Assassino Atemporal

Capítulo 674

Assassino Atemporal

(Jardim Eterno, ponto de vista de Mauriss)

Assim que Mauriss descobriu que Raymond havia ignorado seu convite formal para se encontrar, ele ficou ainda mais desconfiado do jovem. Sem perder tempo, foi direto para o Jardim Eterno conversar com o pai de Raymond, Kaelith.

Para sua surpresa, no instante em que tentou atravessar o limiar do reino divino do Jardim Eterno, o próprio domínio o rejeitou.

Por mais que tentasse forçar a passagem várias vezes, a barreira brilhou com frieza e negou-lhe entrada.

"Kaelith... Que brincadeira retorcida é essa? Abra seus portões agora, ou juro que vou rasgar esse jardim miserável ao meio!" Mauriss bradou, sua voz soando como uma lâmina cortando o ar, embora o silêncio que lhe respondeu apenas aumentasse sua irritação.

Muito do que muitos não entendiam sobre o Jardim Eterno era que ele não era simplesmente uma rocha flutuando no universo, como o Planeta Granada, mas sim uma habilidade de domínio criada por Kaelith.

O Jardim Eterno era uma habilidade especial.

Um paraíso que Kaelith criou para si mesmo, e, por isso, era ele quem controlava quem podia ou não entrar naquele espaço.

Também por essa razão, Mauriss não acreditava que alguém pudesse furtar a flor de iluminação lunar sob sua vigília, pois todo o domínio era uma extensão de sua vontade, e roubar até um grão de areia de lá seria impossível a menos que Kaelith permitisse.

"Tudo bem, já que você não me deixa entrar, vou derrubar esse domínio inteiro —" Mauriss amaldiçoou, ao tirar sua espada da bainha, quando de repente um pequeno buraco apareceu na barreira, dando-lhe acesso para entrar.

"Foi tão difícil assim?... Obrigado…"

Mauriss disse, frustrado, ao recolher a espada e seguir em frente, apenas para se surpreender ao ver Kaelith e Raymond lado a lado lá em cima.

"Olha só... Se não é o pivete que ignorou meu convite pessoal…." Mauriss cumprimentou, colocando a língua de fora e avançando em direção a Raymond com um passo ameaçador.

"Ora, ora... Se não é o deus de peito nu e sem higiene, que não foi convidado aqui, mas veio à força mesmo assim…" Kaelith retrucou, com a voz tão roxa quanto a hostilidade na passagem de Mauriss, enquanto os dois cruzavam olhares desafiadores.

Por um momento, nenhum deles recuou. Kaelith olhava Mauriss com fúria, enquanto Mauriss retribuía sem nada temer, pois, dessa vez, sabia que tinha razão.

"Você sabia que seu filho recusou um convite pessoal meu?

Foi assim que você educou seus filhos?

Ensinaram-lhes boas maneiras?" Mauriss acusou, enquanto Kaelith tossia em protesto ao comentário.

*Tosse*

"Por favor, eu os eduquei bem….

Não sou idiota, ensinei desde pequeno a não confiar em Mauriss, o Traidor.

Posso dizer que ele se saiu bem ao evitar seu convite…"

"Por que você queria encontrá-lo, afinal?" Kaelith perguntou, levantando uma sobrancelha que fez Mauriss soltar uma risada sem humor.

"Ainda vai fazer a de inocente agora? Achava que Helmuth tinha a pele mais grossa entre nós três.

Mas a verdade é que é você, não é? Soberano Eterno?" Mauriss acusou, causando uma mudança súbita na expressão de Kaelith, que se tornou séria.

A atitude de Mauriss e a retidão em sua voz só podiam significar uma coisa…

E era algo que ele desesperadamente queria esconder por mais tempo possível.

"Desculpe, Senhor Mauriss. Não foi minha intenção evitar seu convite.

Meu pai instruiu-me a procurar sua permissão antes de encontrar outros deuses, então vim aqui hoje apenas por isso.

E sabe de uma coisa? Ele me autorizou a te encontrar—" Raymond interveio entre os dois deuses, tentando evitar que a situação piorasse.

"É mesmo? É por isso que você está aqui, garoto? Sério?" Mauriss disse com sarcasmo, levantando as mãos como se não pudesse acreditar que esse teatro ainda estivesse acontecendo.

"O que foi, Mauriss? Se você veio aqui com alguma queixa específica, diga logo.

Se não, deixe-nos em paz.

Como meu filho disse, já autorizei ele a vir te encontrar em particular mais tarde.

Então, se é só isso, pode ir embora…" Kaelith respondeu, enquanto Mauriss fazia um movimento de lábios e começava a bater palmas lentamente, trocando olhares dramáticos com os dois.

*Aplauso*

*Aplauso*

*Aplauso*

Ele deliberadamente fazia uma pausa entre cada aplauso, tentando criar ainda mais drama, alternando o olhar entre os dois.

"Você me pegou, Kaelith. Pela primeira vez, não consigo saber se você está simplesmente ignorante ou se é demasiado astuto.

Mas, por seu bem, espero que seja só ignorância.

Porque se você sabe que seu filho é um Semideus, mas ainda tenta fazer de conta que não sabe… Então acho que não tenho outra opção além de erguer nossas armas contra você—" Mauriss acusou, quando de repente o sol se apagou do céu do Jardim Eterno, mergulhando toda a área na escuridão total, rompida apenas pelo trovão que rolava no alto.

*TROVOADA*

*SOM DE TRONADA*

"Que besteira é essa que você está falando, Mauriss… Meu filho não é um Semideus, ele é apenas um Monarca. Então, a não ser que você tenha provas concretas de sua ascensão, sugiro que saia do meu domínio agora… Ou teremos guerra entre nós hoje," Kaelith ameaçou, puxando as adagas de metal original de seu espaço espiritual e segurando-as firmemente.

"Você é um mestre em aura, Kaelith, seja seu filho um Semideus ou não. Basta pedir confirmação, que sua aura ficará preta se ele mentir.

Mas se estiver muito orgulhoso para isso, não vou aceitar ser intimidado também.

Se quer guerra… podem ter guerra…." Mauriss respondeu, puxando sua própria espada, segurando na mão esquerda, enquanto na direita pegava uma lasca de Metal de Origem não refinada, lembrando a Kaelith que ele não era mais o único deus com um objeto de Metal de Origem na posse.

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