Assassino Atemporal

Capítulo 676

Assassino Atemporal

"Sim... é verdade. Eu sou um Semi-Deus."

Raymond finalmente admitiu, enquanto, naquele instante, a temperatura dentro do Jardim Eterno despencava, atingindo um frio cortante que parecia penetrar até os ossos.

*KABOOM*

O trovão rasgou o céu, e por um instante pareceu que o tempo congelou, pois os olhos de Raymond captaram o tênue brilho de um raio rastejando pela lâmina de metal de origem polida de Kaelith, enquanto seu próprio pai virava a arma contra ele.

*Esmagou*

Instinto assumiu o controle, seus músculos se contorcendo enquanto ele jogava o corpo para baixo, na esperança de escapar do primeiro ataque….

E por um momento, pareceu que ele poderia conseguir, a trajetória da adaga sussurrando pouco acima da sua cabeça.

No entanto, infelizmente para ele, Kaelith não era um adversário comum.

O Soberano Eterno parecia já ter previsto o reflexo do filho ao lançar a primeira adaga bem alto, como isca para o deslocamento de Raymond, enquanto o golpe verdadeiro vinha na segunda investida, que vinha em um ângulo baixo.

Um movimento que deixou Raymond sem para onde fugir.

'Então é isso, hein? Hoje vou levar uma guilhotina do próprio pai….'

Pensou Raymond, com o terror estampado nos olhos enquanto a lâmina de Kaelith se aproximava dele.

*CLANG*

*BLOQUEIO*

Internamente, Raymond já aceitara a morte no instante em que viu aquela segunda lâmina vindo em direção ao seu pescoço….

Porém, para sua surpresa, o golpe nunca chegou a atingir, pois Mauriss, o Enganador, moveu-se naquele exato instante, deslizando a barra bruta de Metal de Origem no espaço estreito entre o pescoço de Raymond e a adaga reluzente, enquanto faíscas surgiam violentamente no ar congelado, fazendo o Jardim Eterno tremer sob a colisão de forças divinas.

*TREME*

*EXPLOSÃO*

A respiração de Raymond ficou presa na garganta enquanto sua mente rodava, pois embora a lâmina de Kaelith pressionasse com a fúria da ira, era a força de Mauriss que a mantinha afastada, enquanto o sorriso do Enganador se alargava em uma expressão de diversão profana, como se ele savourasse a ironia de proteger o filho do próprio pai.

"Solte, Kaelith… Eu tenho utilidade para o menino e não vou permitir que você o mate aqui hoje—" Mauriss disse, empurrando Raymond de lado e se colocando na frente de Kaelith para enfrentá-lo de igual para igual.

"Não posso libertar ele, Mauriss… Você sabe do nosso antigo pacto, qualquer descendente nosso que alcance o reino de Semi-Deus deve ser morto pelos próprios pais…"

Kaelith falou sem emoção, enquanto Mauriss bufava com suas palavras.

"Ótima atuação, Soberano Eterno, mas pode parar agora.

Sei que é impossível alguém roubar a Flor de Licor da Lua do Jardim Eterno sem que você descubra.

Então, sei que você deixou que ele se tornasse um Semi-Deus por sua própria conta.

Claro que nunca poderei provar isso. Mas tenho certeza de que aconteceu.

E não ligo…

Como já disse, tenho uma utilidade para o garoto." Mauriss disse, empurrando Kaelith e criando uma brecha entre eles.

"Não planejo denunciar isso a Helmuth se depender de mim.

Então, se você quer ser conhecido como pai e filho assassinos pelo universo, vá em frente e mate seu próprio filho.

Mas se não, deixe-me usá-lo de maneira melhor…" Mauriss implorou, recuando um passo, dando a Kaelith a oportunidade de matar seu filho, se esse realmente fosse seu desejo.

No entanto, exatamente como esperava, Kaelith não caiu na provocação e não atacou.

"Então, pra que você quer ele?" Kaelith perguntou, enquanto Mauriss cobria o rosto e puxava os olhos.

"Pra que eu quero ele?" Mauriss repetiu, com o sorriso se alargando, como se cada palavra tivesse gosto de travessura e sangue.

"O que eu quero é que ele attaque o Culto e atraia fodendo Soron para fora do esconderijo, pra que possamos ver com nossos próprios olhos se seu irmão ainda é a potência que enfrentamos há 2200 anos, ou se virou um fracassado esquecido."

Mauriss explicou, começando a caminhar lentamente em círculo, sua sombra formando ângulos agudos na grama congelada enquanto trovões rolavam acima, como tambores distantes.

"Você me entende, Kaelith," continuou, falando enquanto suas mãos se fechavam em torno de uma peça bruta de Metal de Origem, como se fosse uma marionete que pudesse fazer dançar.

"Não quero que o mate aqui, quero um espetáculo. Quero um conflito gigantesco que tire Soron do buraco onde se esconde e o obrigue a lutar.

O Culto não tem lutador mais forte que um Monarch, então se derrubarmos os poucos Monarchs do Culto, Soron terá que sair por conta própria."

Ele se inclinou para frente, com os olhos brilhando e famintos como um predador.

"As feridas no corpo dele são graves, Kaelith, e ele lutou contra elas por dois mil e duzentos anos;

Sabe quanto tempo é isso?

Mais de dois milênios fodendo.

E sabe o que acontece ao longo de tudo isso?

Homens envelhecem, feridas infeccionam, e até mesmo deuses que se recusam a morrer perdem vigor.

Suspeito que ele perdeu tendões e temperamento, mas suspeita não é prova.

Então, o que quero é a prova da força atual de Soron…."

Mauriss exigiu, começando a rir lentamente, inicialmente de forma contida, mas logo se tornou um riso maníaco e incessante.

"Deixe seu filho ser nosso cobaia, Kaelith… Pois, se ele morrer, iremos honrá-lo e à sua memória.

Vamos apresentá-lo como a nova face da nossa campanha Anti-Culto.

E se ele vencer, concederemos a vida a ele.

Permitiremos que viva livremente como Semi-Deus, pois a contribuição dele para a sociedade ao matar Soron é grande demais para ficar sem recompensa."

Então, o que acha?

Meu plano é ótimo? Ou só fantástico?"

Mauriss perguntou, puxando pesado as pálpebras antes de começar a rir ainda mais alto, sua voz ofuscando até mesmo o trovão ao redor, enquanto todo o Jardim Eterno tremia sob sua aura.

'Que homem vil e nojento…'

Kaelith pensou, internamente, sem se sentir nem um pouco divertido com o plano de Mauriss.

Porém, não importando o quanto ele odiava aquilo, na prática, não tinha outra escolha além de concordar, já que seu filho admitira de forma tão tola ser um Semi-Deus.

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