
Capítulo 668
Assassino Atemporal
(Dentro dos planetas controlados pelo Cult, Dez Dias Após Nemo)
Dez dias haviam se passado desde a vitória em Nemo, mas em todos os planetas sob a bandeira do Cult, ainda era a única história que as pessoas contavam, o único evento que valia a pena repetir, o único triunfo que cortava a névoa da luta diária.
Nos mercados lotados de Vorthas, os comerciantes se inclinavam sobre suas bancas para falar disso, suas vozes cheias de alegria e orgulho, como se eles mesmos tivessem estado nas trincheiras ao lado do Exército do Dragão.
Crianças corriam entre as bancas gritando "Eu sou o Dragão!", com os punhos pequenos erguidos, imitando Aegon Veyr, cujo nome agora se tornara um cântico que não se limitava aos soldados, mas que se entrelaçava no sopro do povo comum.
Em Belas, os mineiros retornavam de suas escavações com as costas doendo e rostos manchados de fuligem, mas mesmo ao deixarem suas ferramentas, falavam da batalha, descrevendo com detalhes vívidos como a lâmina de Veyr tinha desintegrado legiões, como sua presença tinha estabilizado as linhas, como ele tinha mudado o curso da guerra.
Eles não tinham visto, é claro, mas a palavra tinha pintado uma imagem mais clara do que qualquer gravação de cristal poderia captar, e para eles, isso já era suficiente.
Nos tavernas de Tithia, copos eram batidos contra mesas de madeira enquanto soldados de folga elevavam suas vozes, cantando hinos improvisados em nome de Veyr, sua alegria embriagada se espalhava pelas ruas onde multidões se reuniam apenas para escutar, para se lembrarem de que sua facção tinha se mantido firme contra um dos Cinco Grandes Clãs e tinha resistido.
Para o povo comum, não era apenas uma vitória — era a prova de que o Cult estava voltando a ganhar força.
Que o Dragão tinha retornado!
E embora o nome de Aegon Veyr brilhasse mais forte, não era o único sussurrado.
Um segundo nome surgia no meio do burburinho, mais suave, mas constante: o papel de Leo, embora pouco divulgado em casa, ainda lhe rendia muitos elogios.
Suas ações eram comentadas com admiração, especialmente entre os jovens, que viam nele um símbolo do que o Cult ainda podia produzir, uma promessa de que a era dos heróis não havia acabado.
Dez dias passaram, mas a vitória em Nemo ainda era recente, viva em cada conversa, entrelaçada no ritmo do cotidiano, e isso naturalmente incomodava alguns dos Anciãos do Cult.
"Os civis estão começando a se deixar levar demais pelas conquistas dos Dragões.
Se o impacto deles continuar crescendo assim, logo eles não vão mais responder ao Conselho dos Anciãos..." reclamou o Primeiro Ancião, enquanto, na frente dele, estavam as duas pessoas em quem mais confiava.
À direita, com os braços cruzados, estava o Terceiro Ancião, que simplesmente assentiu e concordou com tudo o que o Primeiro Ancião dizia, enquanto à esquerda estava Chaosbringer, que se fingia o Décimo Segundo Ancião, agora promovido ao cargo de Sétimo Ancião.
"Depois que essa campanha em Nemo acabar, precisamos mantê-los em treinamento por pelo menos seis meses a um ano, e mantê-los longe dos olhos do público." sugeriu o Primeiro Ancião, enquanto Chaosbringer sentia a pele se arrepiar de nojo.
Era a primeira vez que ele encontrava o Primeiro Ancião em um ambiente privado, e já o odiava até o âmago.
"Sim… sim, você tem toda razão, Senhor Primeiro, precisamos cortar as asas deles enquanto ainda podemos." ressoou o Terceiro Ancião, enquanto ambos olhavam na direção de Chaosbringer.
"Bem, posso admitir que a fama deles realmente está crescendo, e que isso traz riscos, mas acredito que vocês estão subestimando a oportunidade que temos diante de nós," começou Chaosbringer, suas palavras cuidadosamente ponderadas, sua expressão calma, embora sob a máscara de tranquilidade ardia uma raiva que mal podia conter.
"O cenário universal está instável atualmente. O Clã Su desmorona a cada dia, seus planetas sendo tomados por desertores e pelos Grandes Clãs.
Não é hora de conter nossos Dragões, mas de libertá-los novamente, de deixá-los levar a bandeira do Cult para outra conquista.
Cada vitória cria mais momentum. Cada conquista fortalece nossa posição. Enterrar eles em treinamento agora é desperdiçar a maré de sorte que corre às nossas costas."
Deixou suas palavras pairarem no ar, desafiando o Primeiro Ancião a enxergar a razão. Porém, infelizmente….
"Não—" o Primeiro Ancião interrompeu antes mesmo que Chaosbringer tivesse acabado, sua voz cortante o suficiente para silenciar o silêncio.
"Não vamos apostar em mais uma conquista. O Exército do Dragão deve parar enquanto ainda está na dianteira. Nemo foi um triunfo, sim, mas esses triunfos são perigosos. Inflamam os egos, semeiam imprudência, encorajam o povo de maneiras que enfraquecem o respeito pelo Conselho. O que precisamos agora é de consolidação, não de expansão."
Sua voz ficou mais lenta, mais pesada, cada sílaba deliberada, como se desejasse gravar suas palavras na própria pedra da câmara onde estavam.
"Os Dragões serão trazidos de volta ao treinamento. Manteremos eles afastados dos olhos do público e destruiremos suas chamas antes que se espalhem ainda mais."
E quando o povo perguntar por que eles desempenharam tão bem, por que arrasaram a Clã Yu como se tivessem nascido para a guerra — garantiremos que a resposta seja clara."
Seu sorriso nunca tocou seus olhos.
"Não será por causa da coragem deles, ou do talento, ou do espírito. Não. Será por nossa causa. Por causa dos Anciãos. Diremos às massas que suas vitórias vêm apenas das artes secretas que lhes concedemos, do treinamento divino que fornecemos, da sabedoria do Conselho. A fama deles alimentará a nossa, e a glória deles será realocada para o corpo que realmente lidera o Cult — o Conselho dos Anciãos."
O Primeiro Ancião sugeriu, enquanto o Terceiro Ancião, sempre bajulador, assentiu com entusiasmo e acrescentou, num tom sibilante: "Sim, sim, as pessoas não devem esquecer que Dragões são apenas ferramentas, afiadas e manejadas pela mão do Conselho. Sem nós, eles não seriam nada."
Ouvindo essa resposta, Chaosbringer sorriu levemente, embora por dentro estivesse fervendo, seu estômago se revirando diante da hipocrisia venenosa que escorria de suas bocas.
Se fosse possível, ele teria destruído ambos ali mesmo, mas por ora não tinha meios nem força para isso.
De qualquer forma, ele marcou esses dois como inimigos que precisariam ser eliminados, pois, apesar de não fazer nada hoje, prometeu começar a tramar sua queda a partir daquele momento.