentado na cabeceira da longa mesa, seus olhos negros refletindo a pouca luz dos lampiões de mana acima, enquanto ao seu redor permaneciam os anciãos locais de Tithia, aqueles que ainda não haviam sido evacuados, pois não haviam caído na fase um da evacuação liderada por Leo.
Porém, enquanto permaneciam, metade da população do planeta já tinha partido, seja sendo transportada com sucesso para o Mundo Congelado no Tempo ou fugindo para territórios neutros com o pouco dinheiro que possuíam.
Mesmo assim, bilhões ainda permaneciam.
Bilhões que olhavam para Veyr em busca de salvação, embora soubessem em seus corações que ele não poderia salvar todos.
*Tchik**
Naquele momento, a porta do salão se abriu com rangido, à medida que o escoteiro chegava com o tão esperado relatório das regiões fronteiriças.
"Meu Senhor," falou baixinho, sua voz tremendo apesar de tentar manter a compostura, "sinto informar que os planetas Koral e Vorthas também caíram diante da Frota Justa, tornando-se as próximas vítimas após Nemo, Merdith e Rayon."
As palavras cortaram a sala como uma guilhotina derrubando um pescoço.
De um lado, todos sabiam que isso era algo que havia de acontecer, mas ouvi-lo sendo confirmado ainda deixava um gosto amargo na boca.
"Nossas forças remanescentes lutaram bravamente," continuou o escoteiro, abaixando o olhar. "Mas, ao final, só conseguiram resistir por algumas horas antes de serem completamente destruídas."
Ele falou, enquanto um silêncio quase absoluto tomava conta do ambiente.
Aquele silêncio que grita mais alto que qualquer som.
Veyr fechou os olhos por um instante, controlando a tormenta que se formava dentro de si, antes de perguntar calmamente, "Quantos morreram?"
O escoteiro hesitou, engolindo em seco antes de responder.
"Eles destruíram Koral completamente, meu Senhor. Assim como Juxta. Talvez não tenham visto valor econômico naquilo… e, por isso, todos os membros do Cult que ainda permaneciam foram exterminados."
Ele fez uma pausa, sua voz vacilando enquanto as próximas palavras saíam de seus lábios.
"Já Vorthas… estima-se que cerca de duzentos milhões tenham morrido, e outros quinhentos milhões foram feitos prisioneiros."
Por um longo momento, ninguém falou nada. O crepitar dos lampiões ecoava pelo salão, fraco e estranho enquanto os dedos de Veyr se arquearam firmemente na borda da mesa, os nós das mãos brancos, a mandíbula cerrada enquanto tentava conter a onda de raiva que crescia no peito.
Agora, dois mundos do Cult sumiram para sempre desde o início dessa nova onda de ataques.
E com eles, bilhões de vidas civis foram perdidas.
*Suspiro~*
Ele exalou lentamente, sua voz sem emoção, mas carregada de quieta desolação. "Nesse ritmo, Tithia vai cair em quatro dias… e Ixtal, em seis."
As palavras pairaram no ar como uma sentença de morte.
Todos sabiam disso.
As frotas de evacuação trabalhavam dia e noite, mas os números não mentiam. Mesmo que tudo fosse perfeito, eles conseguiria salvar, no máximo, setenta e cinco por cento da população, mas isso era apenas uma estimativa teórica.
Na prática, ficaria mais próximo de setenta por cento, enquanto o restante seria deixado para queimar.
"Setenta por cento…" murmurou Veyr, com a voz baixa, quase um sussurro. "Mesmo dando tudo de mim, trinta por cento das nossas pessoas vão morrer. Trinta por cento da nossa fé, nossa linhagem, nossa cultura… sumirão."
Os anciãos trocaram olhares, expressões sérias, mas não derrotadas.
Um deles, um velho com uma cicatriz na testa, inclinou-se para a frente e falou primeiro.
"Não carregue esse peso sozinho, Senhor Dragão. Já vi muitas luas passar e não temo mais a morte. Ficarei para lutar contra esses cães do Righteous até o último suspiro."
Outra anciã ergueu-se, com as costas levemente curvadas, mas a voz firme.
"Assim farei também, meu Senhor. Não podemos salvar todos, essa é a verdade da guerra. Mas se nossas mortes puderem comprar um pouco mais de tempo para os que estão se evacuando, morremos de bom grado."
Veyr olhou para eles, seu rosto dividido entre o conflito e a determinação. Parte de si queria ordená-los a fugir, a correr, a viver. Mas sabia que não podia. A evacuação precisava de tempo, e esse tempo tinha que ser conquistado com coragem, não apenas com estratégia.
"Sua lealdade…" começou calmamente, "…não é algo que eu mereça."
"Você está enganado, meu Senhor," a mais velha deles interrompeu com suavidade. "Enquanto a maior parte do nosso povo sobreviver, e enquanto o Dragão ainda respira, sempre haverá esperança para a próxima geração."
Os olhos de Veyr piscaram, refletindo a tristeza na ténue luz que iluminava seu interior.
A anciã continuou, a voz trêmula, mas firme.
"Meu pai dizia que um verdadeiro líder não é aquele que salva todo mundo, mas aquele que garante que o fogo de seu povo nunca se apague. Você é esse fogo agora, Senhor Veyr. Então nos conduza como o faria Lord Soron, se estivesse aqui. E não vacilaremos."
Um por um, os outros assentiram, seus rostos sêrios, mas cheios de uma fé inabalável.
Veyr abaixou a cabeça levemente, seus longos cabelos pretos caindo sobre os olhos enquanto sussurrava: "Então eu agradeço pelo sacrifício voluntário de vocês… Prometo nunca esquecer disso enquanto viver."
Ele se levantou lentamente, uma tênue luz dourada envolvendo sua figura, e fez uma reverência profunda a cada homem presente naquele salão, que se ofereceu para ficar para trás.
Se ainda tinha dúvidas sobre a coragem necessária para fazer o Cult ressurgir das cinzas, agora elas estavam dissipadas.
Apesar do peso que sentia, ao ver o apoio dos civis, mesmo arriscando suas vidas, ele foi lembrado mais uma vez do que significa ser Dragão.
"Envie recado a todos os oficiais remanescentes," ordenou. "Acelere a evacuação. Use todas as naves, todas as rotas, cada pedaço de MP que tivermos, mas salve o máximo de pessoas possível."
"Sim, meu Senhor," respondeu o escoteiro, fazendo uma reverência profunda antes de sair rapidamente do salão.