
Capítulo 675
Assassino Atemporal
*KABOOM*
Mais um raio rasgou o céu, iluminando momentaneamente o Jardim Eterno com um clarão, enquanto Kaelith e Mauriss permaneciam de braços cruzados, travando um impasse, nenhum dos dois disposto a ceder sequer um centímetro.
* gulp *
Raymond engoliu em seco, com a garganta seca, ao lado de seu pai, mortificado com o que poderia acontecer a seguir.
'Eu ia desaparecer para algum planeta obscuro e ficar escondido por alguns anos até o temperamento de Mauriss diminuir… mas não. O lunático teve que aparecer aqui hoje, bem antes que eu tivesse a chance de fugir….'
Ele amaldiçoou amargamente, incapaz de acreditar que sua sorte pudesse ser tão amaldiçoada.
Se Mauriss tivesse chegado só algumas horas depois, já teria ido embora do Jardim Eterno, longe dessa confrontação sufocante.
Mas agora, fugir parecia impossível.
Mesmo enquanto culpava o destino por estar preso ali, uma inquietação mais profunda o incomodava, uma dúvida que o levava a questionar por que Mauriss suspeitava dele ao todo?
Ele tinha certeza de que ninguém no universo conhecia seu segredo.
Ele nunca se gabou de ser um Semi-Deus, nunca sequer sussurrou isso para sua esposa.
Sua ocultação de aura era perfeita, impenetrável, refinada ao ponto de até Kaelith não conseguir detectar seu verdadeiro nível.
E ele tinha sido cuidadoso, meticuloso, para nunca entrar em confronto direto com outro Semi-Deus, a fim de não atrair atenção para o poder que escondia.
Então, como?
Como Mauriss conseguiu descobrir a verdade?
'O que faço agora? Corro? Fico parado? Meu pai vai me defender? Ou vai me atacar?' Raymond se questionava, justo quando viu mil fios dourados do destino se desenrolando bem diante dele.
*Brilho*
Os fios do destino que partiam dele, conectando Mauriss e Kaelith também, tudo dentro de um grande capítulo de destino, pois o que eles decidissem fazer daqui para frente, poderia literalmente moldar o futuro do universo.
'Se eu fugir, vou parecer culpado. Se eu ficar, posso ser morto…'
'O que eu faço aqui?'
Raymond se perguntava impotente, ao perceber que, apesar de ser um Semi-Deus, ele se sentia completamente sem poder diante de forças antigas como seu pai e Mauriss.
"É verdade? Menino? Você é um Semi-Deus?"
Kaelith perguntou por fim, enquanto outro raio iluminava o céu, lançando uma luz roxa brevemente sobre seus rostos.
*KABOOM*
Raymond engoliu em seco novamente, com o rosto extremamente nervoso, enquanto Mauriss desviava o olhar de Kaelith para Raymond, com os dentes pontiagudos à mostra, como um predador primal.
"Nem ousa mentir, menino. Vou considerar poupar sua vida se disser a verdade, mas se mentir, juro que vou acabar com você aqui mesmo—" Mauriss pressionou, fazendo o coração de Raymond bater descontroladamente no peito.
*Batida*
*Batida*
Começou a suar gotas na testa, percebendo que essa era, de longe, a situação mais tensa de toda a sua vida.
'O que faço aqui? Acredito no amor do meu pai por mim e confio que ele vai me proteger mesmo se eu mentir?'
'Ou creio na promessa do Enganador e digo a verdade? Esperando que ele me poupe se o fizer?' Raymond se perguntava, enquanto os segundos passavam sem que ninguém se movesse.
No pensamento de Raymond, ele ponderava os prós e contras de cada situação; porém, na cabeça de Mauriss, aquilo era a prova final de que Raymond era realmente um Semi-Deus, pois, se não fosse, não teria hesitado tanto em responder.
Ele ainda tinha uma margem de erro na sua suposição, já que não tinha provas concretas de que Raymond fosse um Semi-Deus, apenas sua conjectura. Contudo, quanto mais tempo Raymond demorasse para responder, mais convicto Mauriss ficava de sua hipótese.
"Desista, menino. Confesse a verdade. O fato de ter demorado tanto para responder já mostra que você é culpado.
Então, seja honesto comigo, e juro, com Kaelith aqui como testemunha, que não vou te matar nem relatar isso a Helmuth." Mauriss falou, mais uma vez pressionando Raymond a admitir a verdade.
'O que faço agora, pai? Por favor, me dê um sinal…'
Raymond implorou, os olhos fixos desesperadamente no rosto do pai, na esperança contra toda probabilidade de receber um sinal, uma pista, por menor que fosse—
Porém, para seu desgosto, Kaelith permanecia impassível, com uma expressão de pedra, como se fosse esculpida em mármore, que nem a tormenta nem a súplica poderiam mover.
Apesar de ser seu pai de sangue, Kaelith sempre deixou claro que, se algum dia a verdade sobre a identidade de Raymond como Semi-Deus fosse descoberta... Ele não interviria, pois o pacto com Helmuth e Mauriss o amarrava mais forte do que qualquer laço filial.
E justamente por causa dessas afirmações feitas por Kaelith, Raymond não tinha fé de que seu pai lhe ajudaria se as coisas realmente dessem errado.
Assim, mesmo com cada fibra do seu corpo gritando contra, mesmo com seu orgulho rugindo que ceder significaria ficar eternamente ligado a Mauriss, ele decidiu, por mais relutantemente que fosse, confiar na oferta de misericórdia do Enganador ao invés de rezar pela proteção de seu pai.
*Batida*
*Batida*
O coração de Raymond pulsava tão forte que abafava o trovão lá fora, o suor escorrendo pelas têmporas, seus lábios se separando, mas sem que nenhum som saísse.
'Será que esse realmente é o fim da minha vida como homem livre? Mauriss vai mentir e me expor para Helmuth mesmo assim? Vão me usar como peão, chantagear meu pai? Não... não posso pensar nisso agora... preciso sobreviver a esse momento primeiro, e rezar para que tudo o mais seja resolvido com o tempo.'
*Engolir
Ele engoliu em seco, a voz presa na garganta, finalmente obrigando-se a falar, com voz áspera e trêmula.
"Sim… é verdade. Sou um Semi-Deus."
Ele admitiu, e imediatamente a temperatura dentro do Jardim Eterno caiu abaixo do ponto de congelamento.