
Capítulo 591
Assassino Atemporal
A morte de Su Ren trouxe uma pausa constrangedora na batalha, pois todos cancelaram suas habilidades ativas por um instante para se reorganizar e recalibrar.
Os deuses que permaneciam de pé não falaram. Simplesmente assistiram às partículas da essência divina de Su Ren dissolverem-se na estrutura do Pavilhão, como um lembrete da verdade irrevogável que acabara de acontecer.
Um deus havia morrido.
Não pelas mãos do Assassino Atemporal.
Não em um plano selado.
Mas aqui. Agora. Bem diante de seus pares.
*BANG*
Helmuth recolheu sua machadinha, colocando-a sobre os ombros com um forte estrondo, esticando o pescoço e sorrindo com um sorriso ensanguentado.
Ao seu lado, Mauriss flutuava de lado, com um meio-sorriso, girando preguiçosamente no ar, como um homem que já sabia qual carta os outros estavam segurando.
Enquanto Kaelith, como sempre, permanecia imóvel no centro, sua expressão impenetrável, finalmente quebrou o impasse.
"Vocês desejam continuar lutando?" ele perguntou, com voz calma, equilibrada e impossivelmente pesada.
"Agora são quatro contra quatro. A decisão é sua." ofereceu, apontando a adaga de origem em direção aos demais.
"BAHAHAHA—"
Mauriss explodiu em risadas, selvagens e sem fôlego, como se as próprias palavras fossem uma frase de efeito que ele aguardava há séculos para ouvir.
"Ah, eu já sei o que vão escolher, Kaelith," disse, cabinando os dentes, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina de zombaria.
"Eles também sabem. Só não admitiram ainda."
Ele provocou, mas, apesar de sua insinuação, Lu Han avançou corajosamente, com queixo apertado e olhar fixo em Kaelith.
"Vou dizer nunca," ele afirmou, de forma direta, apontando para o Soberano Eterno.
"Nunca mais podemos confiar em você, sua cobra que matou o pai." continuou Lu Han, sua voz ficando mais agressiva.
"Você foi uma pessoa de confiança zero quando conhecemos você... e continua sendo uma pessoa de confiança zero agora." disse, a voz se elevando, enquanto sua fúria rompía a formalidade.
"Concordo," entrou Mu Shen, com os punhos cerrados ao lado do corpo.
"Eu também," adicionou Yu Kiro, com a mana crescendo por trás dele, indicando que estava pronto para lutar até o fim.
No entanto, Ru Vassa parecia hesitante.
"Estou dizendo, Ru," continuou Lu Han, virando-se agora para a única que parecia insegura entre eles, "se recuarmos do desafio hoje, poderemos jogar fora o 'Grande' em Grandes Clãs, porque seremos os servos do Governo Universal por toda a eternidade."
Ele declarou, exibindo finalmente o orgulho divino que todos compartilhavam.
Mas, infelizmente para ele, Ru Vassa não parecia ecoar sua raiva.
Ela apertou os dedos ao redor do pulso enquanto varria o campo de batalha, estudando as expressões sem sangue de Kaelith, Helmuth e Mauriss.
A Daga de Origem ainda tremeluziava levemente na mão de Kaelith, e o brilho de sua lâmina a perturbava de uma forma que ela não conseguia racionalizar.
Eles não poderiam vencer. Não assim.
Nãoquando o campo de batalha já tinha se deslocado de força para inevitabilidade.
E assim, ela respirou fundo.
"Que garantia temos," ela falou lentamente, com frieza e precisão, "de que, se voltarmos à mesa de negociações, vocês não vão matar mais um de nós na próxima?"
Seus olhos se estreitaram. "Porque, como Lu apontou… não confiamos mais em vocês."
Ela perguntou, enquanto o silêncio entre eles se alongava.
"Mauriss…." Kaelith pediu, enquanto Mauriss dava uma longa e exagerada suspiro, rolando os olhos com um ar dramático.
"Ah, por favor," disse ele. "Não é como se vocês confiassem na gente há 2.200 anos também. Querido."
Ele desceu flutuando até quase tocar o piso quebrado.
"Vamos fazer o que sempre fazemos."
Sorrindo ainda mais, ele continuou.
"Um contrato de alma."
As palavras pairaram no ar como fumaça.
"Uma renovação de termos por mais 2.000 anos de… parceria."
Disse de forma doce.
Mas, para todos eles, soava como se ele quisesse dizer 'escravidão'.
"Kaelith, Helmuth e eu ainda estamos dispostos a fazer algumas concessões. Vocês nos serviram bem no passado… Lealmente. Implacavelmente."
Ele sorriu como um comerciante prestes a vender uma herança roubada.
"E como bônus, até deixaremos vocês discutirem entre si como querem saquear e pilhar as terras do Clã Su. Dividam-nas como quiserem. Considerem isso sua recompensa."
*APLAUSOS*
Ele aplaudiu uma vez.
"Tudo que vocês precisam fazer é decidir nos próximos cinco minutos," ele disse de forma casual, esticando os braços atrás da cabeça.
"Porque, se tem uma coisa que Helmuth não é bom…"
"…é paciência."
Helmuth soltou uma risada baixa e gutural ao concordar com as palavras de Mauriss, o som vibrando pelas colunas do Pavilhão como uma tempestade se formando atrás de portas fechadas, enquanto a proposta de renegociar e distribuir as terras da Família Su entre eles deixava os Quatro Deuses hesitantes em atacar.
Suores escorriam silenciosamente pelas têmporas. Mana explodia por trás de expressões tensas. Cada um calculando, duvidando e lutando para responder à única pergunta que importava:
Eles se rendem? Ou lutam até o fim?
Até Ru Vassa fazer sua escolha por entrega facilitar a decisão dos demais.
"Muito bem, estou pronta para assinar o Contrato de Alma." ela disse, ao decidir ceder, colocando os outros três em uma desvantagem esmagadora.
"E vocês, o que vão fazer?" Kaelith pressionou, sendo Yu Kiro quem, logo após, entregou-se à praticidade.
"Desde que as renegociações sejam razoáveis..." ele murmurou, abaixando suas armas também, restando apenas Lu Han e Mu Shen resistindo.
"Desista, cara... Não conseguimos fazer isso sozinhos." disse Mu Shen, no final, todos os quatro abaixaram suas armas, dando a Mauriss uma razão para sorrir satisfeito.
"O que eu te disse, hein? Kaelith? Os Grandes Deuses já fizeram sua escolha. Eles só não quiseram admitir na época, mas, como bons meninos e meninas, agora…." Mauriss provocou, e suas palavras fizeram os quatro deuses sentirem seu orgulho se contorcer triste no peito, como uma lâmina sendo lentamente girada.
Nenhum deles falou.
Nenhum deles se virou para olhar um ao outro.
Porque olhar era confirmar a vergonha.
Reconhecer que tinham se rendido, não por força, mas por uma capitulação que se acumulava, um após o outro, até que a rebeldia se tornasse apenas um sonho distante.
Kaelith assentiu uma vez.
A Daga de Origem desapareceu de sua mão.
"Então vamos começar," ele falou.
E com essas quatro palavras, a história se curvou.
A cúpula deixou de parecer uma discussão hostil, ou mesmo uma negociação.
Parecia uma sentença, uma narração unilateral, onde os vencedores falavam em tons calmos e medidos, listando os termos de rendição como se estivessem fazendo um favor aos derrotados.
Ofereciam concessões como imperadores jogando migalhas a cães famintos… deliberadamente, com aparência generosa, mas calculado para humilhar.
E os deuses derrotados aceitaram, não como guerreiros em busca de equilíbrio, nem como governantes defendendo seu legado, mas como mendigos aceitando trocadas em uma esquina fria, com a cabeça baixa, orgulho engolido e um sorriso forçado que mal escondia o tremor por baixo.
Logo, com a ajuda da magia de Mauriss, as luzes do pavilhão mudaram sutilmente, iluminando o contrato de alma que se formara sem comando, agora esperando ser assinado e se tornar um acordo vinculativo.
Ru Vassa foi a primeira a avançar, com os olhos pesados.
Yu Kiro seguiu com os dentes cerrados.
Mu Shen arrastou os pés.
E Lu Han… simplesmente ficou ali por um momento, olhando para o lugar onde Su Ren tinha desaparecido, antes de se mover sem uma palavra, um turbilhão de emoções lutando dentro do peito.