Assassino Atemporal

Capítulo 665

Assassino Atemporal

(Ponto de vista de Su Yang, Planeta Su Prime)

Su Yang estava sentado em seu quarto, com a cabeça entre as mãos, tentando pensar em formas de ajudar o Clã Su e seu pai neste momento de crise.

Ele refletia sobre como poderia contribuir com as defesas em andamento e de que maneira poderia participar, ainda que os anciãos o desconsiderassem por ser jovem demais para assumir responsabilidades importantes.

'Leo tem a mesma idade que eu... Ele assume muita responsabilidade, então por que eu não posso?' pensou Su Yang, quando de repente, o som de passos apressados veio de fora do seu quarto.

*Passo*

*Passo*

*Passo*

De repente, interrompendo seus pensamentos mais íntimos, entrou um mensageiro correndo com um pergaminho na mão.

"Relatório fresco do Planeta Nemo, meu senhor", começou, respirando com dificuldade enquanto desenrolava o pergaminho com mãos trêmulas.

"Nemo?" Su Yang levantou o olhar, com um tom inicialmente casual, recostando-se na cadeira e fazendo um gesto para que o mensageiro continuasse.

"Sim, meu senhor. O Culto do Mal o capturou."

Relatou o mensageiro, enquanto Su Yang soltava uma longa-expiração de alívio.

"Era o esperado, com toda a infraestrutura que deixamos, esse planeta certamente cairia", disse Su Yang, com a voz calma e sem perturbações, enquanto seus olhos se desviavam para a janela onde as bandeiras do Clã Su ainda tremulavam, embora suas cores começassem a desbotar ao sol.

"Mas, meu senhor... há mais." interrompeu o mensageiro, que se moveu um pouco antes de falar novamente.

"Poucas horas após a ocupação do Culto, o Clã Yu desceu ao Nemo, buscando reivindicá-lo para si."

"E mesmo sem defesas adequadas, sem muros ou escudos levantados, o Exército dos Dragões permaneceu firme."

"Lutaram na lama, nas trincheiras, e contra todas as probabilidades, expulsaram o Clã Yu."

Os lábios de Su Yang se abriram, mas nenhuma palavra saiu, enquanto a magnitude da notícia pesava sobre ele.

"O Clã Yu... foi empurrado para trás?" perguntou ao final, com o tom mais suave agora, como que querendo confirmar o que acabara de ouvir.

"Sim, meu senhor. Não só recuaram, como foram completamente derrotados", respondeu o mensageiro, abaixando mais a cabeça. "O Culto defendeu Nemo contra uma Grande Clã. Foi uma luta sangrenta e desesperada, mas a vitória foi deles."

Por um longo momento, o silêncio tomou conta do cômodo, quebrado apenas pelo rastro tênue do pergaminho nas mãos do mensageiro.

Os pensamentos de Su Yang aceleraram, pois percebeu que os rumores de que o Culto era apenas uns scavengers fracos estavam exagerados.

A impressão do universo maior era que eles não tinham força para vencer uma batalha de resistência e que dependiam de tecnologia superior para manter suas terras.

Porém, expulsar o Clã Yu sem defesas planetárias adequadas indicava algo diferente disso.

'Fizeram o que nós não conseguimos... defender um mundo que abandonamos', pensou Su Yang, com o peito apertado.

Aquele peso de realização o pressionou, enquanto fechava os olhos e cerrava a mandíbula, emergindo uma amarga verdade: o Culto, zombado como saqueadores e foras-da-lei, estaria agora se moldando em algo muito maior, enquanto o Clã Su, outrora poderoso, continuava se fragmentando e recuando.

'Vamos nos arrepender por não termos recrutado a ajuda do Culto?' questionou a si mesmo, com dúvidas persistentes.

'Se eles são uma força tão capaz, talvez devêssemos ter cedido mais planetas a eles, vendo como conseguiram capturar Nemo sozinhos. Talvez ter recusado fosse um grande erro...' pensou Su Yang, ao involuntariamente brincar com seu anel de armazenamento, dentro do qual estava o comunicador de cristal privado que Leo lhe dera.

'Desejo que o dia em que realmente precise usá-lo nunca chegue. Mas se chegar... vocês realmente virão nos ajudar?'

Ele se perguntou, ao levantar uma palma e dispensar o mensageiro por ora.


(Enquanto isso, ponto de vista de Raymond, a uma pequena distância da periferia do planeta Juxta)

Raymond recebeu a ligação mais inesperada em seu comunicador de cristal: de repente, era o próprio Deus Mauriss quem demonstrava interesse em encontrá-lo.

Até então, na sua vida, Raymond nunca tinha conversado mais de uma vez com uma divindade, e essa única conversa aconteceu sob a supervisão rígida do seu pai, quando ele era apenas uma criança e ainda ingênuo demais para compreender o peso de um encontro assim.

"Isso não é bom... Mauriss, o Enganador, querer marcar encontro comigo nunca é um bom sinal. Preciso evitar ao máximo essa reunião, ou certamente vou acabar envolvido em algum de seus esquemas sinistros", pensou Raymond, com o pulso acelerado enquanto as antigas advertências do pai voltavam à sua mente.

Segundo as histórias que ouviu crescendo, se há alguém que nunca deve provocar após Soron, é Mauriss, o Enganador, pois o homem é tão cruel quanto astuto, e não se importa com a vida alheia uma só linha.

"Será que ele descobriu meu segredo?" Raymond imaginou por um momento tenso, com a expressão endurecida, antes de balançar a cabeça em negação firme.

"Não, isso é impossível. Não liberto nem a menor energia que possa me identificar como Semi-Deus. Meu disfarce é absoluto e perfeito. Mauriss nunca vai descobrir quem eu sou. Mas então... por que ele quer me ver?" refletiu, andando de um lado para o outro na cabine, enquanto o nervosismo lhe corroía os pensamentos.

Quanto mais pensava, mais ficava claro que, independentemente das verdadeiras intenções de Mauriss, aceitar esse encontro seria uma loucura. O próprio nome do Enganador já carrega perigo.

"Preciso contar ao meu pai... Ele vai saber o que fazer", murmurou Raymond, enquanto se equilibrium, virando abruptamente na direção da escada.

*Passo* *Passo* *Passo*

Caminhando em direção à ponte de comando da nave, ordenou ao piloto que redirecionasse imediatamente o curso para o Jardim Eterno, sua voz carregada de urgência, sem deixar espaço para hesitação.

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