
Capítulo 529
Assassino Atemporal
(7 dias antes do desembarque, Planeta Tithia, Acampamento de Guerra do Exército dos Dragões)
Os tambores de guerra ainda não tinham soado, mas o clima no acampamento do Exército dos Dragões já fervia.
A desinformação que os Comandantes da Legião tinham sido instruídos a espalhar já circulava por todas as tendas, por cada refeitório, e, embora não houvesse nenhum anúncio oficial do Culto ou de seus Anciãos, praticamente todos os soldados sabiam exatamente para onde estavam indo.
"O Planeta Nemo tem essas veias ricas de núcleo de mana, não é? Você acha que vão deixar a gente ficar com tudo o que a gente roubar?"
"Ficar? Irmão, se vencermos, vamos nos mudar oficialmente para Nemo e explorar lá legalmente, não há necessidade de roubar nada."
"Vocês dois são idiotas. Todo mundo sabe que os Capitães de Esquadrão costumam recompensar cada membro sobrevivente do seu pelotão com algo valioso ao final da guerra… Uma espécie de presente extra-oficial. A gente não vai explorar nenhuma mina, nem sequer vai chegar perto delas."
"Calma, todo mundo, vamos primeiro vencer a guerra antes de falar de saque."
Seguiu-se uma risada, tensa, porém alta, aquele tipo de som que homens fazem não porque estão relaxados, mas porque não querem admitir que estão nervosos.
Mais ao longe, em fila de treinamento, outros conversavam em voz mais baixa e cheia de ansiedade.
"É agora, sabe? Nossa chance de fazer história."
"Pois é… isso não é só mais uma briga de fronteira. Se destruirmos Nemo, todo o Culto se levanta e seremos nós quem faremos isso. Depois, qualquer bar, qualquer lugar que a gente entre, será tratado como herói de guerra!"
"Ouvi dizer que o Dragão Sombrio está marchando com a gente. Ele e o Dragão, lado a lado."
"Sério? Nossa… Se os dois estão vindo, a gente tem certeza que vai vencer. Afinal, são guerreiros de geração."
"Juro que estamos vivendo uma era de ouro."
As palavras tinham peso, carregadas de fé, cada sílaba reforçada pela crença dos civis no Dragão, que transformou a percepção dessa guerra de uma campanha expansionista para uma cruzada divina.
E, no entanto, nem todos estavam cheios de confiança.
"Só espero provar que sou útil," comentou um, ajustando as tiras do colete pela quinta vez, mesmo sem ter treino previsto. "Ouvi falar de gente que trava na primeira luta de verdade. Ficam paralisados."
"Espero que não seja eu…"
"Eu também. Nunca vi sangue de verdade."
"Então vai ver bastante em Nemo. Mas não desvie o olhar quando a coisa começar."
Alguns sorriam nervosamente. Outros se calaram em silêncio.
Mas, mesmo com os nervos à flor da pele e as dúvidas no coração, ninguém pensava em desistir ou fugir.
Porque, para os homens e mulheres do Exército dos Dragões, isso não era só uma guerra.
Era seu destino.
Contavam histórias de glória ao servir no exército do dragão desde pequenos e, finalmente, tinha chegado a hora de fazer parte daquela lenda.
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(Planeta Nemo, Escritório do Comandante Su Bal)
*CHISPE* *
A porta se abriu com um estalo forte, e o oficial de inteligência entrou correndo, segurando uma tábua selada com as duas mãos.
"Relatório urgente, Comandante. Múltiplas fontes confirmam a informação."
Su Bal nem se levantou. Simplesmente estendeu a mão, recebeu a tábua de dados e começou a ler seu conteúdo.
Durante um tempo, sua expressão foi ficando cada vez mais sombria, cada segundo que passava apertando a mandíbula e franzindo a testa, até finalmente—
"Absurdo!"
Ele gritou, batendo o punho na escrivaninha de madeira, que rachou no canto, formando fissuras que se espalhavam como teias na superfície temperada.
*Recuo*
Assistentes ao redor estremeceram instintivamente. Mas nenhum ousou falar.
A mandíbula de Su Bal travou ao reler o relatório, passando os dedos por transmissão após transmissão, todas com a mesma denúncia sombria.
O Culto estava se mobilizando. Mas não para atacar Koral.
Para Nemo.
Ele estreitou os olhos, o cérebro acelerado.
"Em circunstâncias normais," murmurou em voz alta, "um relatório assim, vindo de uma única fonte, eu descartaria. Talvez de duas."
Sua voz voltou ao tom calmo, porém carregada de fúria crescente.
"Mas isso… isso veio de sete fontes diferentes. Sete espiões independentes, espalhados por ramos distintos do Culto, todas reportando a mesma coisa infernal."
Ele se levantou lentamente, sua estatura de monarca lançando uma sombra imponente pelo cômodo.
"O fato de o Culto optar por não atacar Koral e ir direto para Nemo é um jogo estratégico deles."
Começou a andar de um lado para o outro.
"Devem saber que um ataque a Nemo os expõe a uma ofensiva pelas laterais. Reforços de Koral poderiam cercá-los no espaço e destruí-los por ambos os lados."
Ele fez uma pausa, balançando a cabeça.
"Mas eles não se importam. Descartaram completamente Koral."
"Devem achar que essa rocha inútil e vazia nem merece atenção."
Parou de caminhar e olhou para fora, em direção ao horizonte onde torres distantes brilhavam sob os dois sóis de Nemo.
"Devem confiar demais na rapidez da frota. Na competência dos seus homens. Ou, quem sabe, eles estejam completamente loucos."
Um momento de silêncio passou.
"De qualquer forma… não vou deixá-los vencer."
Virou-se abruptamente, sentou-se na escrivaninha e começou a digitar, os dedos voando na interface enquanto emitia uma sequência de comandos urgentes.
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Alerta em todo o planeta: Código Vermelho. Todos os sistemas de defesa em máxima prontidão. Os sentinelas do espaço externo devem ser triplicados. Os canhões antiaéreos precisam ser calibrados e ativados. Todas as naves de guerra estacionadas em Nemo devem se posicionar em formações de interceptação pré-definidas.
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Depois veio a segunda ordem.
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Mensagem ao Comando Central de Koral: Ordem de prontidão imediata.
Preparar todas as frotas aéreas e estar pronto para lançar uma investida de flanco quando as naves do Culto Maligno estiverem na aproximação para atacar Nemo.
Preparar-se para interceptar e desmantelar a frota inimiga no meio do percurso.
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A armadilha foi puxada. E o comandante Su Bal, recebendo precisamente a informação errada que o Culto queria que ele ouvisse, caiu nela sem questionar, movendo tropas, acionando alarmes e reagindo exatamente como Leo tinha previsto que aconteceria.