Assassino Atemporal

Capítulo 531

Assassino Atemporal

(Manor Skyshard, Planeta Vorthas, Dois Dias Antes do Desdobramento)

Alguns dias antes do desdobramento, Charles concedeu a Leo meio dia de folga para visitar sua família e organizar seus assuntos, caso, infelizmente, ele morresse durante sua primeira guerra.

"Você tem certeza de que vai ficar bem nessa guerra? Isso não é mais um jogo virtual, Leo... E guerras são perigosas," disse Amanda com uma voz preocupada, enquanto Leo ria, puxando suas bochechas de brincadeira.

"Vou ficar bem, não se preocupe. Vou contar com o Dumpy para proteger minhas costas, não vou me envolver em nada muito perigoso, e vou basicamente supervisionar o Dupravel lutando em meu nome.

Minha nave de transporte estará no centro do movimento da frota, que será a melhor nave, com os melhores pilotos e as melhores medidas defensivas, só pousando quando for absolutamente seguro.

Então, sim, estarei tranquilo.

Mas você acha mesmo que devo levar o Ben comigo?" perguntou Leo, enquanto Amanda assentia com um olho marejado.

"Sim, ele está querendo lutar e quer testar seu novo corpo.

Vai fazer bem para ele participar dessa guerra com você, e, com meu backup na nuvem, suas memórias, não é como se ele estivesse realmente correndo risco de perder a vida."

"Além disso, vai me deixar mais tranquila saber que Dumpy e Ben estão ao seu lado…," implorou Amanda, enquanto Leo simplesmente encolhia os ombros de forma despreocupada.

" É, não me importo de levá-lo comigo. O velho me ensinou a maior parte do que sei sobre luta. Vai ser divertido compartilhar o campo de batalha com ele novamente—" disse Leo com um sorriso, enquanto Amanda o abraçava forte.

"Volte para mim são e salvo, tá bom?" ela implorou, enquanto Leo a abraçava de volta e acariciava suavemente sua cabeça.

"Sim, pode deixar. Mesmo se ninguém mais voltar vivo dessa guerra, eu voltarei—" prometeu Leo, lembrando-se de não fazer nada muito imprudente durante esse conflito.

—--------

Enquanto Leo consolava Amanda em segredo lá em cima, a atmosfera na sala de estar da Mansão Skyshard era completamente elétrica.

Dumpy, Ben, Jacob e Luke estavam reunidos ao redor da mesa, enquanto Dumpy animadamente detalhava seus planos de guerra.

"Estou dizendo, o homem de fumo me torturou demais! Essa guerra é minha chance de desabafar. E não vou poupar ninguém! Todos os humanos insignificantes vão sentir a ira do Dumpy, a rã mais forte!" ele rugiu, batendo com força uma mão grossa na mesa, fazendo o pote de lanche tremer.

Jacob deu uma risada. "Você precisa parar de chamar o Rei Charles de homem de fumo. Se ele te ouver, pode ser que um dia te transforme em sopa de rã."

"Quero ver ele tentar!" Dumpy retrucou, inflando o peito. "Depois do inferno que ele me colocou, eu posso dizer com segurança que minha pele é à prova de fogo. Também de ácido. E de estocada. Tô praticamente invencível."

"Você tá é delusional," Luke retrucou, contorcendo-se para segurar o riso.

Ben pigarreou e recostou na cadeira. "Vou também... Vou tentar fazer mais mortes que você, jovem."

Dumpy parou de repente. Piscou duas vezes.

"É impossível, Avô," ele falou sério, colocando uma mão no peito. "Somente o Senhor Pai tem habilidade para me superar, se tentar. Acho que você não tem chance."

Ben levantou uma sobrancelha. "Sério mesmo?"

"Sim. Seus números de baixas serão respeitáveis, claro. Mas você é uma relíquia de outra era... Enquanto eu, por outro lado, sou uma máquina de matar sem igual."

"Sem igual?" Jacob riu. "Você chorou porque uma barata pousou nas suas costas hoje na entrada."

"Ela era vermelha e parecia agressiva!" Dumpy retrucou. "Nós sapos também temos medo, ok? A gente não gosta de inseto!"

"Que mentalidade sem igual," Luke provocou, enquanto Dumpy o ignorava e se flexionava.

"Agora todos devem duvidar de mim, mas quando eu voltar com dez mil baixas, vocês não terão escolha senão reconhecer minha grandiosidade!"

Ben levantou sua xícara de chá. "Vamos fazer uma corrida até vinte."

"Combinado," disse Dumpy, batendo novamente na mesa, visivelmente empolgado.

"Vocês têm ideia de que essa guerra talvez nem aconteça perto de vocês, né? Podem te colocar para um suporte na retaguarda," Jacob alertou, sendo o único soldado de verdade na sala, entendendo como funcionavam as guerras e que os Comandantes sempre ficavam na retaguarda, longe do combate direto.

Porém, Dumpy imediatamente ficou genuinamente ofendido com a suposição.

"Sofri demais com a tirania do homem de fumo, e de jeito nenhum vou ficar de lado! Nasci para esmagar humanos rasteiros! É meu direito de nascimento, e vou conquistar isso!"

Dumpy falou com convicção, enquanto todo mundo na sala explodia em risadas.

O pequeno sapo era, de fato, o bichinho de estimação mais fofo e adorável.

E embora tivesse uma certa atitude, agora todos na família o adoravam até morto.

—----------

No final da noite, justo quando Leo se preparava para partir para a guerra, Jacob o puxou de lado perto dos portões da mansão, com uma expressão incomum de seriedade.

"Sei que você é um homem feito, e que se vira bem sozinho… mas, pelo meu bem, escuta minhas palavras por um minuto."

Leo levantou uma sobrancelha, sem discutir.

Jacob suspirou, esfregando a nuca. "Guerra não é como duelinhos ou torneios, é bagunçada, barulhenta e confusa.

Pessoas morrem sem motivo, e o campo de batalha não espera ninguém entender as coisas."

Ele olhou fixo nos olhos de Leo.

"Não vá atrás de glória. Não tente ser um herói. Quem sobrevive é quem mantém a cabeça no lugar, avalia a situação e age com inteligência.

Você é forte, sim, mas até os fortes morrem se param de pensar. E você… tem muita coisa para viver para deixar o orgulho atrapalhar."

Leo ficou calado, absorvendo cada palavra.

Jacob continuou, com a voz mais baixa. "Se a situação parecer errada, provavelmente é. Confie na sua intuição, não na maldita ficha de missão. E sempre… sempre saiba onde estão suas saídas. O campo de batalha é uma fera que muda de forma. Não seja engolido."

Ele deu um passo para trás e acenou firmemente para Leo, dando uma palmada nas costas dele, firme o suficiente para balançá-lo.

"Bom, chega de sermão. Vá vencer sua maldita guerra. Mas assegure-se de voltar inteiro, ok? Para sua mãe…"

Leo sorriu de lado, mas o brilho de lágrimas nos olhos do pai tocou-o mais do que esperava, e ele respondeu com um "Entendido, velho," antes de se afastar lentamente.

Comentários