
Capítulo 626
Assassino Atemporal
(Planeta Juxta, A Célula de Restrições, Ponto de Vista de Leo)
De uma forma pessoal, Leo realmente queria ajudar seu amigo Su Yang. No entanto, como representante do Culto, ele tinha uma percepção aguçada para negócios ruins, e, na opinião dele, essa proposta não era algo que pudesse aceitar nas condições atuais.
"Tudo bem—" começou, olhando diretamente nos olhos de Su Yang e soltando um suspiro profundo.
"Já que você é meu amigo, vou ser direto com você. A aliança do Clã Su com o Culto não parece tão ruim… e, como a Facção Righteous é nossa inimiga de qualquer jeito, não nos importamos de lutar uma guerra contra eles.
Porém, para garantir nossa aliança, você vai precisar fazer concessões muito maiores do que está oferecendo agora." Leo afirmou, enquanto olhava para Veyr, que assentiu como quem apoia Leo independentemente do que fosse dito, mesmo sem saber o que viria a seguir.
"Dar para a gente dois planetas que vocês iriam desocupar de qualquer forma não é um bom negócio pra gente. Porque, independentemente de ajudarmos vocês ou não, vocês sairão desses planetas, e quando fizerem… nós podemos facilmente tomar controle deles por conta própria.
Sim, talvez precisássemos disparar alguns tiros e derrotar alguns rebeldes locais, mas não seria nem de longe tão perigoso quanto uma guerra aberta contra a Facção Righteous."
Leo explicou, enquanto suas palavras faziam o rosto de Su Yang perder a cor.
Su Yang nunca tinha pensado na oferta dessa maneira. Nunca tinha considerado que o Culto poderia simplesmente tomar o controle do planeta Nemo assim que o Clã Su abandonasse o local.
De essa perspectiva, ele realmente não tinha nada valioso a oferecer.
"Então, o que você quer?" perguntou, enquanto Leo olhava fixamente para ele e dizia: "Quero que o Clã Su se torne submisso ao Culto.
Quero que tenhamos a mesma relação que vocês tinham com o Governo Universal, onde vocês gerenciam os territórios, mantêm todos os recursos que quiserem e, em troca, nos pagam um tributo anual. Essa é a condição para receber nossa ajuda."
Leo expôs, e Su Yang imediatamente revirou os olhos em rejeição.
"Ah, coisa absurda!"
Disse, incrédulo de Leo sequer fazer uma proposta dessas, porém, Leo não recuou nem um pouco.
"Su Yang... meu amigo, não estou fazendo exigências absurdas, estou sendo muito racional aqui.
Podemos lucrar bastante com essa guerra sem precisar ajudar o Clã Su…
Você está esquecendo quem precisa de quem aqui.
Nosso Culto ainda tem nosso Deus.
Seu Clã não.
Se você quer que a dissuasão de Soron salve seu clã da extinção, então precisa aceitar nossas condições." Leo lembrou, enquanto Su Yang rangeu os dentes com força.
Seu orgulho de jovem Mestre do Clã Su dificultava aceitar facilmente a ideia de subserviência ao Culto do Mal, mas quanto mais pensava, mais se sentia impotente, pois todas as vias de resistência iam se fechando na sua mente, deixando apenas a dura verdade de que o Clã Su já não tinha mais a posição de força que tinha no passado nas negociações universais.
Enquanto Su Ren estivesse vivo, o próprio nome deles era suficiente para comandar respeito por todo o universo, mas agora… com o Deus fundador morto, os inimigos rondavam como abutres, esperando a carniça.
Por enquanto, mesmo querendo argumentar, bater o punho na mesa e declarar que o Clã Su nunca se rendaria, ele não via qual seria proveito daquele orgulho. Se, no final, o Clã Su não passar de poeira espalhada por setenta e oito mundos caídos?
'Será que não temos nenhuma carta na manga aqui?'
Su Yang pensou, enquanto o peso das correntes em suas mãos parecia mais pesado de repente, percebendo que sua escolha não era entre dignidade e rendição, mas entre sobrevivência e extinção.
"Eu… eu não sei, cara, acho que não tenho autoridade para aceitar um acordo assim. Preciso conversar com meu pai antes de dar uma resposta."
Disse, enquanto Leo colocava uma mão confortante sobre seus ombros.
"Não precisamos que o Clã Su seja submisso a nós para sempre… só por 200 anos.
200 anos para acabar com a animosidade entre nossas pessoas, e, a partir daí, podemos ser aliados de igualdade.
Se você confia em mim, prometo que não deixarei o Culto tratar mal o Clã Su, nem enquanto estiver vivo—" Leo prometeu, e Su Yang apertou os punhos com força.
"Leo está certo… Se você decidir confiar em nós, também prometo, na minha qualidade de Dragão, que farei de tudo para provar que sou um bom aliado.
O Exército do Dragão sempre atenderá ao chamado de guerra em nome do Clã Su—" Veyr interveio, enquanto Su Yang alternava o olhar entre os dois.
Por um lado, ele sabia que eles estavam apenas fazendo sua parte, representando sua organização da melhor forma possível.
Por outro, sentia uma decepção ao ver como Leo tentava usar a fraqueza na posição de negociação do Clã Su para favorecer ao máximo o Culto.
Ao chegar ali, ele esperava que Leo fosse influenciado pela amizade, e aceitasse os termos que trouxe preparado, mas essa esperança agora se mostrava apenas um conto de fadas.
No final, Leo tratou o aspecto político do acordo de hoje separadamente da amizade, negociando como o Dragão Sombrio do Culto, e não como seu amigo de Rodova.
"Bom, preciso fazer uma ligação segura para meu pai, após revisar os termos com vocês… então, se puderem me dar um momento de privacidade, gostaria de conversar com ele antes de tomar minha decisão." Su Yang falou, enquanto Leo e Veyr assentiram e se levantaram de uma só vez.
"Fique à vontade…" Veyr disse, saindo logo atrás de Leo, enquanto davam ao Su Yang um tempo para refletir e discutir essa decisão única na vida com seu pai.