Assassino Atemporal

Capítulo 592

Assassino Atemporal

Os Cinco Grandes Deuses, no final, obtiveram condições levemente mais favoráveis do que o disposto no acordo que seguiram até então, sendo os principais pontos do novo pacto os seguintes:

1) Direitos de Recusa anuais:

Todas as dádivas pertencentes aos Cinco Grandes Clãs agora eram obrigadas a obter permissão explícita de seus respectivos clãs antes de entrarem ao serviço do Governo Universal.

Cada clã tinha o poder de recusar até mil dessas transferências por ano, protegendo assim seus membros mais promissores.

Exceção: o Clã Du, que, em reconhecimento ao seu apoio, havia recebido o triplo dessa quantidade.

2) Redução do Tributo Anual:

O tributo anual devido pelos clãs ao Governo Universal, previamente cobrado como proteção contra o Culto da Ascensão, foi reduzido em 20%.

Essa mudança surgiu de uma avaliação coletiva de que o Culto já não representava a ameaça existencial de há duas milênias, tornando assim uma frota menor suficiente para as necessidades de segurança.

Exceção: o Clã Du recebeu uma redução de 40%, como recompensa pelo apoio à traição de hoje.

3) Distribuição das Posses do Clã Su:

Com a morte de Su Ren, os alicerces do Clã Su estavam agora destruídos.

Todos os ativos, sejam planetas, territórios ou talentos, estavam sujeitos à redistribuição entre os clãs restantes, a serem reivindicados por força, mérito ou estratagema.

4) Suspensão de Reuniões Presenciais:

Após mais um ato de traição, os Cinco Grandes Deuses declararam que não confiavam mais no Governo Universal.

Consequentemente, todas as congressos presenciais, tradicionalmente realizados uma vez por século, foram suspensos pelos próximos dois mil anos, até a renegociação agendada deste pacto.


Esses termos, embora não fossem totalmente desfavoráveis, ainda estavam longe de satisfazer plenamente os Cinco Grandes Clãs, cujas ambições iam bem além de pequenas concessões e alívios temporários.

Entraram nessa cúpula com o objetivo de alcançar plena soberania, visualizando um futuro no qual seus clãs não mais se curvassem às imposições do Governo Universal, mas o que levaram consigo foram pouco mais do que correntes douradas.

Os privilégios concedidos eram suficientes para acalmar descontentamentos superficiais, mas longe do bastante para satisfazer corações inflamados de orgulho e sede de domínio.

Na verdade, eles saíam não como poderes livres trilhando seu próprio caminho, mas como vassalos um pouco mais confortáveis, ainda ligados a um trono distante que nem os temia nem os respeitava.

E, como se para deixar a ferida ainda mais aberta, um de seus aliados mais confiáveis jazia agora morto, sua linhagem reduzida a carne podre para os outros rotularem como presa fácil.

Assim, esse pacto não foi uma vitória, mas um lembrete — de que traições eram baratas para os aliados de Kaelith e Mauriss, e de que, se eles ousassem se rebelar, seriam eles os próximos a morrer.


Após a partida dos Cinco Grandes Deuses, a grande câmara do Pavilhão ficou estranhamente silenciosa, deixando apenas Kaelith, Mauriss e Helmuth sentados sob seus pilares titânicos.

Helmuth e Mauriss exalavam expressões de triunfo sem reservas, suas vozes transbordando a excitação da vitória, enquanto Kaelith permanecia com uma imobilidade pesada, o olhar fixo no mosaico do chão.

"Isso," roncou Helmuth, sua voz como um tambor reverberando pelo salão, "é a diversão mais intensa que tive em mil anos. Finalmente me libertei, sinto o peso da minha força pressionando contra resistência verdadeira... quase tinha me esquecido de como isso é intoxicante." Seus músculos imensos se contraíam ao enforcar os punhos, veias à mostra em um fervor contido, como se estivesse revivendo cada golpe na cabeça.

Mauriss, relaxado na cadeira com a sua típica expressão de satisfaçãp, soltou uma risada atravessando a sala. "Eu avisei, Kaelith! Não foi? Desde o começo, eu sabia que eles iam fraquejar. Que o momento ia chegar. Hah! E quando chegou, que espetáculo! Nós destruímos eles, completamente destruídos!"

Ele se inclinou de lado, cutucando o ombro de Kaelith repetidas vezes com um dedo comprido e pálido, seu sorriso se alargando a cada palavra. "Sabemos enganá-los todos, de verdade. Me diz aí se eu não tava certo."

Helmuth ignorou a troca, ainda mergulhado na adrenalina da batalha. "Os mortais não têm a menor ideia de como são sortudos," murmurou, meio para si mesmo, meio para a câmara reverberante.

"Lutar com a lâmina contra a lâmina, testar força contra força, sentir os ossos e tendões gritarem de esforço. Para nós, a divindade é uma prisão. Séculos de silêncio, eternidade de espera, e quando uma batalha finalmente chega, nossos inimigos nunca são dignos nem de resistir a um único golpe. Imagine viver sua vida como um guerreiro sem igual. Não é glória, é tormento."

Mauriss revirou os olhos, movendo a mão de forma desdenhosa. "Poupe-nos da sua poesia trágica, bestão gigante. Todos sabemos que você gosta de destruir coisas. Não precisa vestir isso de filosofia."

Sua expressão mudou ao dirigir o olhar para Kaelith, que permanecia imóvel, com uma expressão tensa e inflexível.

"Olhe," disse Mauriss mais baixo, cutucando Helmuth com um cotovelo afiado. "Veja só. Ele não parece feliz de jeito nenhum."

Helmuth finalmente virou-se, seu sorriso esmaecendo enquanto seus olhos se estreitavam. Ambos os deuses olharam para Kaelith, que não se moveu desde que os outros começaram a comemorar, seu silêncio pesando mais do que as antigas colunas do Pavilhão.

"Você... o que há com você?" perguntou Helmuth, enquanto Kaelith finalmente recuperava a compostura, mas sua expressão piorava ainda mais.

"A luta de hoje... acabou tão rápido, mesmo sendo quatro contra cinco."

— que tivemos a vantagem do início ao fim," afirmou Kaelith, enquanto Helmuth e Mauriss vibravam com suas palavras.

"Claro que tivemos a vantagem! Foi minha estratégia, afinal de contas!" disse Mauriss.

"Então, mesmo com o número menor, eu sozinho daria conta de três Deuses!" acrescentou Helmuth.

Mas a expressão de Kaelith não melhorava.

"Nenhum de nós saiu ferido hoje, nem fomos obrigados a recuar.

Porém, há 2200 anos, quando tentamos matar meu irmão depois que já havíamos matado meu pai, mesmo com os nove atacando ao mesmo tempo.

Não conseguimos matá-lo após uma luta que durou dois dias.

E no final, fomos todos nós quem estava exausto, mas ele ainda rugia para continuar." Kaelith apontou, enquanto memórias sombrias surgiam na mente de todos.

Nunca fez a pergunta em voz alta.

Nunca quis saber verdadeiramente quão forte Soron era, porque sentia que não tinha coragem para ouvir a resposta.

Apesar de serem todos Deuses, Soron sempre esteve em uma classe própria.

E, mesmo com a força inacreditável de Soron, ele nunca foi capaz de fazer seu pai suar em uma luta, nem mesmo até o dia em que seu pai morreu.

Assim, o pensamento que persistia na mente de Kaelith era um mais sombrio ainda.

Quão forte havia sido realmente seu pai, o Assassino Atemporal, em seu auge?

E o que o tornava tão temível, mesmo todos estando no mesmo nível de poder?

"Ei! Não adianta ficar pensando no passado," Mauriss interrompeu, tentando animar o ambiente.

"Nós ganhamos, Kaelith. Isso que importa. Vitórias assim de forma tão limpa não aparecem toda hora, então aproveite."

Helmuth riu. "Sim, irmão. Celebre primeiro. Se preocupe depois. E mesmo que ache que Soron seja forte, não se preocupe com ele, porque tenho certeza de que sou mais forte."

Ele reforçou a confiança, enquanto Kaelith finalmente soltava um suspiro longo, seguido de um sorriso suave.

De fato, tinham vencido hoje.

Tudo saiu conforme o planejado.

A Aliança Justa ainda estava intacta.

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