Assassino Atemporal

Capítulo 555

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia)

Leo retornou para Tithia logo após o início do Procedimento de Transferência de Reféns, pois naquele momento não havia mais nada que pudesse acrescentar ao esforço de guerra.

Su Pei, Dupravel, Ben e Dumpy o acompanhavam, totalmente alheios ao fato de que sua entrada causaria uma dor de cabeça gigantesca para o Conselho de Anciãos.

Somente após chegarem a Tithia o Conselho de Anciãos soube dos detalhes exatos por trás da rendição de Su Pei.

Naturalmente, ficaram sem fala ao descobrirem que Su Pei não havia se entregado ao Cult de fato, mas se vinculou através de um contrato de senhor e escravo a Leo pessoalmente, deixando muitos deles estupefatos.

"Isto é absolutamente escandaloso! O Dragão da Sombra agora tem dois guerreiros de Nível Monarca trabalhando para ele!

Se continuar assim, ele vai ficar mais poderoso do que as forças do Cult.

Na verdade, talvez ele comece a agir igual ao Charles, que não podemos controlar...." reclamou o Primeiro Ancião, enquanto quase todos no Conselho concordavam com sua opinião.

"Mas não é como se pudéssemos puni-lo também… Afinal, ele não está infringindo nenhuma lei de fato.

Sei lá, ele fez um grande favor ao Cult ao fazer um comandante inimigo formidável se submeter a ele." argumentou o sétimo ancião, enquanto os outros se viam em um dilema moral.

Por um lado, não tinham motivos para repreender Leo por suas ações, mas por outro, não gostaram nem um pouco dessa situação.

Sendo políticos ambiciosos como eram, não conseguiam conceber a ideia de alguém ter mais poder do que eles, e era por isso que a influência crescente de Leo os deixava todos alarmados.

"Bom, as eleições estão chegando em alguns meses, neste momento não é hora de antagonizar o Dragão da Sombra ou fazer jogadas políticas de risco contra ele.

Mas, depois que as eleições forem concluídas… precisamos encontrar uma maneira de impor limites a esse garoto." sugeriu o Quarto Ancião, enquanto quase todos na conferência concordaram com a cabeça.

"Sim, por ora, vamos focar em colocá-lo para treinar, assim ele não terá tempo para pensar em outra coisa.

Proponho que o enviemos ao Segundo Ancião para aprender a técnica proibida que o Veyr já domina.

Podemos até usar como desculpa o fato de o Veyr estar ocupado com as tarefas de guerra, tornando essa uma oportunidade perfeita para seu treinamento individual." sugeriu o Décimo Segundo Ancião, e mais uma vez, todos murmuraram em aprovação.

"Certo, está decidido... enviem uma ordem executiva ao Dragão da Sombra.

Informem que ele deve se apresentar para treinamento amanhã de manhã no planeta Morod." disse o Primeiro Ancião, encerrando finalmente a chamada.

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(Ponto de vista de Leo)

Mal havia pisado de volta em Tithia quando, sem sequer tempo para respirar ou descansar, uma ordem chegou — ele devia se apresentar em Navarro Morod no dia seguinte para treinamento.

"Que porra? Eu nem tive chance de avisar minha namorada que estou vivo e de volta… Por que eles não podem esperar um ou dois dias?" murmurou, frustrado, enquanto Ben colocava uma mão reconfortante em seu ombro e sorria.

"Relaxa, meu garoto. Tenho mandado recortes da Amanda com notícias de que você está vivo quase todo dia. Como estou bem destruído, estou indo me recuperar em Vorthas, então vou passar a mensagem."

Leo soltou um suspiro pesado, deixando a tensão diminuir um pouco.

"Su Pei, se não se incomodar, me acompanhe até minha casa por alguns dias. Meu irmão passou por umas dificuldades recentemente, e acho que você é a pessoa certa para ajudar na recuperação dele."

Su Pei levantou uma sobrancelha, mas não protestou. Normalmente, um guerreiro de seu nível jamais se submeteria a esse tipo de trabalho tão mundano, mas dessa vez, sendo sua primeira experiência em Território do Culto, sentia uma curiosidade genuína de explorar essa cultura através dos olhos civis.

"Não me incomoda. Faço o que mandar, mestre," respondeu Su Pei, recebendo um sorriso discreto de Leo.

Ao chegar em Tithia, Su Pei ficou imediatamente impressionado com o quão avançadas e bem-organizadas eram as cidades do Culto.

Contrariando o que a Facção dos Justos pregava, esses lugares não eram terras bárbaras, imundas e caóticas.

As ruas eram limpas, a infraestrutura moderna, e o povo comum vivia suas vidas com orgulho e sentimento de pertencimento.

Era um completo contraste com o que a facção dos justos queria que seus cidadãos acreditassem, pois lá, o Governo Universal não perdia tempo em inundar a população com propaganda cuidadosamente manipulada.

Em todos os holocafés, noticiários e canais oficiais, o Culto era retratado como um inferno, suas cidades como favelas caindo aos pedaços, o ar pesado de doenças, e seus soldados como cruéis senhores de escravos, que chicoteavam e engoliam seus trabalhadores até a submissão.

Imagens de baixa resolução, exageradas, eram reprisadas: figuras magras carregando cargas pesadas por ruas lamacentas, fiscais armados com chicotes prontos para agir, e crianças vestidos com trapos implorando por restos.

A narrativa era clara… a vida sob o Culto era a personificação do sofrimento, e só a Aliança dos Justos poderia proteger seus cidadãos dessas horrores.

Porém, a verdade era bem mais complexa, e para homens como Su Pei, pisar em Tithia foi suficiente para perceber o quanto as mentiras do Governo Universal eram profundas.

Sempre imaginou que os vídeos eram falsos ou superdimensionados, pois o Culto possuía tecnologias e armas que pareciam impossíveis para moradores de favelas, mas só acreditou de fato quando pousou em Tithia.

Agora, vendo o território do Culto com os próprios olhos, percebeu que o Culto do Mal nunca foi realmente mal, pois isso despertou sua curiosidade de entender a verdadeira cultura de lá.

Su Pei quis descobrir quais outras mentiras tinha sido alimentado, por isso aceitou o papel de supervisor comum, o que lhe daria bastante tempo livre para explorar o Culto e sua cultura de forma gradual.

"E quanto a mim, senhor pai? O que faço?" perguntou Dumpy, enquanto Leo sorria apologeticamente e lhe dava uma leve palmada na cabeça.

"Desculpe, Dumpy, mas você vai direto para Juxta, para treinar com o Charles…" explicou Leo, com um tom de desculpa, enquanto Dumpy ficava pálido de repente.

O pobre sapo realmente não queria voltar a treinar sob o comando do Charles e implorou para que Leo não o mandasse embora.

Porém, ao ver seu progresso sob o treinamento de Charles, Leo decidiu ser duro e enviá-lo de volta mesmo assim, pois precisava que Dumpy se tornasse a melhor versão de si mesmo possível.

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