
Capítulo 557
Assassino Atemporal
(Planeta Morod, Prisão Central, Segundo Subsolo)
*BZZZTTT*
A agulha voltou a picar nele repetidamente, seu zumbido uma vibração constante contra a pele, mas a dor que sentia já não parecia mais só dor física.
Com cada linha que Mikanos entalhava, Leo podia sentir algo estranho se enraizando dentro de seu corpo, não nos músculos ou ossos, mas nas próprias vias por onde circulava sua mana.
Era como se o homem estivesse desenhando um novo condutor de mana sobre sua carne, um que corria paralelo à rede com a qual tinha nascido.
A sensação era ao mesmo tempo estranha e sufocante.
Um calor insuportável fluía ao longo de cada nova linha antes de se infiltrar, puxando contra seu núcleo como se tentasse fundir-se a ele.
"Isso não é mera tinta," explicou Mikanos, com a voz firme apesar do trabalho minucioso.
"O que estou usando para pintar seu corpo chama-se essência da morte. É um líquido que se forma quando os ossos de mais de cem feras raras são fundidos juntos em uma fornalha."
Os dedos de Leo tremeram contra o apoia-braços, uma nova onda de fogo passando de seu ombro às costelas, enquanto ele se sentia apreensivo com a ideia de injetar ossos fundidos em seu corpo.
"É o mesmo material usado para fazer o bastão dos Deuses da Morte, e é o único elemento no universo capaz de canalizar o poder da morte sem se degradar significativamente a cada uso."
Quase qualquer um consegue aprender o feitiço que o segundo ancião está prestes a te ensinar, porém, ninguém consegue fazê-lo sem mitigar a reação adversa.
Qualquer mortal que tenta canalizar o poder da morte através do próprio corpo verá seus circuitos de mana se tornarem inflexíveis e contaminados com o tempo, pois a mana da morte corrói significativamente o interior a cada uso."
"Você deve agradecer ao Dragão Kevin por ter inventado a solução para esse problema, já que ele percebeu que gravar o sigilo de Parinthrak na sua pele era uma forma segura de lançar esse feitiço." explicou Mikanos, enquanto, dali a pouco, a voz do Segundo Ancião se juntava à conversa por trás dele.
"Kevin mapeou todo o feitiço fora do corpo dele, na pele, para que a mana fluísse pela gravação ao invés de passar pelo corpo e não danificar seu núcleo."
"No entanto, os materiais que ele usou inicialmente como tinta simplesmente não conseguiam permanecer estáveis ao passar o poder da morte."
"A tinta comum desaparecia após uma única utilização, e outros materiais também não duravam muito, sumindo facilmente, até que ele encontrou o único composto capaz de resistir à corrosão."
O segundo ancião explicou, enquanto Leo ouvia atentamente toda a história.
Essa lição de história, embora interessante, infelizmente não aliviava sua dor, já que cada nova linha que Mikanos desenhava na sua pele trazia uma onda fresca de agonia.
"Por quanto tempo mais você precisa para terminar?" perguntou Leo, enquanto Mikanos olhava nos seus olhos e respondia com a voz mais séria que conseguiu: "Mais cinco horas".
*Leve*
Leo fincou os olhos por um instante, fingindo desmaiar com a notícia, antes de abrir os olhos novamente, pois a dor agora se refletia claramente em seu rosto e expressão.
"Não se preocupe, você já está aguentando muito melhor do que o último cara que tatuei.
Se você se manter cooperativo, farei o meu melhor para terminar em menos de duas horas." incentivou Mikanos, enquanto Leo mordia seus próprios lábios e tentava conter o grito que ameaçava surgir na garganta.
A partir daquele momento, o tempo se tornou uma névoa difusa para Leo, que focava apenas na sua respiração para conseguir suportar a dor.
Para ele, cada segundo parecia se alongar por uma eternidade, e quando as duas horas prometidas finalmente acabaram, ele já estava exausto física e mentalmente, suando em cada centímetro do corpo.
"Está terminado..." anunciou Mikanos com orgulho, surpreendido por ter concluído uma gravação tão extensa em uma única sessão.
"Você é o primeiro Dragão a completar isso de uma só vez... Os registros dizem que até Kevin precisou fazer uma pausa antes de continuar..." elogiou, enquanto Leo mal conseguia sorrir diante das palavras.
"Aqui, você pode conferir como ficou na reflexão desse metal polido," disse, movendo sua carruagem de suprimentos até Leo, que carregava uma bandeja metálica polida que funcionava como um espelho.
*Estalido*
Leo se levantou lentamente da cadeira, os músculos ainda tremendo após horas de dor incessante, enquanto o ar frio do porão passava sobre a sensação ardente que persistia na pele.
Ele se inclinou para frente, refletindo-se na superfície distorcida da bandeja, e por um breve momento, o cansaço nos seus olhos deu lugar a algo diferente.
O que ele viu de volta era quase irreconhecível. Costas, ombros e abdômen cobertos por uma teia de linhas negras entrelaçadas com veias de prata, cada curva e ângulo se encaixando formando um sigilo ininterrupto — uma marca que parecia pulsar com vida própria.
Quanto mais ele olhava, mais aquilo lembrava símbolos que tinha visto no mundo do Tempo Selado, pois, embora não fosse uma cópia exata, Leo tinha a impressão de poder decifrar seu significado subjacente ao cruzar os símbolos com alguns textos antigos que havia trazido daquele mundo.
*Batida*
Mesmo dormente, a marca ainda pulsava suavemente contra seu núcleo, como se aguardasse seu comando para ativar-se.
"Isso é só o começo," disse o Segundo Ancião. "Você ainda precisa aprender e praticar o feitiço até dominá-lo. Mas a curva de aprendizado a partir daqui deve ser relativamente simples. Tenho o prazer de informar que você já completou a parte mais difícil."
Os lábios de Leo se curvaram lentamente, o sorriso leve carregando um tom ameaçador.
Pela primeira vez desde que se sentara naquela cadeira, conseguiu pensar além da dor que tinha na cabeça.
Enquanto sentia a vibração do poder sob a pele... e a promessa do que ele poderia fazer quando liberado.