
Capítulo 577
Assassino Atemporal
(Planeta Vorthas, Ponto de Vista de Leo)
Após completar seu treinamento com o Décimo Primeiro Ancião, Leo voltou para o planeta Vorthas, sem nenhum outro treinamento de habilidades marcado para as próximas três semanas, tanto para ele quanto para Veyr.
Ao chegar, primeiro foi se encontrar com Mu Fan, que havia ficado visivelmente pálida nas últimas duas semanas, com o veneno começando a deteriorar sua condição física.
Seu rosto, antes radiante, agora apresentava uma palidez fantasmagórica, o calor em suas bochechas substituído por um tom doentio, quase translúcido.
Sombras escuras permaneciam teimosamente sob os olhos dela, enquanto os lábios estavam completamente sem cor, rachando levemente nas bordas.
Até mesmo sua postura mudara, como se o peso do veneno estivesse consumindo sua força a cada hora que passava... e, still, seu olhar ainda tinha aquela expressão afiada, como se se recusasse a ceder à fraqueza.
"Fiz tudo que você pediu.
Coloquei seu agente ao lado do Décimo Segundo Ancião, Copiei uma anotação da agenda dele e ainda peguei alguns pares extras de roupa, exatamente como você quis." Mu Fan falou com uma voz suave, o veneno aparentemente afetando também sua capacidade de falar alto.
"Mmhmmm..." respondeu Leo, como se não estivesse interessado nesses detalhes minuciosos, apenas fixando o olhar nos olhos de Mu Fan e encarando-a intensamente.
"Você fez alguma coisa nos últimos dias que possa me trair, ou trair meu plano?" Leo perguntou, enquanto Mu Fan balançava a cabeça sem hesitar.
"Não—" ela respondeu com firmeza, e Leo observou o contorno de sua aura, que permanecia inalterado.
"Muito bem... Bom trabalho. Continue assim e logo te entregarei a cura," disse Leo, virando-se para sair de sua sala.
"Diga ao Chaosbringer para encontrá-lo aqui daqui a quatro horas.
Ele irá passar o Chaosbringer pela Mansão Skyshard sem que os guardas percebam." Leo instruíra antes de sair, e Mu Fan respirou aliviada, como se não soubesse que estava segurando o ar.
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De volta à Mansão Skyshard, uma tensão palpável pairava no ar. Ficou claro para todos os membros da família que algo sério acontecia nos bastidores, uma suspeita alimentada pelo comportamento extremamente reservado de Su Pei nos últimos dias, e ainda mais confirmada pela chegada inesperada de Cervantez e Gimli de Terra Nova.
Até Leo ficou surpreso ao reencontrar Cervantez, pois não imaginava ver o homem ali, principalmente na Mansão Skyshard.
Da última vez que vira Cervantez, no Navio Arc, ele era um guerreiro totalmente humano, com cabelo dourado bem penteado e olhos azuis afiados que transmitiam autoridade.
Mas o homem diante dele era algo totalmente diferente... Parecia parte humano, parte animal modificado geneticamente.
Seu olhar, que antes era humano, agora tinha pupilas de felino estreitas e verdes profundos — sinal evidente de modificação genética. Uma fina camada de pelos com padrão traçada ao redor do maxilar e subindo até as têmporas se misturava naturalmente à pele.
Seus gestos e postura estavam mais afiados, mais instintivos, com a confiança silenciosa de um predador.
Mas isso não era tudo.
Não só parecia ter modificado seu DNA, como também parecia ter se aventurado na cybernética. Antes, sua mão direita era de carne e osso; agora ela era uma prótese cibernética de acabamento fosco-preto, bastante poderosa.
O revestimento era elegante, porém resistente, com juntas reforçadas, e o antebraço tinha um compartimento segmentado que se abria, revelando um lançador de mísseis de dupla câmara compacto, com duas munições especiais encaixadas.
Era uma transformação audaciosa e inovadora: Cervantez não era mais o guerreiro de cabelos dourados e olhos azuis que Leo conhecia, mas uma combinação de besta, homem e máquina.
"O que aconteceu com você?" perguntou Leo, enquanto Cervantez riu da sua pergunta, antes de soltar uma respiração profunda.
"É uma história longa... Mas foi difícil sobreviver na linha de frente de Terra Nova...
Precisava ficar forte e rápido, então optei pela modificação genética.
Sabia que isso ia limitar meu potencial daqui pra frente, mas na época estava desesperado por melhorar, e não me arrependo da decisão.
Sobre o braço... Perdi ele na batalha, então tive que trocá-lo.
Mas ficou bem, é uma melhora legal, gostei," ele falou, enquanto Leo apertava sua mão e o abraçava firmemente.
"Parece que você passou por muita coisa." Leo comentou, enquanto Cervantez ria mais uma vez.
"Sim, sim, passei...
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Depois que Leo cumprimentou todos em casa e conseguiu se livrar das perguntas incessantes sobre o que tinha feito, finalmente puxou Alia, Cervantez e Gimli para o lado, guiando-os por um corredor silencioso até uma das salas de reunião menores, afastada de olhares e ouvidos curiosos.
*Clique*
Ele fechou a porta com firmeza, virando-se para encarar os três com uma seriedade que cortava qualquer clima de reencontro casual.
"Olhem," Leo começou, com um tom que não deixava espaço para justificativas, "não quero envolvê-los no que está acontecendo, então não me perguntem demais. Assim, mesmo que sejam pegos e levados para uma avaliação psicológica, não vão escorregar... porque não saberão o suficiente para fazer isso."
Deixou aquilo marinar um momento antes de continuar: "O que quero de vocês," apontando para Cervantez e Gimli, "é cuidar de um homem e garantir que ele não morra."
Vão atuar como meus médicos e como meus carcereiros, e a principal missão é manter meu alvo respirando.
Sem sangrar demais, sem ficar sem comer, nem quebrar a cabeça dele para facilitar a morte. Vou quebrá-lo, e vocês vão consertá-lo. Simples."
O olhar de Leo se endureceu enquanto deixava bem claro: "Não importa o quanto ele implore, nem os benefícios que ofereça para ser libertado, nunca o façam. Entendido?"
Cervantez e Gimli trocaram um rápido olhar e assentiram em uníssono, quem sabe preocupados com o peso daquele pedido.
Satisfeito, Leo voltou-se para Alia. Sua voz ficou um pouco mais suave, embora o olhar permanecesse firme.
"Sogra… Vou te contar tudo que sei depois. Mas, por enquanto, saiba somente uma coisa —" ele fez uma pausa, mantendo o olhar nela, "— nossa vingança virá em breve."