
Capítulo 682
Assassino Atemporal
(Planeta Tithia, arena de treinamento particular do Primeiro Ancião)
"Porra, porra, porra— ele está tentando nos matar! Cunhado, o Ancião sádico quer nos matar."
Veyr falou, com a baba escorrendo pelo queixo, enquanto balançava as mãos acorrentadas na direção do Primeiro Ancião, que se abaixou para evitar o ataque fraco.
*Atordoamento*
* Tropeço*
Atordoado e cambaleando ao chão, Veyr rapidamente girou para evitar que fosse atingido, enquanto tinha a ilusão de alguém jogando uma adaga contra ele, quando na verdade ninguém estava lá.
"Cadê? Cadê a adaga que você jogou em mim, covarde sem vergonha?"
Eu ouvi ela batendo no chão… Eu ouvi…" — murmurou Veyr, esforçando-se ao máximo para encontrar a adaga imaginária, mas, naturalmente, sem sucesso.
Enquanto isso, Leo permanecia imóvel, com o rosto contorcido, sentindo-se sugado para uma visão semelhante a um Sonho de Fantasma, mais parecida com uma profecia do que com um evento do passado.
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*GOLPEES*
*Som de fogo crepitando*
*Estilhaços explodindo pelo céu*
A primeira visão que surgiu diante dos olhos de Leo foi de Juxta destruída, o céu do planeta uma vez vibrante agora preto de fumaça, enquanto os destruidores da Facção Justa pairavam acima como abutres rondando carniça, seus canhões cuspindo fogo incessante, violando claramente as Regras Universais de Guerra.
*Estouro*
*Estouro*
"O que vocês, psicopatas, estão fazendo? São civis inocentes…."
Leo cochichou internamente, vendo os destruidores da Facção Justa pulverizando assentamentos civis inteiros, com o objetivo não de conquistar o planeta, mas de erradicar cada último lobista do Culto, seja cidadão ou soldado.
*KABOOM*
*Tremor*
*Grito*
A terra tremeu enquanto bombas de mana maiores caíam do céu, fazendo blocos inteiros de prédios se rasgarem e desmoronarem em segundos, a cidade toda coberta por um coro incessante de gritos que não parava, só aumentava de volume enquanto mais vidas eram exterminadas.
Por onde quer que olhasse, Leo só via horror— ruas cheias de membros decepados, rostos de crianças congelados de terror, enquanto as chamas das bombas de mana consumiam tudo em volta.
O cheiro de carne queimada invadia suas narinas, grosso e sufocante, enquanto os cadáveres destroçados de homens e mulheres que ele já tinha visto na enfermaria ou no mercado, rindo, agora estavam espalhados pelo solo carbonizado como peças grotescas, sua fé no Dragão recompensada não com salvação, mas com destruição total.
Não era um campo de batalha, mas um cemitério pintado com fogo e tristeza — uma visão tão crua e impiedosa que Leo sentiu o peito se apertar com o peso insuportável, pois aqui não havia honra na morte, apenas o massacre sem sentido de inocentes que, até seu último suspiro, acreditaram que o Dragão ou o Dragão Sombrio os protegeriam.
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Antes que Leo pudesse até mesmo recuperar o fôlego após a horrenda primeira visão, o mundo girou violentamente e ele foi lançado de cabeça para outra, onde se via preso em uma discussão acalorada com Veyr, suas vozes se chocando ao fundo de uma destruição iminente.
"Por que você não entende, primo… se ficar, você vai morrer! Não podemos vencer essa batalha, não hoje. Você precisa correr, temos que desaparecer, esperar nas sombras até estarmos fortes o suficiente para enfrentá-los!"
Leo na visão gritou, a voz trêmula de desespero, refletida em seus olhos, cada palavra carregando o medo puro de alguém que já vislumbrou a certeza da morte. Ele tentou puxar Veyr como se quisesse arrastá-lo à força, mas o Dragão, tão teimoso quanto as montanhas, permaneceu imóvel.
"Você foge, cunhado", disse Veyr firmemente, com o queixo firme, o olhar queimando com uma resistência que parecia gravada até os ossos. "Você é o Dragão Sombrio, pode viver, pode vingar a todos nós. Mas eu? Não vou fugir. Vou ficar. Vou lutar. O Dragão não abandonará o Culto. Vou retribuir a fé que depositaram em mim, mesmo que seja a última coisa que eu faça."
Suas palavras foram como ferro, inflexíveis e definitivas, ao empurrar Leo para trás com as mãos, sua recusa tão final quanto uma lâmina cravada na terra. Antes que Leo pudesse resistir, antes que pudesse implorar mais, a visão se quebrou ao redor dele mais uma vez, o cenário se despedaçando em algo novo e cruel.
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Na sua última visão, o mundo se contorceu mais uma vez, a fumaça e o fogo se dissolvendo em silêncio enquanto ele se encontrava de pé em um campo árido, onde o chão era escuro e rachado, com uma fileira de sepulturas se estendendo diante dele, cada uma marcada com um nome que dilacerava seu peito.
Aqui jaz Amanda Skyshard.
Aqui jaz Soron.
Aqui jaz Aegon Veyr.
Aqui jaz Charles.
Aqui jaz Elena Skyshard.
Aqui jaz Jacob Skyshard.
Aqui jaz Luke Skyshard.
Aqui jaz Alia Skyshard.
Aqui jaz Valiant Dumpy.
Os nomes se misturaram na visão dele como se o próprio universo zombasse dele com a perda, e no centro de tudo estava não o Leo de agora, mas uma versão mais velha e cansada, com barba grisalha, olhos vazios, como se tudo que o mantinha vivo tivesse sido arrancado.
Ao lado desse velho, estava Ben Faulkner, ou melhor, o que restava dele: o corpo do robô, retorcido e destruído, fios faiscando de onde os membros tinham sido arrancados, mas seu único olho funcional brilhava fracamente enquanto mantinha vigília ao lado das sepulturas, como o último companheiro de um homem que já tinha perdido tudo.
E então, enquanto a visão tremia à beira do colapso, a cabeça de Ben se virou, seu olhar não mais no Leo mais velho que permanecia diante das sepulturas, mas no próprio Leo que assistia de dentro da visão, seu corpo quebrado se erguendo lentamente como se fosse entregar uma verdade que não podia ser negada.
"No final, você sempre esteve destinado a caminhar sozinho…"
A voz dele soava metálica, pesada, como um sino final, enquanto com essas palavras a visão se fechava abruptamente, deixando Leo lidar com o peso dessas palavras em silêncio.