Assassino Atemporal

Capítulo 599

Assassino Atemporal

(Algumas horas depois, Planeta Juxta, Escritório do Comandante Charles, ponto de vista de Leo)

Leo sentia a tensão pesada entre eles enquanto se sentava diante de Charles na sala apertada, o comandante militar parecendo muito mais sério do que o habitual.

O olhar de Charles cortava-o com intensidade afiada e constante, desvendando cada camada de fingimento até Leo se sentir exposto até a medula da alma, como se os olhos do homem estivessem declarando: "Eu sei o que você fez, e sei o que está tentando esconder."

"Qual é o problema, Comandante? Por que está me olhando assim?" perguntou Leo, finalmente, com tom calmo, mas cauteloso.

Charles revirou os olhos com exagero deliberado, embora sua voz ao falar fosse baixa e grave.

"Garoto…"

Ele se inclinou um pouco para frente, a presença pesada preenchendo o ambiente.

"Por que você matou o Décimo Segundo Ancião?"

Os olhos de Leo se arregalaram, seu pulso acelerando enquanto a incredulidade se espalhava pelo rosto. Ele não tinha ideia de como Charles tinha descoberto a verdade, e naquele momento soube que não tinha mais jogadas para mentir.

*Estalo*

Uma corda de intenção sombria surgiu de seu corpo, serpenteando pelo espaço até se ligar a Charles, a conexão pesada e sufocante.

Charles estreitou os olhos, a nitidez no olhar desafiando-o a dizer algo além da verdade.

"Então foi você que descobriu, hein," murmurou Leo, soltando lentamente uma respiração como se estivesse aliviando um peso.

"Sim, eu matei o Décimo Segundo Ancião…

Fiz isso por causa do modo como ele tratou minha família.

Ele foi quem colocou meu irmão em coma e, depois, descaradamente, manipulação suas memórias para colocar a culpa na Ordem Vermelha.

Ele é responsável por meu pai ficar cego de um olho e minha mãe passar noites em claro com pesadelos nos últimos meses.

O homem trouxe dor e desgraça para minha família, e não sentia vergonha por isso. Ele tinha que morrer, Comandante… depois de tudo que nos fez passar, ele tinha que morrer."

Charles estudou cuidadosamente a aura de Leo, os olhos se estreitando enquanto testava a veracidade em cada pequeno brilho de cor que se espalhava dele, então deu um pequeno aceno de cabeça.

"Soron sabe," disse Charles finalmente, com tom sério. "Ele monitora as vidas dos Anciãos e dos Dragões. Se um deles morrer, ele percebe imediatamente. Sua aventura não passou despercebida."

Leo apenas deu de ombros, os olhos inflamados de desafio.

"Ah, eu já sabia que ele ia descobrir. O próprio Décimo Segundo Ancião me avisou antes de morrer que, se o matasse, o Soron me puniria."

"Mas você fez isso mesmo assim?" Charles perguntou, com surpresa no rosto.

"Sim, fiz. Não ia deixar um canalha que trouxe tanto sofrimento para minha família continuar respirando. Conhecia os riscos, mas decidi matá-lo porque era o certo a fazer. Não sou um lunático descontrolado… mas qual é a graça de treinar tanto, de ficar tão forte, se não posso nem vingar minha família?" declarou Leo, suas palavras afiadas, porém firmes, enquanto os lábios de Charles se curvavam numa expressão que oscilava entre aprovação e advertência.

"Todo problema tem uma solução, garoto, e matar nem sempre é a resposta. Ações assim não condizem com a imagem de um suposto herói.

Você tinha provas, não tinha? O suficiente para enterrá-lo na Justiça. A Seita da Ascensão pode estar podrida, mas nem os Anciãos estão acima da lei. O Supremo Tribunal de Vorthas poderia ter lhe tirado o título, até mesmo colocado correntes nele. Mas esse… esse caminho que você escolheu é perigoso.

Se seu segredo vazar e o caos sair do controle, pode chegar um dia em que eu seja forçado a prender você. E acredite, garoto… mesmo sem querer, se esse dia chegar, não vou hesitar."

Leo se recostou, expressão firme.

"As cortes não matariam ele, Comandante. E eu o queria morto. Essa é a minha justiça."

Charles exalou com força, levando os dedos ao puente do nariz como quem tenta afastar uma dor de cabeça crescente.

"O que faço contigo?" murmurou.

Ele deixou o silêncio pairar por um momento, o sussurrar tênue das luzes acima ecoando pela sala, antes de falar novamente.

"Só não faça isso de novo… Se você quer substituir o Conselho, inicie uma revolução. Exponha os crimes deles ao público, destrua suas reputações até o pó, e destrua-os de verdade. Métodos clandestinos como assassinato não combinam com a imagem de um Dragão."

Leo balançou a cabeça lentamente.

"Ainda não planejo matar mais ninguém, mas não posso garantir que isso nunca vá acontecer se algum deles vier atrás de mim. Eu não sou o Dragão, Comandante. Sou o Dragão das Sombras.

E antes de morrer, o Décimo Segundo Ancião admitiu algo — o Conselho está tramando contra mim. Querem diminuir minha influência. Com duas escravas de nível Monarca às minhas ordens, tenho força equivalente a um exército, e eles odeiam isso.

A lógica me diz para atacar primeiro, mas não vou. Ainda não. Porque já tenho um espião infiltrado nas fileiras deles. Mas escute, Comandante… se eu detectar qualquer perigo dirigido a mim ou à minha família, vou enviar a Víbora para visitá-los antes do amanhecer."

Charles cerrava os punhos sob a mesa, lutando contra a tempestade no peito.

Por um lado, a crueldade do garoto espelhava tão de perto seus próprios instintos que era difícil repreendê-lo.

Mas por outro, ele sabia que a imagem de um Dragão das Sombras caçando Anciãos na escuridão poderia destruir a frágil unidade do Culto.

Então, finalmente, com uma longa respiração, decidiu ceder.

"Tudo bem. Mas seja inteligente. Me informe antes de agir, e sempre prepare uma contingência pública.

Se tudo sair do controle, precisará da opinião do povo ao seu lado.

No final, eu só sigo as ordens do Soron, e enquanto ele não me ordenar a prendê-lo, não farei isso."

Leo sorriu alegrement, dando um toque de positiva com um polegar levantado.

"Obrigado por entender, Comandante." disse, enquanto Charles mais uma vez comprimida o nariz.

"Não… não me agradeça, garoto travesso. Era para eu te repreender hoje, não para concordar com você…" ele murmurou, aparentando estar mais decepcionado consigo mesmo do que com Leo.

No entanto, não pôde deixar de concordar com a lógica de justiça do menino, pois ele próprio não era muito diferente.

"Vamos dar uma passada no Soron mais tarde hoje, então vista-se bem formal e avise aos seus guardas que não os levará com você até Ixtal.

Saimos em duas horas…" disse, enquanto expulsava Leo do escritório com desânimo.

"Agradeço tudo que faz por mim, Comandante. Sei que posso ser um pouco difícil.

Mas confie em mim quando digo… é só graças a você, e a pessoas como você, que ainda tenho um pouco de lealdade ao Culto. Sem você aqui, eu realmente não ligaria para essa organização."

Leo falou, enquanto Charles paralisava com as palavras, a expressão entre orgulho e temor, como se estivesse incerto se deveria interpretá-las como um elogio ou um aviso, antes de acenar em silêncio.

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