Assassino Atemporal

Capítulo 530

Assassino Atemporal

(Órbita Exterior, Palácio de Mármore Flutuante do Deus Su, Em Algum Lugar no Espaço Controlado pela Família Su)

As estrelas flutuavam silenciosamente ao redor do asteróide, onde um majestoso palácio de mármore branco se erguia como uma espécie de templo excessivamente grandioso dedicado ao ego.

Este era o domínio do fundador do Clã Su. Seu Deus protetor. E ninguém, exceto o patriarca atuante da Família Su, tinha permissão para pisar ali sem autorização.

Su Tang avançou sozinho, com seus passos marcando o chão branco liso enquanto as portas do palácio se abriam lentamente por si mesmas.

Era a primeira vez em cinco anos que ele colocava os pés naquele pedaço flutuante de rocha, e de alguma forma o lugar ainda tinha cheiro de incenso antigo e arrogância, exatamente como ele lembrava da última visita.

Ele atravessou o corredor longo em silêncio, seus passos ecoando suavemente no mármore vazio, ao final do qual havia um trono, que à primeira vista parecia completamente branco, mas uma inspeção mais cuidadosa revelava veias finas de preto queimado percorrendo-o, um vestígio de como havia sido forjado.

Derretido a partir dos ossos dos inimigos de Su Ren.

E agora, o próprio Deus Su estava sentado nele, uma perna preguiçosamente repousada sobre a outra, olhos dourados semicerrados enquanto aguardava a chegada do filho.

*Passo*

*Passo*

Su Tang finalmente alcançou a base do trono, parou e, sem hesitar, fez uma reverência inclinando-se a partir da cintura, as mãos firmemente atrás das costas.

"Saúdo meu pai e o origem do Clã Su."

O homem sentado no trono mal se mexeu.

"Levante-se, Patriarca Su Tang."

A voz era calma, mas cortante. Aquele tipo de voz que faz você se ajeitar mais direito, quer queira ou não.

Su Tang olhou para cima, encontrando o olhar dourado do homem à sua frente.

Su Ren.

O progenitor do Clã Su, aquele que uniu forças com Kaelith, Mauriss e Helmuth para trair o Assassino Atemporal.

Cabelos e olhos de Su Ren eram de um dourado puro.

Ele não usava coroa nem portava arma, mas isso não fazia falta. Sua presença toda refletia predador. O tipo que não late ou se exibe. O tipo que observa, espera e só age na hora certa para matar.

Se alguma vez um leão resolvesse assumir forma humana, provavelmente seria isso — pois o homem simplesmente não demonstrava emoções ou fraquezas humanas.

Apenas julgamento calmo e poder silencioso.

"Pai, o Culto da Ascensão parece estar se movimentando mais uma vez.

Nossos relatórios de reconhecimento confirmam que eles têm os olhos puestos no planeta Nemo.

Até agora, não parece que Soron vai se envolver pessoalmente nesse conflito, mas estou aqui para buscar sua sabedoria a respeito disso," disse Su Tang, enquanto Su Ren observava calmamente sua aura.

"Fale o que pensa... Vejo na sua aura que você está hesitando.

O que exatamente quer dizer?" incentivou Su Ren, enquanto os olhos de Su Tang se arregalavam de surpresa.

Aura era uma dessas coisas que ele ainda não dominava totalmente, apesar de estar no ápice de um Reino e, portanto, não entender bem o que seu pai tinha acabado de fazer aqui.

"Como esperado... Nada pode permanecer escondido dos seus olhos," elogiou, ajustando seu tom e apresentando seu verdadeiro pedido.

"Sei que as seis grandes famílias estão atualmente tentando se libertar da influência do Governo Universal.

E que, nesse conflito, não queremos pedir ajuda ao Governo Universal nem a qualquer outra clã.

Porém, elas ainda são obrigadas a nos ajudar se pedirmos."

"E, se você permitir, gostaria de convocá-las para nos ajudar a repelir essa ameaça do Culto..." disse Su Tang, fazendo uma reverência profunda ao fazer sua solicitação.

"Digo isso não por falta de confiança na capacidade do Clã Su de manter nossas fronteiras seguras, mas porque prefiro que seus soldados morram protegendo nossas fronteiras do que os nossos.

Já que ainda somos parte da Aliança Justa, por que não aproveitar enquanto podemos?" argumentou, enquanto Su Ren ouvia calmamente suas palavras.

"Não,"

respondeu, finalmente, sua voz firme e definitiva, rejeitando a proposta de Su Tang sem hesitar.

"Toda essa situação cheira a uma armadilha. Algo tramado por Mauriss, o Enganador, para colocar as seis grandes clãs contra as cordas e nos fazer voltar à mesa de negociações com o Governo Universal. Mas não vamos cair nessa."

"O maior erro que já cometi na minha vida foi permanecer na Aliança Justa após a queda do Assassino Atemporal."

"Deveria ter saído naquela hora e convencido os líderes das outras grandes famílias a fazer o mesmo, ao invés de concordar com que nos tornássemos parceiros subordinados ao governo universal, com autonomia limitada.

Por dois mil anos, seguimos suas leis, obedecemos suas ordens e toleramos sua presença em nossas terras.

Agora, eles roubam nossos melhores talentos, lucram com cada produto que exportamos só porque possuem a união comercial, e recolhem impostos de nós para financiar seu exército pessoal.

Mas isso acabou.

A volta do Culto ao palco universal nos dá uma chance única de inverter o jogo. De desafiar o status quo e nos elevar ao lado deles, como iguais, não como subjulgados.

Este não é o momento de pedir ajuda.

É o momento de mostrar que não precisamos de proteção.

De que podemos nos sustentar. De que podemos vencer sozinhos."

Su Tang abaixou a cabeça, com os lábios pressionados, mas sem argumentos. Sabia que a cabeça de seu pai não mudaria uma vez tomada a decisão. Então, apenas fez outra reverência, aceitando o veredicto.

"Entendo."

Com isso, virou-se e voltou pelo corredor, passos lentos porém firmes, enquanto o peso do que se aproximava começava a se instalar sobre seus ombros.

Apesar de fazer parte da Aliança Justa, a Família Su enfrentaria essa guerra sozinha.

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