
Capítulo 556
Assassino Atemporal
(Planeta Morod, Prisão Central).
Após chegar ao Planeta Morod, lar do Segundo Ancião, Leo ficou surpreso ao ser chamado para a Prisão Central, uma localidade que achava pouco apropriada para iniciar seu treinamento.
Ele foi conduzido pelo corredor lotado da prisão, passando por fileiras de celas apertadas, enquanto o discreto cheiro de sangue, suor e sujeira invadia seu nariz.
*Clink*
*Clink*
A cada passo pelo corredor de chão de ferro, o som abafado das correntes se chocando ecoava, enquanto os presos olhavam de trás de grades enferrujadas, com olhos vazios e carregados de ressentimento.
Não eram a maioria criminosos comuns.
A postura e o olhar endurecido revelavam anos na linha de frente de batalhas, mas agora eles estavam reduzidos à condição de seres apodrecendo na sujeira, cabelos desgrenhados, pele pálida e corpos enfraquecidos pela má alimentação.
Alguns o amaldiçoaram em sussurros, enquanto outros apenas o encararam em silêncio, fracos demais para sequer lançar insultos.
Leo percebeu que muitos deles eram espionagem capturada ou inimigos de alto valor do Culto, despojados de sua dignidade e abandonados a apodrecer naquele lugar.
No entanto, ele não lhes lançou nem o mais leve olhar de piedade.
*Passo*
*Passo*
Logo, desceu uma escada, o ar ao redor tornando-se mais frio e úmido, até chegar ao segundo subsolo, onde ficavam as salas de execução.
A atmosfera aqui era mais pesada, quase sufocante. As paredes do corredor eram alinhadas com portas de aço grossas, cada uma marcada por arranhões profundos, como se mãos desesperadas tateassem por salvação em seus momentos finais.
O leve aroma de veneno antigo ainda pairava no ar, uma lembrança sombria do propósito dessas salas.
E, bem no fim do segundo subsolo, em uma sala aberta, aguardava o Segundo Ancião, ao lado de um homem que só poderia ser descrito como um tatuador de aparência assustadora.
A pele do homem misterioso estava coberta por tatuagens escuras e detalhadas, que se estendiam do pescoço até os pulsos, formando padrões que se torciam como serpentes vivas sob a luz do subsolo.
Um grande piercing em formato de anel pendia de cada orelha, balançando lentamente enquanto ele virava a cabeça para olhar Leo.
"É esse o garoto?" Ele perguntou, já que o Segundo Ancião apenas assentiu de forma silenciosa, indicando que Leo se sentasse.
No centro da sala, havia uma cadeira de metal pesada, que Leo reconheceu imediatamente.
Era o tipo usado para imobilizar os presos antes de sedá-los e executá-los, com um veneno lento e doloroso que corria pelas veias até o coração parar.
No entanto, o sistema de execução havia sido recolocado em um canto afastado da sala, com tubos e agulhas desconectados.
Em seu lugar, uma bancada de tatuagem foi preparada, equipada com ferramentas estéreis, frascos de tinta e uma matriz levemente luminosa gravada ao lado dela na mesa.
*Bzzzzttt*
O som de zumbido da agulha de tatuagem preenchia o ambiente, e qualquer dúvida remanescente de Leo sobre o que poderia acontecer a seguir desapareceu completamente ao ouvir aquele som.
*Suspiro*
Respirando fundo, ele removeu o robe dos ombros, deixando-o cair ao redor da cintura, e sentou-se na cadeira, com o torso nu.
"Para aprender minha técnica, você precisa primeiro receber a Marca de Parinthrak, o antigo Deus da Morte. Não se preocupe, Veyr também a recebeu, assim como eu," disse o Segundo Ancião, enquanto puxava de volta seu próprio robe, revelando a tatuagem brilhante cobrindo metade do corpo, idêntica à que Veyr tinha.
"Este homem aqui é o Mestre Supremo em Runas, Mikanos. Ele é um dos dois únicos especialistas em Codificação Runica Suprema no universo."
"Comandante Charles o capturou pessoalmente, há cerca de cinquenta anos, quando ainda protegíamos a facção justa. Ele originalmente era residente de um planeta neutro," explicou o Segundo Ancião, enquanto Leo fazia uma reverência respeitosa ao tatuador de elite.
*Riso discreto*
O homem tatuado soltou um leve risinho enquanto ajustava a postura de Leo, começando a marcar o contorno da tatuagem com traços grosseiros pelo corpo dele.
"O outro garoto que tatuei há alguns meses gritou a semana toda. Precisei parar duas vezes só para ele se recuperar. Espero que você não reclame tanto," disse Mikanos, em tom frio, enquanto Leo levantava uma sobrancelha, confuso, e olhava para Dupravel, que lhe deu uma confirmação tranquilizadora com a cabeça.
Leo não sentia qualquer intenção de agressão por parte do tatuador, o que o deixava relativamente mais tranquilo, mas ainda assim havia algo desconfortável em estar tão próximo dele.
A aparência e presença de Mikanos carregavam uma aura assustadora que Leo não conseguia ignorar; apenas olhar para as marcas no corpo dele por muito tempo já dava calafrios nele.
"Não se preocupe, o que você está sentindo agora é totalmente natural.
As marcas que cobrem meu corpo são chamadas marcas de intimidar, e servem para que todos que olhem para elas sintam medo e respeito por você.
É preciso ter uma mente forte, se elas só te incomodam um pouco, porque normalmente, guerreiros do Grau Grande-Mestre tremem na minha presença," tranquilizou Mikanos, enquanto Leo finalmente compreendia o motivo de seu nervosismo.
Com a explicação, Mikanos retomou seu trabalho em silêncio, suas mãos se movendo com uma precisão que refletia décadas de prática.
A discreta raspa de sua ferramenta de marcação traçava cada linha curva e aresta aguda do sigilo do deus da morte na testa, ombros e costas de Leo.
Ele trabalhava de forma metódica, às vezes circulando a cadeira para observar seu trabalho de diferentes ângulos, com um olhar atento e calculista.
Quando a linha final foi traçada, ele deu um passo atrás, com os olhos estreitando enquanto examinava o contorno completo.
Depois de uma breve pausa, assentiu com um único movimento de cabeça e virou-se para a mesa de metal ao lado, onde pequenos frascos de tinta preta, prateada e carmesim estavam organizados ao lado de agulhas finamente polidas.
Sem hesitar, Mikanos escolheu um frasco de tinta tão escura que parecia absorver a luz, carregou-o na agulha zumbindo e voltou ao lado de Leo.
Colocando seus dedos firmemente sobre o ombro esquerdo do jovem, ele quase o ancorou para o que estava por vir.
"Minha técnica de gravação se chama 'marcar a carne'. É uma das técnicas de Runas mais dolorosas do universo. Prepare-se para sentir dor dos dedos dos pés ao topo da cabeça. Mas, digo… segure o choro, porque isso quebra meu foco e torna o processo menos prazeroso para mim."
*Perfuração*
Assim que a agulha penetrou na pele dele, uma dor ardente, como uma linha de metal derretido, invadiu seus nervos, espalhando-se como se o metal estivesse sendo despejado diretamente em suas veias.
O queixo de Leo travou, a respiração presa até a metade, enquanto a dor atravessava seu corpo com uma brutalidade que nenhuma lâmina, queimadura ou osso quebrado tinha igual.
Não era a dor aguda de uma ferida, nem o desconforto de um impacto forte, mas um calor abrasador, invasivo, que parecia rasgar até a medula, puxando cada nervo junto.
Seus músculos reagiram por reflexo; ele lutou para mantê-los imóveis, respirando fundo e devagar pelo nariz, como se estivesse se segurando contra a maré.
Com o passar do tempo, a sensação não desapareceu. Ao contrário, intensificou-se, corroendo mais fundo a carne e o tendão, até que cada batida do coração parecia martelar a dor ainda mais fundo.
"Se está se perguntando quanto tempo levou," murmurou Mikanos sem levantar o olhar, "exatamente duas segundos."
Leo Rangeu os dentes, e, apesar de todos os esforços para ficar em silêncio, um rosnado baixo escapou.
“…droga.”
Não foi alto, mas bastou. O som provocou um leve sorriso de diversão nos lábios de Mikanos, enquanto Leo, com uma sensação sombria, percebeu que as próximas horas dariam a impressão de serem uma eternidade.