Assassino Atemporal

Capítulo 627

Assassino Atemporal

(Cativeiro, Ponto de Vista de Su Yang)

Assim que ficou sozinho, Su Yang pálido fez uma ligação para seu pai, Su Tang, e retransmitiu as exigências que Leo havia imposto.

— O quê? O Culto enlouqueceu? Chegou a sugerir que o grande Clã Su devesse se submeter a eles? Estão completamente sem cabeça? — Rugiu Su Tang, sua voz carregada de orgulho centenário, enquanto seu sangue ferveu só de pensar em um negócio tão humilhante.

— Mas o que mais podemos fazer, pai? — pressionou Su Yang, com um tom misto de frustração e resignação. — Eles claramente acreditam que podem capturar o planeta Nemo e os demais mundos que estamos abandonando, sem que a gente ceda de bom grado.

— Acham que podem transformar nossa turbulência na oportunidade deles, conquistando territórios independentemente do que ofereçamos.

— Então me diga, se já acreditam nisso, por que eles correriam risco de se aliarem a nós numa aliança perigosa? O que ganhariam com isso? — questionou Su Yang.

Ao ouvir essas palavras, Su Tang mergulhou em um silêncio mortal. A fúria que ardeu com tanta intensidade há instantes agora se acalmava diante da dura verdade que seu segundo filho tinha revelado.

— P-Mas, isso... Mas somos o Clã Su... — falou com uma voz desanimada, como se ao perceber no meio da frase, que o nome 'Su' não carregava mais tanto peso no universo como antes.

— E o que há se forem o Clã Su? Sem Su Ren, não somos nada.

— N-Não vou poder justificar para os demais membros do clã que o Clã Su se tornou subjugado ao Culto.

— Alguns dos nossos são ferrenhos demais, prefeririam a destruição a se aliarem ao Culto.

— Numa situação política como essa, é impossível. — concluiu Su Tang, enquanto Su Yang balançava a cabeça em compreensão.

— Os últimos dias tiveram que me fazer amadurecer muito mais rápido do que imaginei. Saí de um dos herdeiros mais privilegiados do universo para, de repente, ser um dos mais carregados de responsabilidade. — refletiu.

Só agora ele percebeu que, embora seu pai fosse Patriarca, grande parte de sua autoridade sempre vinha dele ser filho de Su Ren. Com seu avô desaparecido, esse poder absoluto se evaporara, deixando seu pai numa posição onde precisava consultar outros antes de decidir o futuro do clã.

— Entendo, pai... — disse Su Yang, desligando a chamada.


(Enquanto isso, Leo e Veyr, a poucos metros da porta do cativeiro)

— Isso é genial, primo! Se conseguirmos derrotar o Clã Su, teremos os primeiros passos de um movimento de resistência contra o Governo Universal. Estou impressionado com sua estratégia, — disse Veyr, enquanto Leo apenas balançava a cabeça em sinal de reprovação.

— É pouco provável que eles aceitem nossa oferta. Uma organização tão orgulhosa quanto o Clã Su não se ajoelhará assim tão rápido. Mas esse nunca foi meu objetivo real.

— Meu propósito hoje era apenas plantar uma semente de dúvida na cabeça deles — a ideia de que ainda há uma saída, se eles apenas se ajoelharem, — explicou Leo, enquanto Veyr inclinava a cabeça, levantando uma sobrancelha confuso.

— Pense assim: você é um comerciante rico, com um patrimônio avaliado em bilhões de MP. Com essa riqueza, está acostumado a um certo estilo de vida, um padrão que te define. Agora, se uma tragédia acontecesse e você fosse subitamente forçado a trabalhar como um funcionário de salário mínimo, a mudança seria insuportável.

— Mas imagine que, ao invés disso, você seja um escravo, alguém que nunca conheceu liberdade ou renda, e de repente seja promovido ao mesmo trabalho de salário mínimo. — continuou Leo. — Para você, a cama confortável para dormir, a comida que compra com seu próprio dinheiro, tudo isso pareceria um luxo que nunca imaginou ter.

— Então, o mesmo emprego, que parece uma ofensa e uma penalidade ao bilionário, vira um sonho realizado ao escravo, — explicou Leo, enquanto Veyr o observava, ainda confuso, mas atento.

— O Clã Su é como o bilionário neste exemplo. Eles apenas começaram a perder o que um dia tiveram. Então, para eles, nossa oferta parece abaixo de sua dignidade.

— Mas, quando chegarem ao fundo do poço... quando virem seus irmãos, mães e filhos sendo mortos, quando assistirem seus mundos serem conquistados e saqueados, quando sua influência diminuir a ponto de se tornar nada, aquele mesmo negócio que hoje desprezam será para eles o mel mais doce. — declarou Leo com uma certeza silenciosa, e dessa vez os olhos de Veyr se iluminaram, absorvendo completamente as palavras do primo.

— Quando retornarmos àquela sala, provavelmente Su Yang nos rejeitará. — falou Veyr.

— Mas tudo bem, talvez seja até melhor assim. — acrescentou Leo. — Antes de ele sair, vamos dar-lhe uma esperança: dizer que, se no futuro o Clã Su estiver disposto a aceitar essa proposta e se submeter por dois séculos, basta que os membros usem esse cristal de comunicação privado, e o Culto responderá imediatamente ao seu chamado por ajuda. — explicou Leo, enquanto Veyr finalmente compreendia o plano final. Por ora, eles só estavam colocando a isca; o momento de fisgar o peixe maior viria mais tarde.

— E, enquanto esperamos esse chamado... também podemos conquistar o planeta Nemo e outros mundos abandonados para nós, — sugeriu Veyr, finalmente entendendo a estratégia, enquanto Leo sorria e dava um joinha duplo.

— Exatamente. — confirmou Leo, com tom calmo, quase que casual, embora seus olhos brilhassem com uma frieza calculista. — Não importa se eles nos cuspirem na cara hoje. Amanhã, quando suas paredes estiverem em chamas e seu orgulho convertido em cinzas, lembrarão dessa proposta. E então… virão de joelhos.

Veyr riu baixinho, cruzando os braços satisfeito. — Você é perigoso, primo. Nunca gostaria de estar do seu lado numa guerra… —

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