Assassino Atemporal

Capítulo 669

Assassino Atemporal

14 dias após a vitória em Nemo, Leo e Veyr finalmente deixaram o planeta juntos para seguir de volta para casa, enquanto Veyr delegava as demais tarefas de assegurar o planeta a um comandante da Legião, e Leo instruía Su Pei a ficar para trás e proteger o planeta por pelo menos mais um mês.

“Ah, cara, mal posso esperar para chegar em casa e experimentar aquele restaurante novo que os soldados estavam comentando, que serve camarões Fritos Manduini. Os caras disseram que é a melhor coisa que já provaram, tô quase empolgado—” Veyr disse, enquanto limpava uma linha de saliva do rosto, claramente ansioso para experimentar o novo prato.

“Bem, você pode ir lá sozinho, eu só quero voltar pra casa e ficar de conchinha com a Amanda por uma ou duas noites. Sabe, relaxar um pouco antes de partir para Juxta,” Leo respondeu, enquanto Veyr ria da brincadeira fofa.

Era raro ver Leo falar sobre querer passar tempo com a namorada, já que na maior parte do tempo ele estava focado apenas em treinar e ficar mais forte.

“Cara… você tem sorte de ter uma namorada. Apesar de eu receber atenção de mulheres, não há ninguém na minha vida que consiga fazer meu coração acelerar.

Não como a Amanda faz o seu, pelo menos…”

Veyr comentou, soltando um suspiro que soou mais pesado do que ele pretendia, fazendo Leo rir suavemente em resposta.

“Sim, tenho sido bastante sortudo com a Amanda, ela é maravilhosa. Às vezes sinto que não deve ser fácil pra ninguém ficar com um cara como eu, que quase não aparece, ou cujo a vida vive em perigo constante.

Tenho certeza de que isso afeta bastante ela mentalmente toda vez que saio para a guerra.

Mas, sempre que volto, ela quase nunca demonstra isso. Ela fica tão feliz por me ter de volta que nem reclama, e isso me faz muito feliz por estar em casa,” Leo disse, enquanto Veyr, ouvindo suas palavras, sentiu uma pontada vazia no peito.

Por ter sido criado órfão, ele ansiava por esse tipo de amor. Mas nunca o tinha recebido.

“Senhores, estaremos aterrissando em Tithia em alguns minutos,” informou um soldado neste momento, interrompendo a conversa deles, enquanto Leo e Veyr deixavam de falar e passavam a olhar pela janela em direção ao planeta vibrante, azul-esverdeado, abaixo deles.

*Hummmm*

A nave atravessou a atmosfera superior, seu casco vibrando enquanto as nuvens se afastavam para revelar uma vista deslumbrante— o hangar da capital se estendendo pelos planaltos de Tithia, suas plataformas de pouso já cercadas por multidões de pessoas.

Quanto mais se aproximavam, mais nítido se tornava o som— um longínquo rugido de multidão que fazia a atmosfera tremer.

Gritos, cantos e roars de aprovação ecoavam para cima, atingindo a nave como ondas batendo contra rochas, enquanto milhares de civis se reuniam para receber os seus Dragões vitoriosos de volta para casa.

*Sisss*

As portas da nave se abriram, o vapor hidráulico saindo enquanto a rampa se estendia para baixo, e por um momento a multidão silenciou, com os olhos fixos na sombra interior.

Então, quando Leo e Veyr apareceram lado a lado, o silêncio foi quebrado por um estrondo que fez as paredes do hangar tremer.

“Senhor Dragão, Senhor Dragão Sombrio!”

“Senhor Veyr! Dragão Veyr!”

“Imenso Skyshard!”

Os nomes se misturaram, os cantos se sobrepuseram formando uma tempestade de devoção, enquanto crianças subiam aos ombros para agitar bandeiras do exército de dragões, e os civis batiam os pés ao ritmo de tambores de guerra, sua orgulho explodindo em uma loucura que fazia o chão do hangar vibrar.

Leo e Veyr caminharam lado a lado, o barulho rolando como uma onda gigante, e embora Leo mantivesse um sorriso suave e Veyr levantasse a mão em sinal de reconhecimento, ambos podiam sentir a carga da devoção pesando sobre seus ombros, mais pesada que qualquer lâmina que já carregaram na batalha.

O nível de fé que os civis tinham neles era inacreditável, e mesmo que já tivessem visto esse fenômeno se repetir várias vezes ao longo do último ano, por mais que o experimentassem, era difícil se acostumar.

Pois chegavam a percebê-los como Divindades e Santos, e não como os guerreiros que realmente eram.

*Passo*

*Passo*

À medida que caminhavam mais adiante, os soldados que protegiam o perímetro se abriram ligeiramente, revelando uma figura aguardando-os com os braços abertos—

Era o primeiro ancião, com o rosto oculto por uma máscara cerimonial de prata e ouro, e sua postura exalava dignidade e graça.

“Contemplai nossos heróis!” sua voz ecoou forte, transportando-se por amplificação de mana, soando carregada de uma falsa calorosidade que soava vazia para quem o conhecia bem.

No entanto, para a multidão que nada sabia, suas palavras foram um acender de entusiasmo, e eles comemoraram, enquanto o Primeiro Ancião sorria atrás da máscara, seus olhos frios mesmo enquanto seus gestos irradiavam uma falsa empolgação.

“Sejam bem-vindos… Sejam bem-vindos, campeões vitoriosos do Culto!”

Disse, enquanto abraçava Leo primeiro, e Veyr logo depois, demonstrando uma proximidade com os Dragões que não era totalmente verdadeira.

A multidão explodiu em alegria com o gesto, enganada por achá-lo sincero, seus vozes crescendo ainda mais enquanto as vaias de “Viva o Culto!” reverberavam pelo hangar como trovões.

Para eles, era um símbolo— os Anciãos e os Dragões, unidos como um só, liderando o Culto rumo a um futuro mais brilhante.

Leo aceitou o abraço com um sorriso discreto, vendo aquilo apenas como uma cortesia formal, enquanto Veyr retribuía com seu calor habitual, levantando a mão para agradecer à multidão enquanto os gritos ficavam mais altos.

Para os dois, era uma cerimônia de boas-vindas, nada mais, ainda com um olho no campo de batalha que deixaram e outro na casa que ansiavam retornar.

Mas para o Primeiro Ancião, era um teatro onde cada gesto, cada abraço, cada palavra amplificada era cuidadosamente calculada para afastar a devoção do povo dos homens ao seu lado e redirecioná-la para a máscara que usava, e para o Conselho que representava.

No fundo, por trás da fachada dourada de calor, seus olhos eram frios, observando não Leo nem Veyr, mas as milhares de pessoas que vibravam, enquanto ele já começava a tramar como transformar sua adoração em obediência, e como garantir que a glória dos Dragões se tornasse a glória dos Anciãos.

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