Assassino Atemporal

Capítulo 578

Assassino Atemporal

<(Algumas horas depois, ponto de vista de Chaosbringer)>

No momento em que Chaosbringer avistou o homem esperando ao lado dos portões, sua garganta se apertou e seus olhos de imediato se encheram de lágrimas.

Ele tinha imaginado aquele dia mil vezes em sua mente.

Sonhou, rezou pelas estrelas, implorou pelo acontecimento, e agora, finalmente, estava ali.

"Você é o homem que vai me levar para encontrar o Senhor Chefe?" pediu Chaosbringer, sua voz tremendo como a de um peregrino que acabou de chegar às portas de um templo sagrado.

A sobrancelha de Su Pei se franziu levemente. "Senhor Chefe? Você quer dizer Mestre Leo?"

Chaosbringer respirou fundo, agarrando as mãos ao peito como se o próprio nome fosse uma bênção divina. Seus lábios se curvaram em um sorriso sereno, quase de êxtase. "Você… você conhece o nome verdadeiro do Senhor… Ele deve confiar muito em você."

Então, com a sinceridade de alguém que agradece a um profeta, ele sussurrou: "Obrigado… obrigado por vir aqui me levar ao meu Senhor e Salvador."

A maneira como olhava para Su Pei fazia parecer que o homem tinha brotado asas angelicais ali mesmo, na hora.

‘O que há de errado com esse doido?’ pensou Su Pei, lutando para não recuar um passo. Ainda assim, manteve seu tom neutro e profissional ao virar-se e instruir Chaosbringer a seguir com ele.


Nem cinco minutos se passaram desde que ambos começaram a jornada, quando Chaosbringer de repente diminuiu o passo e levantou a mão.

"Espere… espere um instante, por favor, cavalheiro,"

Ele pediu, enquanto Su Pei parava, observando com uma leve confusão ao ver Chaosbringer pegar seu anel de armazenamento, tirar um delicado lenço branco e passar com cuidado na testa, apagando cada gota de suor como se fossem um insulto à sua existência.

Depois, ajeitou suas roupas com movimentos precisos, umedecendo os lábios como um ator se preparando para o palco, antes de acenar solenemente e seguir em frente.

Su Pei não disse nada na primeira vez. Ou na segunda. Mas, na terceira parada em menos de vinte minutos, sua paciência finalmente se esgotou.

"Por que paramos tanto assim?" perguntou, franzindo o cenho.

Por um momento, Chaosbringer não respondeu. Simplesmente inclinou a cabeça para trás, olhando para o céu da noite com um sorriso suave, quase nostálgico, e depois baixou o olhar, fixando os olhos em Su Pei.

"Não sou um guerreiro como você," começou com sinceridade. "Meu corpo cansa após poucos passos. Minhas roupas enrugam. Gotas de suor feias aparecem na minha testa. Mas…" sua voz suavizou, reverente. "…Recuso-me a encontrar o Senhor Chefe parecendo um caipira. Tenho que me apresentar na sua melhor postura. Por isso, paro para corrigir esses pequenos detalhes."

O olho esquerdo de Su Pei piscou de irritação.

Se fosse Dupravel aqui no lugar dele, não duvidaria que Chaosbringer já estaria desacordado e pendurado no ombro de alguém.

Porém, Su Pei era, infelizmente, um homem educado.

Então, apenas suspirou, ajustou seu ritmo e continuou caminhando em direção à Mansão Skyshard, quase em ritmo de tartaruga.

Quase cinquenta minutos depois, finalmente chegaram à cerca da propriedade.

"Suba aí," instruiu Su Pei, agachando-se um pouco. "Eu vou te passar por trás."

Chaosbringer obedeceu com toda a hesitação de uma donzela entrando a cavalo pela primeira vez.

Ele subiu com cuidado, colocando os braços ao redor dos ombros de Su Pei com o aperto mais delicado e leve possível, até sentir os músculos fortes das costas do outro.

"Nossa... você é forte." Disse, com um tom tímido, enquanto uma sensação de pavor corria pela espinha de Su Pei.

'Não... não... NÃO!' pensou Su Pei, e sem dizer uma palavra, passou rapidamente pelos sistemas de segurança e deixou Chaosbringer na varanda da frente como uma carga indesejada, antes de desaparecer num borrão, decidido a não ter mais nada a ver com aquele homem estranho.


*Ding* *Dong*

Chaosbringer, nervoso, apertou o sino da Mansão Skyshard, enquanto Jacob se aproximava para abrir a porta.

*Clique*

Jacob olhou fixamente para Chaosbringer por um instante, depois se virou e gritou: "Leo, seu braço direito está aqui…" enquanto se acomodava ao lado e fazia um gesto para Chaosbringer entrar.

'Braço direito?' pensou Chaosbringer, o peito se inflando de orgulho, enquanto entrava na Mansão Skyshard como se fosse uma terra sagrada.

'É aqui que ele mora… É a casa do Senhor Chefe!' pensou Chaosbringer, resistindo à vontade de simplesmente cair ao chão e adorar a madeira sob seus pés.

Em vez disso, permaneceu de pé, esperando que Leo aparecesse.

*Passo*

*Passo*

*Passo*

Ouviu alguém descendo as escadas, e seu coração acelerou de expectativa.

Alguns segundos depois, Leo apareceu, vestindo jeans simples e uma camiseta, com um sorriso tranquilo no rosto, e Chaosbringer imediatamente caiu de joelhos.

"Este humilde servo saúda o Senhor," disse Chaosbringer com o tom mais reverente que sua voz conseguiu, abaixando-se até quase tocar o chão com a testa.

Leo não hesitou por sequer um segundo. Sua voz foi quente e certeira, carregada de autoridade e familiaridade.

"Chaosbringer... meu braço direito!"

Ele avançou e colocou as mãos firmes em cada ombro de Chaosbringer, dando uma tapinha sólida, quase como de irmão.

O gesto simples quebrou toda a calma que Chaosbringer ainda tinha.

Um soluço preso na garganta se soltou, e no instante seguinte, a barragem rompeu totalmente.

Lágrimas correram livremente pelo rosto dele. Os ombros tremeram sob o aperto de Leo enquanto tentava, em vão, falar, conseguindo apenas pedaços de gratidão.

"Meu Senhor… você… você ainda..." Sua voz virou um rasgo, e ele desistiu de palavras, abaixando a cabeça enquanto as lágrimas caíam livremente, pingando no chão de madeira como oferendas em um altar.

Leo manteve o momento, com as mãos firmes nos ombros de Chaosbringer, um sorriso sutil puxando seus lábios.

"Você fez bem em chegar até aqui. Agora, levante-se, já ficou longe demais."

Chaosbringer obedeceu, mas seus olhos nunca deixaram o rosto de Leo, como se tentasse gravar cada detalhe na sua alma.

"Eu atravessaria todos os mundos, enfrentaria todas as lâminas e queimaria em todos os infernos se fosse para servir você de novo, meu Senhor," sussurrou, a voz ainda trêmula.

"Então, é exatamente onde você pertence," respondeu Leo simplesmente, e abraçou Chaosbringer numa quente saudação.

De todos seus seguidores, Leo não tinha dúvidas: Chaosbringer era o mais leal.

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