Assassino Atemporal

Capítulo 664

Assassino Atemporal

(Ponto de vista de Mauriss, Planeta Granada)

Mauriss não sentiu decepção pelo fracasso da campanha Juxta, pois conquistar territórios nunca fora seu verdadeiro objetivo.

Ao contrário, seu propósito real sempre foi confirmar três questões específicas que pesavam em sua mente há mais de uma década, e nesse aspecto, a guerra foi um sucesso unequivocbo para ele.

Primeiramente, ele finalmente obteve uma medida clara da força de Charles.

Durante anos, o limite de Charles tinha sido mais uma lenda e especulação, mas agora Mauriss sabia exatamente qual nível de força precisava mobilizar para derrubar o Monarca do Culto.

Em segundo lugar, confirmou que Soron ainda permanecia dentro do território do Culto e que não tinha partido em uma expedição para refinar seu pedaço de Metal de Origem, o que indicava uma de duas possibilidades:

Ou Soron tinha ficado fraco demais para tentar tal jornada… ou Leo Skyshard nunca lhe deu o metal em primeiro lugar.

E para Mauriss, ambas as conclusões tinham peso, e ambas abriam possibilidades intrigantes.

Por fim, ele confirmou o que há muito suspeitava sobre Raymond… que, apesar da negação de Kaelith e das próprias declarações modestas de Raymond, o rapaz era sem dúvida algum semi-deus.

Pois essa era a única explicação que ele encontrava para justificar a reação exagerada de Soron.

Enquanto o Grande Deus não mostrava reação alguma para Entrail ou Streak, no momento em que a nave de Raymond avançava, a compostura de Soron se desfez.

Um Deus não reagiria com tanta força a alguém que não fosse uma ameaça real; e como Soron marcou Raymond como uma ameaça, isso significava que ele tinha, ao menos, que ser semi-deus.

"Kaelith, Kaelith, Kaelith… seu traidorzinho—" Mauriss murmurou, recostando-se em sua cadeira de pedra úmida, com uma expressão de puro contentamento.

"Você quebrou o pacto. Você alimentou uma cria do Assassino Atemporal até chegar ao estágio de semi-deus." Disse, enquanto lambe os lábios com deleite, a simples ideia de quanto caos essa revelação poderia causar fazendo seu sangue ferver mais forte.

*Spuck*

Há duas milênias, eles tinham feito um juramento — nenhum dos filhos deles poderia ultrapassar o Reino do Monarca, pois ter uma criança tão poderosa desequilibraria a balança de poder de forma injusta.

E essa regra era especialmente rígida para Kaelith, cuja linhagem carregava o potencial latente de se tornar o próximo Assassino Atemporal.

Porém, enquanto Mauriss e Helmuth tinham honrado essa promessa fielmente, Kaelith a desrespeitou.

Com Raymond ascendendo ao status de semi-deus, uma traição de grau grave.

"A parte engraçada é que você nem consegue fingir que não sabe de nada," Mauriss riu sombriamente, sua língua clicando contra os dentes. "É impossível fazer uma poção de semi-deus sem água de Granada, terra do Poço e uma flor de moonshine do Jardim Eterno."

Eu compartilhei parte desses ingredientes como recompensa para os Grandes Clãs. Helmuth também. Mas você? Você sempre afirmou que nunca entregou nem uma única flor de moonshine."

O que significa que você mentiu pra gente… ou que ele roubou da sua cara.

E eu me recuso a acreditar na segunda hipótese."

Mauriss esfregou as mãos em alegria, a antecipação fazendo seu corpo tremer.

"Ó Kaelith, Kaelith, Kaelith… por que arriscar tudo com uma aposta tão irresponsável?" Seu sorriso se alargou, exibindo os dentes. "Você conhece as regras. Se algum dos nossos filhos ascender a semi-deus sem o consentimento dos outros, o próprio pai terá que matá-lo—com os outros dois assistindo."

Ele soltou uma risada baixa, arrepiado com a ideia. "Você realmente queria que a história te lembrasse como pai e como assassino de filho?"

Mauriss falou, inclinando-se para frente, com os olhos brilhando, enquanto sua voz se tornava um sussurro carregado de mania.

"Então, o que vai fazer, velho amigo? Vai fingir que não sabe de nada, e ser obrigado a matar sua própria família na minha frente e na do Helmuth?"

Ou vai protegê-lo… e começar uma guerra contra nós dois?"

Enquanto aquilo passava pela sua cabeça, ele lentamente passava a língua pela palma da mão, saboreando o gosto da própria excitação.

"Escolhas, escolhas… mas qual você vai fazer?"

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(Enquanto isso, Kaelith)

Sem saber dos pensamentos de Mauriss, Kaelith permanecia sozinho sob os galhos prateados do Jardim Eterno, a luz das flores de moonshine balançando ao seu redor.

Seus dedos batiam suavemente no braço de sua cadeira, seu olhar fixo em nada e tudo ao mesmo tempo, enquanto as ideias sobre o universo em transformação pesavam em sua mente.

O Clã Su, outrora um pilar de resistência, desmoronava pedaço por pedaço.

Planeta após planeta escapava de suas mãos, seja por serem conquistados pelos Grandes Clãs ou entregues por traidores temerosos demais para lutar sozinhos.

No entanto, a questão permanecia: cada traição, cada conquista, aprofundava o golpe no caixão do Clã Su e no legado de Su Ren; e nessa decadência, Kaelith não pôde deixar de ver uma cruel ironia.

Os Grandes Clãs se posicionaram como conquistadores justos, que vinham "estabilizar" os territórios do Su.

Mas, na verdade, seu apetite os traiu.

Lucraram com a morte de um deus, e esse ato os tornou cúmplices de sua queda.

Não importava que eles próprios não tenham brandido a arma, pois os despojos que agora desfrutam carregam o sangue dele.

E as pessoas? A massa também mudou. Pouco tempo atrás, a indignação deles era dirigida ao Governo Universal por ousar derrubar um deus, suas vozes unidas contra o sacrilégio.

Mas o tempo, percebeu Kaelith, desgasta a indignação como rios erodem pedra.

Agora, os comuns falam da queda de Su Ren não como um crime, mas como uma consequência inevitável. Uma lição gravada nas leis da natureza — onde os fracos são pisoteados, e os fortes têm o direito de sobreviver.

Os olhos de Kaelith se estreitaram, um suspiro quase inaudível escapando de seus lábios.

"No final, tudo parece ter se resolvido.

Matar Su Ren foi arriscado, mas conseguimos fazer funcionar."

Ele disse, enquanto se recostava, as sombras do jardim dançando ao seu redor ao fazê-lo.

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