Assassino Atemporal

Capítulo 618

Assassino Atemporal

(Cela de Detenção, Ponto de Vista de Su Yang)

Por meia hora, Su Yang permaneceu em silêncio absoluto, refletindo sobre o quanto sua visão universal estava equivocada, cada palavra do Tenente ressoando em sua cabeça enquanto a dúvida minava suas bases. Até que, inesperadamente, a porta de ferro da cela rangou ao se abrir e um homem extraordinariamente bonito entrou na sala.

*CLANG*

O Tenente, sentado do lado oposto, imediatamente se levantou, seu cadeira raspando fortemente contra o piso de pedra enquanto ele endireitava as costas e fazia uma saudação precisa, sua cabeça se curvando em um profundo cumprimento.

"Senhor Dragão—"

A voz do Tenente morreu na garganta enquanto Veyr avançava com seu habitual jeito confiante, dispensando as formalidades como se fossem uma mera brisa irritante.

Ele agarrou a cadeira vazia, girou-a sem hesitar e se sentou de costas, apoiando os braços na parte superior do encosto antes de descansar o queixo de forma preguiçosa nas mãos cruzadas, seu sorriso largo e despreocupado.

"Su Yang, do Clã Su…" Veyr falou com uma entonação que misturava zombaria e curiosidade.

Os olhos dourados de Su Yang fixaram nele sem vacilar, ainda com as mãos acorrentadas à mesa, mas sua voz firme como aço. "Cultivador do Dragão, e o criminoso mais procurado do universo… Aegon Veyr."

O sorriso de Veyr se alargou ainda mais com as palavras, inclinando a cabeça levemente como se estivesse saboreando o título. "Ah, tento," disse com um movimento casual de dedos, aceitando a afronta como se fosse um elogio.

Ele lançou um olhar lateral para o Tenente, piscando uma vez em sinal de displicência. "Nos deixe."

O soldado hesitou por um segundo antes de fazer uma reverência novamente, os botins ecoando pelo interior da cela enquanto saía, fechando a pesada porta com um abafado estrondo.

O silêncio voltou a estabelecer-se, mas desta vez carregava um peso diferente—menos do frio isolamento que Su Yang suportara na meia hora anterior, e mais da tempestade imprevisível que Veyr parecia ter trazido ao entrar na sala.

*tap* *tap*

Veyr batia de leve os nós dos dedos contra o encosto da cadeira enquanto seus olhos percorriam o rosto de Su Yang, como se estivesse o dissecar sem nunca brandir uma lâmina.

"Você sabe… Assisti à sua luta na final do Circuito Universal no ano passado. Naquela ocasião, você marcou um ponto, não foi? Um dos cinco. Os outros quatro foram marcados pelo seu primo Leo," Veyr mencionou casualmente, enquanto Su Yang aceitava a observação com indiferença.

"Bem, eu gostaria de te dar minha assinatura, mas minhas mãos estão presas a esta mesa, como você pode ver… então acho que vai ter que esperar até eu ser liberto," respondeu Su Yang, enquanto o sorriso de Veyr se expandia, aceitando a resposta com bom humor.

Ele só veio aqui para passar o tempo, mas, pelo jeito da coragem de Su Yang, sentiu que aquela conversa poderia realmente acabar sendo divertida.

"Então… por que você está aqui? E por que quer falar com meu primo?" Veyr perguntou, mudando a expressão para algo um pouco mais sério, enquanto Su Yang apenas encolhia os ombros em resposta.

"Vou falar do meu negócio com Leo Skyshard, e com mais ninguém. Nem com você, Senhor Dragão," disse Su Yang, com um tom de zombaria deliberada, enquanto Veyr se reclinava na cadeira.

"Ah, vamos lá, não precisa ficar assim, rapaz de olhos dourados. Apenas finja que eu sou meu primo e solta logo a verdade. Afinal, qualquer autoridade que ele tenha dentro do Cult, eu também compartilho," Veyr provocou, com um sorriso brincalhão, enquanto Su Yang bufava de desgosto com o comentário.

"Só porque você leva o título de Dragão não significa que seja tão qualificado quanto o Leo. Todo mundo no universo conhece a batalha entre vocês dois naquele dia. A única razão de você ser chamado de Dragão é porque o Leo não quis assumir esse papel."

"Então, embora você pense que está no mesmo nível dele… eu, pelo menos, tenho certeza no meu coração de que não está," disse Su Yang, com firmeza e voz fria.

Nesse momento, a diversão de Veyr finalmente desapareceu, seu ego ferido ao perceber a gravidade da discussão.

"Pois é, você não está errado nisso. Eu realmente perdi para meu primo naquele dia," ele admitiu lentamente, antes de seus lábios se curvarem novamente.

"Mas o que você não entende… você, forasteiro—

O primo escolheu que eu fosse o Dragão porque achou que eu seria mais adequado para o papel do que ele mesmo.

Fazemos tudo juntos, toda decisão que tomamos pelo Cult, nós fazemos em conjunto.

Então, mesmo que você pense que falará com ele sozinho, posso garantir que ele me contará tudo depois. Porque ele e eu… somos colados um ao outro assim."

As palavras pesaram mais em Su Yang do que ele esperava, uma carranca surgindo em seu rosto.

A maneira como Veyr descrevia seu vínculo com Leo era a mesma que Su Yang recordava do seu próprio relacionamento com ele na Rodova, quando treinavam juntos, comiam juntos e compartilhavam o mesmo sonho de chegar ao topo.

E, por isso, mesmo sem conseguir explicar exatamente o motivo, um ressentimento silencioso começou a surgir em seu coração.

"Você não o conhece tão bem quanto eu," Su Yang afirmou, com a voz ficando mais dura. "Fomos colegas de turma na Rodova, treinamos juntos, comemos juntos, sonhamos juntos. Você acha que o conhece? Posso garantir que eu o conheço melhor. Ele nunca revelará uma palavra do que eu digo a ele para um terceiro."

Su Yang afirmou, enquanto Veyr sentiu seu olho direito tremer com a declaração, seu sorriso vacilando enquanto uma indignação fervia por baixo da superfície.

Como ousa esse forasteiro sugerir que seu vínculo com Leo fosse mais forte que o dele próprio?

Simplesmente inadmissível.

"Ah, é? Você realmente acha que me conhece bem como eu o conheço? Meu filho, somos ligados pelo sangue.

IRMÃOS DE SANGUE.

Praticamente temos o mesmo cérebro!" Veyr disse com arrogância, enquanto o olho de Su Yang começava a tremer também.

"Ser ligado pelo sangue não significa nada. Se fosse assim, por que Kaelith matou o Assassino Atemporal?

Por outro lado, um homem escolhe seus próprios amigos.

E eu sou o melhor amigo do Leo!" Su Yang declarou, inclinando-se para a mesa, enquanto Veyr fazia o mesmo, encarando o outro de perto, como se pudessem ler a alma um do outro a queimar.

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