
Capítulo 681
Assassino Atemporal
O Sexto Sentido era mais do que uma técnica que poderia ser aplicada na batalha.
Era uma habilidade de sobrevivência abrangente que alertava sobre qualquer tipo de perigo, como demonstrado pela capacidade do Primeiro Ancião de saber qual copo estava envenenado e qual não estava.
Portanto, enquanto Leo ainda tinha o domínio de sua aura para confiar em combates, podendo antecipar intenções antes que um ataque chegasse, o [Sexto Sentido] oferecia um tipo de proteção diferente, que ia além do campo de batalha.
Era uma salvaguarda que podia avisá-lo até mesmo durante o sono ou em momentos em que sua guarda estivesse baixada, tornando quase impossível para um inimigo se aproximar sorrateiramente, e nesse sentido, era uma habilidade tão prática quanto essencial.
"Para dominar essa habilidade, você precisa aprender a aprimorar seus instintos além do que é comum.
Todo mundo, seja um recém-nascido ou um idoso à beira da morte, possui algum tipo de instinto de sobrevivência, mas essa técnica refina esse senso primal ao seu limite absoluto.
Entretanto, o caminho para aprendê-la não é nada fácil," continuou o Primeiro Ancião, um sorriso de orgulho surgindo nos lábios.
"A razão pela qual apenas o Culto consegue transmitir essa técnica é porque só nossos alquimistas conhecem o segredo por trás da poção que chamamos de Poção de Potencialização do Instinto.
Uma vez ingerida, ela força seus instintos de sobrevivência ao máximo, levando-os ao auge, submetendo você a episódios de paranoia extrema e estresse mental, fazendo sua mente acreditar que o perigo está em cada esquina, enganando você ao fazer parecer que a própria morte está à espreita.
Claro que você realmente não estará em perigo, mas seu objetivo será confrontar essas ilusões de frente, vencer o medo enquanto mantém os benefícios desse estado—seja percebendo qual frasco está envenenado ou prevendo a direção de um ataque antes mesmo dele acontecer.
Durante esse processo, você pode ter alucinações, perder o contato com a realidade e haverá momentos em que não conseguirá distinguir ameaças reais de falsas.
No entanto, se você perseverar, se resistir sob minha orientação, chegará a dominá-la, e com o tempo o [Sexto Sentido] se instalará em você como uma habilidade passiva, que nunca mais irá abandoná-lo, independentemente do campo de batalha."
O Primeiro Ancião declarou, enquanto Leo e Veyr trocavam olhares nervosos, cada um silenciosamente ponderando o preço do que estava por vir.
"Agora então, antes de começarmos, há uma questão de preparação," disse o Primeiro Ancião, sua voz desacelerando para um tom mais calmo, porém muito mais sério, ao acenar para seu assistente.
*Clink*
*Clink*
De uma pequena caixa laqueada, o assistente retirou dois pares de algemas de prata, cujas superfícies estavam cobertas por ricas runas que pulsavam suavemente com um brilho violeta opaco.
"Estas," prosseguiu o Primeiro Ancião, dando um passo à frente como se apreciasse a tensão que agora pairava na arena de treinamento, "são as algemas mais poderosas de restrição de força do Culto. Assim que você as colocar, não poderá canalizar mana ou força além do nível mais básico. Seus corpos ainda funcionarão, seus músculos ainda se moverão, mas você será reduzido a um nível equivalente ao de um aprendiz."
Ele fez uma pausa, deixando as palavras se estabelecerem, enquanto seus olhos se moviam entre Leo e Veyr, quase zombando da força arduamente adquirida ao longo dos anos.
"Você vê, instinto verdadeiro não é algo que se aprimora com o poder em mãos. Ele precisa ser despido, testado na sua essência, e só quando sua força estiver acorrentada seu cérebro e espírito serão forçados a afiar sua lâmina. Caso contrário, você nunca aprenderá a distinguir o instinto do ruído de suas próprias habilidades."
Justificou, enquanto Veyr engolia um gole de saliva nervoso.
"Algemas, hein?" murmurou, com um sorriso habitual apagando-se para algo mais contido, embora sem resistência, pegando o par com a mesma prontidão de Leo também.
"Muito bem," disse o Primeiro Ancião, satisfeito, gesticulando para que o assistente trouxesse os próximos itens.
Antes deles foram colocados dois frascos de cristal, cada um contendo um líquido laranja cintilante que não parecia diferente de suco de manga.
Porém, assim que o assistente desarrolhou os frascos, o mais leve cheiro da mistura fez o estômago de Leo se apertar, o aroma pungente porém estranho doce, suficiente para deixá-lo alerta antes mesmo de levantar o frasco.
"Esta é a Poção de Potencialização do Instinto," explicou o Ancião. "Depois de beber, seus instintos latentes vão despertar, mas de forma violenta. Sua mente entrará em paranoia, seu coração baterá forte como se inimigos estivessem ao seu redor, e cada sombra parecerá carregar uma lâmina. Mas lembre-se, isso é uma ilusão. Não há perigo real, mas seu corpo reagirá como se existisse. O que você precisa aprender é a equilibrar nesse fio de navalha—abraçar a consciência aguçada sem se perder na loucura."
Leo trocou um último olhar com Veyr, ambos silenciosos, conscientes de que hesitar aqui não tinha espaço.
"Vai lá, primo," murmurou Veyr enquanto segurava o frasco e o bebia de um gole só.
Leo seguiu, a líquido queimando como fogo na garganta, espalhando-se pelo peito com calor anormal.
No começo, nada.
Depois—
*Bum*
*Bum-bum*
Seu coração começou a acelerar, mais e mais rápido, quase tentando romper suas costelas, e de repente a arena ao seu redor deixou de parecer silenciosa.
As paredes pareciam mais próximas, as sombras mais escuras, o brilho das tochas se distorcia em movimentos no limite da visão.
'Tem alguém atrás de mim.'
O pensamento veio sem querer, afiado como uma faca, e o corpo de Leo se tensionou antes que sua razão pudesse argumentar de outra forma.
Ele girou, apenas para não encontrar nada, mas a convicção de que estava sendo observado não desapareceu.
Do outro lado, Veyr já respirava com dificuldade, a mão tremendo na direção do lado onde normalmente descansava sua lâmina, os olhos vasculhando cada canto como se esperasse uma emboscada a qualquer momento.
"Não resista à paranoia," a voz do Primeiro Ancião cortou o nevoeiro, firme e calma. "Sinta ela, deixe que invada seus sentidos, deixe seu corpo tremer se precisar, mas não se deixe afogar. Concentre-se, e pergunte-se o que há por trás do medo. A verdade está enterrada aí."
*Passo*
*Passo,
O som suave de passos ecoou na mente de Leo, apesar de o assistente e o Ancião não terem se mexido nem um centímetro.
Sua respiração ficou superficial, seus olhos fixaram-se na esquina de onde vinha o som, convencido de que uma lâmina surgiria das trevas a qualquer momento.
Seus instintos gritaram: perigo! perigo! perigo!
Mas quando nada veio, quando o silêncio permaneceu, ele rangeu os dentes, percebendo que a poção estava distorcendo seus sentidos, ampliando cada sussurro de desconforto numa tempestade de terror.
"Droga… Droga!"
Veyr soltou uma maldição baixa, suor escorrendo pela testa enquanto os olhos se dilatavam como se pudesse ver coisas que ninguém mais via.
"Tem... tem veneno no ar. Posso sentir. Está me sufocando—Seu filho da mãe, quer me matar e ao Primo enquanto estamos tendo alucinações, não é?"
Você é um safado...
Disse ele, enquanto o Primeiro Ancião simplesmente ria de suas palavras, sem se dar ao trabalho de reconhecer ou negar o que ele sentia naquele momento, deixando que ele tire suas próprias conclusões.