
Capítulo 617
Assassino Atemporal
(Planeta Juxta, ponto de vista de Aegon Veyr)
Veyr chegou a Juxta sem aviso prévio, com passos leves porém deliberados, pois carregava o peso da estratégia em sua mente e buscava seu primo para acertar os detalhes da invasão que se aproximava do Planeta Nemo.
No entanto, assim que entrou na base fortificada do Culto, foi interceptado por um Tenente que bloqueou seu caminho com uma reverência apologética.
— Desculpe, Senhor Dragão, mas o Lorde Shadow Dragon está atualmente dentro da câmara de avanço, e nos foi orientado a não incomodá-lo — disse o Tenente educadamente, enquanto os olhos de Veyr se iluminavam de imediato de alegria.
— Finalmente indo além, hein? — comentou, um sorriso largo surgindo em seu rosto, enquanto esfregava as mãos com entusiasmo.
— Chegou a hora de você subir de nível, primo — acrescentou com uma risada brincalhona, orgulho misturado com uma satisfação genuína pela notícia.
— Certo, então vou falar com o Comandante. O Commander Charles está aqui? — perguntou com curiosidade casual, com os braços cruzados atrás das costas, como se já soubesse a resposta.
— Não, Senhor Dragão, o Commander também não está aqui. Ele saiu há apenas uma hora para assuntos urgentes e ainda não retornou — explicou o Tenente, com tom ainda cauteloso e respeitoso.
— Beleza, beleza… Então vou esperar — disse Veyr suavemente, balançando a cabeça em um ritmo lento, como quem já estivesse preparado para encontrar uma hospedagem temporária até que seu primo aparecesse.
Mas antes que se virasse, o Tenente hesitou, como se algo mais estivesse lhe pesando na língua, e finalmente se inclinou um pouco para frente para acrescentar em um tom mais baixo.
— Mas sabe quem está aqui? Ouvi dizer que o jovem mestre da Família Su acabou de chegar como mensageiro. Está sob nossa custódia e pediu que o Lorde Shadow Dragon fosse te encontrar. Mas, como o Lorde Leo está atualmente se preparando para sua ruptura, ainda não o incomodamos.
— Ah? — disse Veyr, com os lábios se abrindo em uma surpresa fingida, enquanto seus olhos brilhavam intensamente com a revelação, e por um momento a atmosfera ao redor dele mudou de uma diversão casual para um interesse aguçado.
— O jovem mestre da Família Su, aqui neste lugar… — refletiu, saboreando o inesperado golpe do destino, batendo os lábios como se estivesse apreciando a reviravolta.
— Então, por que não vou até lá eu mesmo — disse, com o tom carregado de travessura e cálculo, virando levemente, enquanto seu longo casaco esfregava o chão de pedra a cada passo.
O Tenente ficou tenso, mas rapidamente lhe prestou continência, percebendo que as palavras de Veyr não eram uma sugestão, mas uma declaração, e o acompanhou direto até a cela onde Su Yang estava sendo mantido.
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(Enquanto isso, dentro da cela, ponto de vista de Su Yang)
Su Yang sentia sua paciência sendo testada ao máximo pela forma como o Culto o tratava. Não só haviam algemado e acorrentado ele a uma mesa, como agora até impediam que visse Leo, fazendo-o esperar por um tempo incerto.
— Pela milésima vez… estou perguntando se seus homens já informaram Leo sobre minha chegada? — perguntou Su Yang, enquanto o Tenente na sua frente respondia com a mesma resposta de sempre, com expressão séria.
— O Lorde Shadow Dragon está ocupado com algo importante, assim que estiver livre, informaremos — explicou o Tenente, enquanto Su Yang revirava os olhos, incrédulo.
Nunca na vida tinha sido tratado com tanto desprezo e desrespeito. Normalmente, o nome da família 'Su' lhe proporcionava mais respeito e tratamento VIP onde quer que fosse.
— Sabe, se fosse a Família Su, mesmo que um mensageiro chegasse do Culto, nós daríamos uma resposta adequada e trataríamos com respeito básico.
Então, de novo… com o que Leo está ocupado? E quando virá here? — perguntou Su Yang, acentuando cada sílaba no final, apenas para que o Tenente respondesse com a mesma expressão de indiferença mais uma vez.
— Desculpe, não posso dizer com o que o Lorde Shadow Dragon está ocupado.
Você vai ter que esperar pacientemente até que ele venha.
Se se comportar mal, vamos jogá-lo numa cela — ameaçou o Tenente, enquanto Su Yang cerrava a mandíbula de tal forma que as veias de seu pescoço começavam a saltar.
— Ah, droga… — resmungou, inclinando-se para trás e fechando os olhos, aceitando, enfim, seu destino de esperar por um tempo incerto.
Porém, assim que ficou em silêncio, foi o próprio Tenente quem quebrou o silêncio.
— Aquela história de que a Família Su trata os mensageiros do Cult com respeito… Você realmente acredita nisso? — perguntou de repente, seu tom mais afiado do que antes.
Su Yang abriu os olhos novamente, fixando o olhar firme do homem, e assentiu sem hesitar. — Sim, claro que acredito. Somos uma família de monarcas benevolentes. Todos os mensageiros são tratados com respeito dentro da Família Su.
O Tenente escarneceu de imediato, com os lábios se curvando numa risada seca. — Monarcas benevolentes? Você realmente acredita nessa história de fadas? Você deve ser mais ingênuo do que imaginei.
— O que você quer insinuar? — perguntou Su Yang, com a voz baixa, ferido pelo escárnio.
— Estou dizendo que, se você acha que sua família já honrou as regras do respeito, você é um idiota — respondeu o Tenente, apoiando-se na cadeira com os olhos estreitos.
— Docê sabe o que aconteceu há duas centenas de anos? O Culto enviou um mensageiro à sua Família Su. Sabe o que aconteceu? Ele sequer passou pelos céus. Foi morto antes de seu navio receber permissão para aterrissar. Então, esqueça cortesia e respeito. Seus ancestrais não trataram os mensageiros do Culto com honra. Nem os deixaram vivos.
As palavras soaram como aço batendo em pedra, ecoando muito mais alto do que a sala silenciosa deveria permitir.
Su Yang arregalou os olhos, a respiração presa na garganta, seu instinto primeiro foi chamá-lo de mentiroso, mas, por alguma razão inexplicável, não falou nada.
As lições do pai, as palavras dos tutores, todas as histórias que lhe foram contadas desde criança se erguiam na sua mente como um escudo, pintando sua família como governantes nobres e justos das estrelas.
Porém, o rosto do Tenente não carregava a presunção de alguém que está brincando, nem a leveza de quem conta uma história falsa.
Era calma. Serena. Certeza.
E, pela primeira vez, a dúvida começou a penetrar no coração de Su Yang.
'Será que é verdade? Será que a Família Su realmente matou um mensageiro só por ser do Culto?' — pensou, seus olhos dourados se estreitando enquanto a inquietação se misturava ao estômago.
'Será que nunca realmente honramos as leis universais de respeito, de que mensageiros não devem ser mortos?' — refletiu, sentindo o peso da possibilidade das palavras do Tenente serem verdadeiras mais forte do que esperava.
Se fosse verdade, o que isso diria sobre o legado de sua família? Sobre a benevolência na qual sempre acreditou? — questionou, com as mãos cerradas, as correntes ao redor de seus pulsos balançando levemente enquanto o silêncio se aprofundava na sala.
Talvez… só talvez… a Família Su não fosse aquilo que ele sempre pensou.