
Capítulo 638
Assassino Atemporal
(Planeta Vorthas, Dentro da Oficina de Amanda, Ponto de Vista de Amanda)
*Estrondo*
*Silvo*
*Sizzle*
O ar na oficina de Amanda estava carregado com o cheiro de ligas fundidas e o leve zumbido de runas de energia, enquanto faíscas de cor cobre eram lançadas pelo caos da bancada à sua frente.
Ela se inclinou no assento, dedos manchados de graxa pressionando a testa, enquanto seus olhos castanhos fixavam a engenhoca emitindo ruídos no canto da sala.
"Sete dias... é tudo que você consegue antes que os filtros queimem totalmente," ela murmurou, a voz cortante pela frustração, como se a máquina tivesse insultado sua inteligência pessoalmente.
"Mesmo sendo do tamanho de uma geladeira encrenca e nem chegar perto de ser vestível, sua vida útil é de apenas sete dias…
Tipo, que porra eu faço com você?
Leo me pediu um objeto de proteção do tamanho de um amuleto em miniatura, não uma máquina de suporte de vida…"
Ela reclamou, balançando as mãos com impaciência, como se o aparelho volumoso à sua frente pudesse ouvir e entender suas palavras.
Nos últimos meses, ela vinha tentando replicar o coração de mana do Leo, transformando-o em um artefato para o uso cotidiano, porém, isso era mais fácil falar do que fazer.
O coração de mana do Leo era especial porque não só purificava a mana, como também dissolvia a mancha de impurezas, passando o excesso para o sangue, que eliminava pela urina.
Então, era um coração e um rim combinados, que não era afetado pela quantidade de impurezas que processava.
No entanto, para fazer o mesmo com um dispositivo externo, ela precisava trocar o filtro toda vez que ele ficava ruim, e atualmente, apesar de a engenhoca que ela criou ser do tamanho de uma geladeira, os filtros ainda esgotavam em uma semana.
"O coração de mana do Leo não tem esse problema. O corpo dele simplesmente... faz isso, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
É como uma maravilha da evolução.
Ingerir mana, limpá-la de impurezas, circulá-la sem parar, manter o fluxo estável—simples, elegante, perfeito.
Ele se movimenta com um design impecável no peito enquanto eu estou presa montando a parafernália de ar-condicionado."
Amanda passou as mãos pelo rosto, sujando as bochechas de fuligem, antes de soltar um longo suspiro.
Ela virou-se de volta às maquetes espalhadas na bancada, rabiscos confusos com anotações em uma escrita apertada, diagramas de arranjos de núcleo, ligas experimentais e filtros de reposição.
"A teoria, eu entendo," ela continuou, falando com ninguém em particular, enquanto sua reclamação preenchia a sala como um batimento cardíaco extra.
"Sei como o coração suga a mana, como ela se decompõe em partículas básicas, como elimina toda a porcaria, deixando apenas a essência pura pronta para circulação. Na teoria, eu poderia explicar melhor que qualquer um. Mas colocar essa teoria em prática?" Ela balançou a cabeça, jogando a caneta nas anotações com força. "É aí que tudo desmorona."
Ela se levantou, caminhando até a máquina enorme, com seus botas rangendo no piso de aço, enquanto seus olhos se estreitavam ao observar a pulsação constante das aberturas de entrada de mana.
"Você faz seu trabalho, vou te dar essa. Você capta mana, purifica, torna ela utilizável. Mas você é pesada, desajeitada, pouco confiável. Os filtros se deterioram rápido demais, o núcleo não estabiliza após uso prolongado, e sua eficiência cai assim que o ambiente deixa de estar perfeitamente equilibrado. Isso não é um coração de mana—isso é uma desculpa desajeitada pra uma."
Amanda colocou as mãos na máquina, tocando o metal quente como se pudesse forçá-la a melhorar apenas com sua persistência obstinada.
"E mesmo assim… o fato de você ainda funcionar é algo. Você prova que é possível. Provou que o conceito pode ser reproduzido fora do biology. Prova de que o milagre no peito do Leo não é totalmente exclusivo dele.
Se eu consigo construir você, então posso encolhê-lo. Se eu encolher, posso refinar. E se eu refinar, um dia, quem sabe, criar o artefato pendurado como um colar que o Leo quer desesperadamente."
Ela falou, enquanto tocava o queixo pensativa, murmurando para si mesma em um tom mais suave, sua mente acelerada além do que sua voz podia acompanhar.
"Novos ligas. Essa é a chave. Algo que não corroa sob ataque constante de mana, algo que não rache após compressões prolongadas.
Talvez compostos layered, talvez núcleos híbridos. Se eu conseguir achar o material certo para os filtros e a câmara central, posso reduzir o tamanho em uma décima parte.
E, uma vez que eu conseguir diminuir o tamanho, possibilidades como pulseiras, coletes, talvez até implantes ficam mais próximas."
Seu olhar se dirigiu a um protótipo menor na bancada, do tamanho de um capacete, meio montado e piscando levemente com faíscas.
Ele falhou no último teste, derretendo por dentro em menos de uma hora, mas aos olhos dela, parecia promissor.
"Vou continuar tentando," ela sussurrou, tocando delicadamente a carcaça destruída como se fosse um bebê dormindo.
"Não importa quantas vezes fracasse, eu vou tentar de novo. Porque, se eu conseguir resolver isso, o Leo vai ficar muito feliz... E quando ele ficar, finalmente, vou perguntar de vez: vamos nos casar?"
Ela se endireitou, a exaustão momentaneamente coberta pela força da sua própria determinação, e voltou-se para o dispositivo do tamanho de uma geladeira que ainda zumbia no canto.
"Já sou namorada do Leo há mais de cinco anos, e está na hora dele colocar aquela porra daquele anel no meu dedo."
"E nada vai me impedir de conseguir esse anel primeiro, e um filho, depois!"
Ela falou consigo mesma, decidida a conquistar essa construção, custe o que custar.
*Silvo*
*Engrenagem*
A máquina continuou a zumbir, indiferente à sua declaração.
Mas Amanda sorriu, mesmo assim.
Porque ela sabia que podia fazer isso, que poderia completar aquela construção impossível de alguma forma.
E porque ela sabia o quão doce poderia ser a vida de casada, especialmente se eles tivessem filhos próprios.