
Capítulo 672
Assassino Atemporal
(Planeta Tithia, Bairro da Fábrica)
O ar dentro do Bairro da Fábrica estava carregado de fumaça, calor e o ritmo marcado pelos martelos batendo contra metais, mas para Amanda parecia uma verdadeira festa.
Seus olhos brilhavam de admiração, a voz transbordando de empolgação enquanto ela se movimentava de um lado ao outro da rua movimentada, puxando o braço de Leo como se fosse explodir se não compartilhasse o que via.
"Olha, Leo! Aquilo é um estabilizador de caldeira de mana— meu Deus, você sabe quanto esses itens custam? São usados para derreter ligas que forjas comuns nem arranham!" ela exclamou, apontando para o enorme caldeirão gravado com runas, que brilhava em branco-quente no centro.
Antes que Leo pudesse responder, ela virou-se para o outro lado, seu olhar caindo sobre uma prateleira de ferramentas reluzentes que cintilavam levemente com mana. "E aquelas são martelos de compressão! Eles podem dobrar a rede de mana de um metal sem quebrá-la—você tem noção do quanto isso é revolucionário? Eu só li sobre eles em livros, e eles realmente têm aqui!"
Sua voz transbordava entusiasmo, carregando pelo barulho dos fornos aquecidos, enquanto Leo não podia deixar de sorrir discretamente ao caminhar ao lado dela, ouvindo-a compartilhar sua admiração como uma criança ao ver fogos de artifício pela primeira vez.
Porém, enquanto a atenção de Amanda era consumida por cada máquina e aparato que passavam, Leo percebeu algo mais.
Cada ferreiro que cruzava, independentemente de estar sujo de fuligem ou encharcado de suor, parava para saudá-lo.
Alguns limpavam a testa com as mãos cobertas de fuligem antes de fazer uma reverência profunda. Outros se levantavam de seus bigornas para sussurrar palavras de respeito.
"Parabéns pela sua vitória, Senhor Dragão Sombrio."
"Obrigado pelo Nemo, meu Senhor."
"Seja bem-vindo de volta, Meu Senhor."
O respeito nos olhos deles era firme, a reverência silenciosa, mas sincera. Leo recebia cada cumprimento com um pequeno aceno, seu passo nunca vacilando.
Por fim, os dois chegaram aos enormes portões da forja privada de Argo, que parecia gigante comparado às outras forjas ao redor e emitia um calor incomparavelmente mais intenso.
"Nossa, isso é chama de um espírito flamejante de nível seis ou superior. Como alguém conseguiu domar algo assim?"
Ela murmurou, maravilhada, enquanto ela e Leo entravam na forja, sua presença instantaneamente perturbando o ritmo dos aprendizes que trabalhavam lá dentro.
"Nossa, que honra inesperada, Senhor Dragão Sombrio."
A voz retumbante de Argo ecoou pelo salão assim que seus olhos encontraram Leo, enquanto ele deixava de lado o martelo colossal em suas mãos e abandonava o projeto inacabado sobre seu bigorna sem hesitar, cumprimentando o Dragão Sombrio do Culto com respeito devido.
"Mal posso acreditar que veio pessoalmente. Basta ter me chamado, e eu teria ido até você."
Disse, caminhando na direção de Leo, parando a poucos passos dele.
"Meu Senhor, obrigado pelo que fez por Nemo. O Bairro da Fábrica sofre há muito tempo com a escassez de pedras de mana de alta qualidade… mas graças à sua vitória, esse problema logo será coisa do passado."
Ele fez uma reverência, e Leo retribuiu com um aceno profundo, seu tom calmo, mas sincero.
"E obrigado, Mestre Argo, pelos escudos de mana que criou para nossos jatos. Sem eles, essa vitória teria sido impossível."
Leo falou, enquanto ambos se endireitavam e apertavam as mãos com força, a troca de gestos carregada de respeito mútuo.
*Aplaudem*
"Esta é minha namorada, Amanda," Leo apresentou, seu tom suavizando enquanto a puxava para perto.
"Ela é ferreira também, e está trabalhando num projeto que poderia se beneficiar da sua expertise.
Se puder dedicar alguns minutos hoje, ficaríamos muito gratos."
Leo pediu, enquanto Argo levantava uma sobrancelha e direcionava o olhar para Amanda, que parecia, na opinião dele, demasiado magra para ser uma ferreira experiente.
"Eu– Eu–" Amanda gaguejou, claramente intimidada pelo olhar do ferreiro mais velho à sua frente, enquanto pegava seu enorme coração de mana de dentro de seu anel de armazenamento e o apresentava sem dizer uma palavra.
"Este dispositivo… não consigo torná-lo menor… Mas o Leo precisa que seja do tamanho de um amuleto…"
Ela disse timidamente, enquanto Argo pegava o coração de mana como se fosse leve de verdade e começava a inspecionar sua engenharia.
Primeiro, virou o dispositivo com suas mãos calejadas, as sobrancelhas grossas franzidas ao examinar as inscrições rúnicas, depois abriu um painel para estudar a rede interna de filtros; imediatamente, seus olhos aguçados detectaram o brilho de hastes de cobre-irídio, alinhadas de uma forma nada convencional, e seus lábios se abriram surpresos.
"Hastes de cobre-irídio… como filtros? Genial. Essa liga costuma ser instável para a exposição contínua a mana. Mas você a temperou perfeitamente para purificação. E esse núcleo de energia—por que o projetou com um conduíte triplo, ao invés de um único?"
Amanda piscou, surpresa com a franqueza da pergunta, mas logo se recompôs, sua ansiedade se transformando em foco enquanto explicava com clareza que desmentia sua aparência jovem.
"Porque um único conduíte causa turbulência de mana em volumes maiores. Dividindo em três pequenos fluxos, eu reduzo a pressão em cada canal, o que diminui o risco de erosão dos cristais.
As hastes de cobre-irídio são instáveis se têm que absorver toda a turbulência de uma só vez… mas, se o fluxo for distribuído uniformemente, a instabilidade se cancela. Não é perfeito, mas estabiliza o suficiente para limpar mana impura sem destruir as hastes."
O queixo pesado de Argo se soltou enquanto ele olhava para ela, genuinamente impressionado. Lentamente, colocou o dispositivo no chão com reverência, como se fosse uma relíquia, e então olhou de Amanda a Leo.
"Senhor…", ele falou, sua voz profunda carregando uma admiração rara, "sua esposa talvez seja uma das melhores inventoras de nossa época. A maioria dos meus aprendizes não consegue chegar nem perto da lógica que ela usou, quanto mais construir isso."
As bochechas de Amanda ficaram vermelhas com as palavras dele, as mãos tremendo nervosamente enquanto tentava—e falhava—em esconder um sorriso. "Esposa? Ah, ainda não somos casados…" ela murmurou discretamente, só aumentando o sorriso orgulhoso de Leo.
*Pá*
Ele colocou a mão suavemente sobre a cabeça dela, bagunçando seus cabelos como se ela fosse brilhante e preciosa ao mesmo tempo, antes de ficar sério novamente.
"Então… dá pra fazer?" ele perguntou a Argo com sua frase rotineira de negócios, enquanto Argo coçava o couro cabeludo sujo de fuligem e, pensativo, puxava a barba, sem tirar os olhos do dispositivo.
*Suspiro*
"Me dê alguns dias para estudar esse problema, Senhor Dragão Sombrio. Sua parceira pode ficar aqui comigo na forja, se desejar, e juntos vamos aprimorar isso. Mas isso não é um objeto comum—é uma tecnologia fundamental para o futuro do Culto, se não estiver enganado, e por esse motivo, não pode ser trabalhada na frente de todos."
Disse Argo, compreendendo, mesmo sem uma explicação detalhada de Leo, a importância estratégica da criação.
"Vou precisar transferir esse projeto para minhas instalações privadas e desenvolvê-lo em segredo. Bocudo pode atrair atenções indesejadas, e aí, complicamos tudo."
Disse, e suas palavras fizeram os aprendizes ao redor se ocuparem rapidamente com suas tarefas, ignorando a conversa.
"Tudo bem pra você?" Leo perguntou para Amanda, que assentiu com determinação ardente nos olhos.
"Se isso ajudar a dormir melhor, então sim, fico. Fico o quanto for preciso."
Ela garantiu, enquanto Leo lhe dava um aceno firme e a Argo, compartilhando a mesma compreensão.