Assassino Atemporal

Capítulo 673

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, ponto de vista de Veyr, Planeta Tithia)

Enquanto Leo passava seu tempo com Amanda, Veyr decidiu se desligar das pressões da guerra à sua própria maneira, explorando novos restaurantes e entregando-se a massagens luxuosas que aliviavam seu corpo cansado.

Era um caminho completamente diferente do de Leo, mas um que ele aproveitava intensamente, parcialmente porque esses prazeres de fato acalmavam sua mente, e parcialmente pelo respeito com que os Camponeses do Cult o tratavam onde quer que fosse.

Pois, onde quer que pisasse dentro de seu domínio, era recebido não apenas como hóspede, mas como alguém superior a um rei, quase como se fosse um Deus.

Os donos de restaurantes choravam de alegria ao vê-lo chegar, suas mãos tremiam enquanto lhe serviam refeições feitas com reverência, enquanto massagistas competiam ferozmente pela honra de colocar as mãos sobre o Dragão, cada uma realizando a tarefa com devoção sem limites.

Era uma realidade bem distante dos dias de sua infância órfã, quando ele ansiava pela mais tênue porção de afeição.

Agora, ele era inundado por ela onde quer que fosse, cada palavra sua recebida com admiração, sua simples presença suficiente para despertar adoração nos olhos do povo comum.

No começo, esse tratamento o deixava constrangido, pois não conseguia conciliar o menino que fora com a figura quase divina que agora veneravam.

No entanto, quase um ano após ter sido nomeado Dragão, ele havia finalmente se acostumado com isso, aceitando a devoção com um coração mais firme e comportando-se com a graça exigida por sua posição.

'Aceitei esse povo como meu povo… não posso mais me fazer de rogador solitário como antes…'

O pensamento ecoou na mente de Veyr enquanto ele se recostava na poltrona acolchoada da casa de banhos, com vapor subindo ao seu redor em preguiçosas espirais, embora nenhuma de sua calorias pudesse se comparar ao fogo que agora ardia em seu peito.

Antes, ele se contentava em cuidar apenas de si mesmo, roubar o que podia do mundo e rir amargamente de sua crueldade, dizendo a si mesmo que ninguém se importaria o suficiente para ficar ao seu lado, então por que se preocupar em retribuir?

Aquele menino era egoísta, de visão curta e cego ao peso dos outros.

Mas esse menino já tinha ido embora há muito tempo.

Em algum momento — entre as batalhas que travou, as crianças que empunharam espadas de madeira em seu nome e as velhas que beijaram suas mãos e abençoaram seu caminho, algo dentro dele mudou.

A dor deles tornou-se sua dor.

A fome deles roía seu próprio estômago.

O medo deles o mantinha acordado nas horas silenciosas da noite.

E, pela primeira vez, ele percebeu que não ressentia esse vínculo, mas que o abraçava.

'Este Culto… essa coisa despedaçada, manchada de sangue e odiada… agora é meu para guiar. O destino deles é meu fardo, a sobrevivência deles é meu dever. E se for preciso sujar as mãos de pecado para levá-los à grandeza, farei isso também—'

Ele exalou lentamente, seu reflexo tremeluzindo na superfície da água como o rosto de um estranho, embora soubesse que ele não era um estranho de fato.

Sem que percebesse, em meio ao contínuo disfarce, na constante exigência de vestir o papel de "Dragão", ele havia deixado de apenas desempenhar o papel.

Ele tinha se tornado o próprio Dragão.

O salvador do Culto.

E não havia mais volta.


(Enquanto isso, no Jardim Eterno, ponto de vista de Kaelith)

"Você tem certeza de que Mauriss não descobriu que você é, na verdade, um Semideus e não apenas um Monarca?" perguntou Kaelith, sua voz carregada de um tom de raiva que deixou o ar do Jardim Eterno mais pesado do que o normal.

*Sacudiu*

*Sacudiu*

Raymond balançou a cabeça com firmeza, sua confiança inabalável.

"Ele não pode ter descoberto. E mesmo que suspeite, tenho certeza de que não tem provas."

"Minha aura de Semideus é indetectável."

"Se nem você consegue percebê-la, pai, então ninguém consegue. Tenho total fé de que está escondida."

Raymond afirmou, enquanto os olhos de Kaelith se estreitavam, sua expressão ficando azeda diante da certeza do garoto, a decepção clara para Raymond perceber.

"Filho, você entende as consequências se Mauriss ou Helmuth descobrirem o que você é? No melhor dos casos, te matariam na hora. No pior, exigiriam que eu o fizesse com minhas próprias mãos…

Pois esse foi o pacto que nós três fizemos anos atrás."

Kaelith disse, enquanto as palavras afundavam como chumbo no peito de Raymond, um calafrio percorrendo-o ao imaginar-se enfrentando seu pai em combate.

"Tenho certeza, pai. Ele não pode ter descoberto meu segredo, e isso torna ainda mais preocupante o fato de querer me encontrar em particular. Nada de bom pode resultar de um convite assim de Mauriss, o Enganador."

Raymond afirmou, enquanto Kaelith expirava lentamente, seus ombros se levantando em um leve ombro de indiferença, embora seus olhos brilhavam com apreensão.

"Ninguém sabe quais conspirações passam pela cabeça de Mauriss, às vezes até duvido se ele sabe o que está fazendo…

Por isso, ele é tão perigoso.

Sua imprevisibilidade é sua arma, e aqueles que tentam adivinhar seus passos muitas vezes já estão presos sem perceber.

Você tem razão em ficar atento.

Nada de bom surgiu de um encontro privado com ele, por isso, diria que foi inteligente ao recuar para o Jardim Eterno.

Se quiser meu conselho, recomendo que permaneça fora de vista até que ele ocupe sua atenção em outra coisa.

Enquanto isso, tentarei descobrir a verdadeira razão pela qual ele o convocou."

Kaelith aconselhou, enquanto Raymond assentia lentamente, sentindo o peso das palavras do pai sobre si.

Já entendia que aquilo não era questão de orgulho ou desafio.

E que era uma questão delicada que exigia paciência, delicadeza e a cautela necessária para garantir sua sobrevivência.

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