Assassino Atemporal

Capítulo 680

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, ponto de vista de Leo)

Depois de concluir sua reunião com Chaosbringer, Leo seguiu direto para Tithia, pois era lá que ele deveria se apresentar para a próxima rodada de treinamento de habilidades, desta vez sob orientação direta do Primeiro Ancião.

Até então, ele tinha aprendido habilidades dos Anciões Décimo Segundo, Décimo Primeiro, Décimo, Nono, Quarto e Segundo.

Com a habilidade do Primeiro Ancião sendo a sétima do grupo.

'Será que o Primeiro Ancião vai nos ensinar alguma coisa interessante?' Leo pensou, enquanto se dirigia aos campos de treinamento de Tithia, onde Veyr já o aguardava.

"E aí, primo… E aí?" Veyr disse, dando um aperto de mão em Leo e analisando-o com um sorriso, visivelmente revitalizado comparado a quando voltara da guerra.

*Passo*

*Passo*

Logo depois, chegou o Primeiro Ancião, trajando robes brancos que arrastavam pelo chão, caminhando lentamente com passo deliberado. Seu rosto carregava aquela expressão de alegria artificial, que parecia menos calorosa e mais como a máscara polida de um político querendo agradar a todos.

"Ah, não é que vêm aqui o Dragão das Sombras e o próprio Dragão… que privilégio recebê-los hoje," cumprimentou o Primeiro Ancião, com tom radiante, quase falso, enquanto seus olhos permaneciam por um instante excessivamente longos em Leo antes de se desviarem para Veyr.

Leo não respondeu, apenas estreitou um pouco os olhos, enquanto Veyr assentia suavemente, e o Primeiro Ancião, percebendo a recepção tímida, seguiu em frente sem pausas.

"Hoje vocês vão conhecer um dos segredos mais bem guardados da Seita, uma habilidade que já salvou a vida de Dragões mais vezes do que qualquer espada ou escudo poderia garantir. Hoje, vou ensinar uma técnica incomparável chamada [Sexto Sentido]."

Ele fez uma pausa, deixando o nome no ar, como se sua simples menção fosse suficiente para despertar reverência. Leo apenas inclinou a cabeça levemente, curioso, mas pouco impressionado, enquanto Veyr se inclinava para frente, com olhos brilhando de interesse, esperando por mais detalhes.

"O [Sexto Sentido]," continuou o Primeiro Ancião, cruzando as mãos atrás das costas enquanto começava a caminhar em volta do campo de treinamento, "é o instinto aguçado até a certeza.

É um sussurro de sobrevivência que atravessa toda mentira e não deixa espaço para hesitação.

Em outras palavras, é o sistema de alerta supremo que avisa seu usuário do perigo antes mesmo de ele realmente chegar."

Ele explicou, antes de estalar os dedos de forma brusca, enquanto de um lado um assistente se aproximava apressado com uma mesa de madeira, coberta por objetos cuidadosamente arrumados e envoltos em tecido.

"Agora, prestem atenção, pois palavras não conseguem captar realmente o que essa habilidade significa."

Disse, enquanto, do monte de objetos, ele puxava um capacete opaco pesado, grosso o bastante para impedir a passagem de qualquer luz pelas estreitas frestas.

"Isto," explicou, deslizando o capacete sobre a cabeça, "bloqueia toda visão e som. Uma vez colocado, fico cego e surdo."

"Estou colocando isso apenas para demonstração, pois o restante será explicado pelo meu assistente…"

Disse o Primeiro Ancião, ao prender o capacete, sua voz tornando-se inaudível agora.

O assistente então avançou novamente, trazendo uma par de manilhas de prata polida, gravadas com runas de escravidão, que encaixou com um clique suave nos pulsos do Ancião, cuja luz tênue confirmava o que Leo já intuía — que se tratava de manilhas de supressão de mana, garantindo que o ancião não pudesse usar qualquer técnica perceptiva baseada em mana.

"Conforme instruções do Primeiro Ancião, Lorde Dragão e Lorde Dragão das Sombras, vocês podem pegar três punhais cada e ficar a cinquenta metros de distância de onde ele está agora.

Uma vez nessa distância, podem lançar esses punhais a qualquer momento, com qualquer velocidade e em qualquer trajetória.

No entanto, por segurança, evitem atacar seus pontos vitais."

Instruíram, enquanto Leo trocava um olhar rápido com Veyr, que sorriu com aquele brilho de competição que sempre lhe vinha naturalmente.

Sem dizer uma palavra, os dois recuaram até a distância marcada, suas mãos se fechando ao redor das empunhaduras dos punhais enquanto se preparavam.

"Preparados?" Veyr chamou, girando seu punhal uma vez antes de virá-lo para agarrar a lâmina e deixar a extremidade opaca livre.

"Preparado," respondeu Leo, com o braço já armado para o lançamento.

*Whoosh*

O primeiro punhal cortou o ar, seguido quase imediatamente pelo segundo, os projéteis gêmeos assobiando velozes enquanto voavam em direção ao Ancião vendado.

Porém, na última fração de segundo, o Ancião inclinou a cabeça o suficiente para o primeiro punhal passar a centímetros de sua cabeça, enquanto seu corpo se torcia com uma precisão fluida para fazer o segundo passar apenas pelo ar.

"Ah?" Leo murmurou, com os olhos estreitando-se, enquanto Veyr soltava um apurado assobio de admiração.

Eles tentaram novamente, agora alternando seus arremessos para atingir de ângulos diferentes, mas mais uma vez o Ancião se movimentou com graça inacreditável, entrelaçando-se entre seus ataques como se fosse guiado não pelos olhos ou ouvidos, mas por algo mais profundo, algo primal.

Mesmo quando Leo lançou seu último punhal com uma finta enganosa, curvando o disparo com uma faísca de mana, o homem ainda conseguiu evitá-lo no último instante, com movimentos trêmulos, mas precisos, como uma marionete dançando ao som de cordas que só ele podia sentir.

*Thud*

*Thud*

Os punhais caíram ao chão atrás dele, todos inofensivos.

"Como vocês viram," explicou o assistente com calma, sua voz reverberando pela sala de treinamento, "O Primeiro Ancião não precisa de visão, som ou mana para saber onde está o perigo. A habilidade avisa a ele. Diz quando a ameaça se aproxima, e seu corpo reage antes mesmo do pensamento procurar por uma resposta."

Os olhos de Veyr brilhavam de admiração, enquanto Leo manteve uma expressão neutra, embora, internamente, reconhecesse o valor do que acabara de testemunhar.

Porém, o Ancião ainda não tinha terminado. Ele fez um movimento com as palmas das mãos, sinalizando ao assistente que podia iniciar a segunda parte.

"Vou fazer agora mesmo…"

O assistente sussurrou para si, apressando-se com uma bandeja de dez taças de água, suas superfícies tremendo levemente ao colocá-las na mesa.

*Thud*

Depois de colocar a bandeja, trouxe uma ampola de vidro das mangas, cheia de um líquido transparente, e entregou a Leo.

"Lorde Dragão das Sombras, você pode colocar o veneno na xícara que preferir. Misture, troque, faça o que desejar. Torne ao máximo difícil de descobrir."

Instruiu, enquanto Leo olhava para Veyr, que encolheu os ombros com um sorriso descontraído, e juntos abriram o vidro, despejando o conteúdo em uma das taças, trocando suas posições ao redor da bandeja várias vezes até que um não conseguisse mais identificar facilmente qual taça continha o perigo.

Satisfeito, Leo assentiu, e o assistente colocou a bandeja na frente do Ancião, que, ainda de olhos vendados e amarrado, estendeu as mãos para tocar suavemente as taças.

Ele parou em uma delas, seus dedos pairando quase por um momento além do usual antes de se afastarem. Tocou as duas seguintes rapidamente, depois retornou à primeira, como se algo dentro dele estivesse soando um alarme.

"*Toque* *Toque* *Toque"

Ele bateu três vezes para sinalizar sua escolha, enquanto o assistente pegava a taça, cheirando-a cuidadosamente antes de se curvar em confirmação.

"Correto, essa é mesmo a taça com veneno."

Confirmou, enquanto Leo exalava lentamente, com os olhos cerrados em reflexão, e Veyr aplaudia com entusiasmo juvenil.

"Cara, isso é insano. Ele não conseguiu ver, ouvir, usar mana, e ainda assim descobriu," disse Veyr, com um sorriso largo, parecendo ter acabado de presenciar um milagre.

*Remover*

Neste momento, o assistente desamarrava o Primeiro Ancião, que então ergueu o capacete, sua cabeça úmida de suor, mas com uma expressão vitoriosa, como se quisesse lembrá-los de que possuía um dos segredos mais importantes da Seita.

"Essa é a técnica lendária [Sexto Sentido]," disse, com tom confiante agora. "Não é uma arma de matar, nem uma habilidade para se exibir. É a sobrevivência em sua forma mais pura, a habilidade de suportar quando tudo mais falha. Aprendam bem, pois sem ela, nenhum Dragão vive tempo suficiente para carregar o peso do destino."

O Primeiro Ancião alertou, enquanto Leo permanecia em silêncio, com o olhar fixo, absorvendo as palavras.

Ele já sentia o quanto essa habilidade significaria para ele, não só como guerreiro, mas como alvo de inúmeras tentativas de assassinato. Ter uma habilidade dessas em seu arsenal certamente aumentaria suas chances de sobrevivência de forma significativa.

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