Assassino Atemporal

Capítulo 532

Assassino Atemporal

(Planeta Tithia, Hangar, ponto de vista de Leo)

Nunca tinha visto tanto caos na Área do Hangar de Tithia como naquele dia.

Havia naves por toda parte.

Cargueiros de transporte. Porta-aviões táticos. Cruzadores blindados. Fragatas ágeis. Destroyers de longo alcance gigantescos. Nem conseguiria contar se tentasse.

Todo o aeródromo parecia uma floresta mecânica, com ferros que substituíam árvores, cada uma deles rosnando, zunindo ou titilando em preparo para decolagem.

Milhares de soldados movimentavam-se como formigas, carregando caixas, células de combustível, ferrolhos de munição e o que mais houvesse entre as naves. Tripulantes passavam correndo com placas de escaneamento e registros de combustível, enquanto recrutas nervosos faziam as últimas trocas de suprimentos, tremendo cada vez que um Capitão ou Comandante gritava alguma coisa em seus ouvidos.

Leo avistou um pobre cara deixando escorrer uma caixa inteira de rações enquanto uma mulher de capote vermelho de capitã o esculachava com tanta força que parecia que ele iria chorar ali mesmo.

Acima, o céu de Tithia também fervia. Centenas de naves de guerra pairavam lá em cima, como nuvens metálicas, estacionadas temporariamente.

Eles já tinham partido de outros planetas natais e agora aguardavam o sinal final para avançar.

Tithia era a última parada.

A partir daqui, todos se moveriam em formação de batalha até chegar ao planeta alvo.

Leo não conseguiu deixar de parar e observar toda aquela atividade, fascinado, para dizer o mínimo. No entanto, Dumpy, que repousava preguiçosamente sobre seus ombros, era o completo oposto.

A pequena rã não se importava com o que acontecia nos bastidores.

"Todos esses homens aqui, Senhor Pai, e ainda assim nenhum é mais forte do que eu…" comentou Dumpy, enquanto Leo sorria de leve com as palavras dele.

Era a maior quantidade de homens e naves que Leo tinha visto reunidos de uma só vez, e só agora sua mente compreendeu a escala daquele conflito.

Não era uma briga regional.

Era um esforço de guerra que atravessava sistemas solares.

'Então é assim que é uma guerra em nível interestelar, huh?' pensou, antes de se perder em pensamentos, quando de repente um soldado o interrompeu.

"Senhor Shadow Dragon, por favor, nesta direção… estamos prontos para partir em poucos minutos."

Uma mulher de uniforme comum de oficial correu até ele e o cumprimentou com uma saudação, conduzindo-os pelos principais decks de desembarque até os hangares superiores de lançamento.

Leo, Ben, Dupravel e Dumpy seguiram, com expressões calmas e naturais, enquanto se aproximavam da nave de guerra, feita sob medida para carregar apenas os dois Dragoões e seus acompanhantes pessoais.

Não era uma nave comum.

Era um porta-aviões reforçado de classe Destroyer, projetado não para ataque, mas para sobrevivência.

A maior parte de suas armas tinha sido removida e trocada por blindagem defensiva, propulsores de velocidade, jammers de sensores e tecnologia de barreira de emergência, já que seu único objetivo real era manter Leo e Veyr vivos.

*Passo*

*Passo*

Ao subir a rampa de carga, Leo olhou para o casco, que parecia polido de preto, com o símbolo do Exército dos Dragões desenhado nele.

Um dragão prateado enrolado ao redor de uma esfera negra, com asas abertas e linhas carmesim correndo pela espinha. Sua boca soltava um espiral de estrelas, simbolizando conquista pelo espaço, e, abaixo, gravado em antigas runas, estavam as palavras: "Não Cederemos. Consumiremos." - marca de uma força imparável.

Era surreal olhar para aquilo, pois era a primeira vez que Leo via um símbolo dentro do Cult que não pertencesse ao próprio Cult da Ascensão.

Era o símbolo do Exército dos Dragões.

E uma prova de que os homens que atuavam sob sua bandeira não eram os soldados comuns do Cult.

Dentro, a nave estava impecável.

As luzes se apagaram automaticamente quando a porta chiou ao fechar-se atrás deles. E, casualmente, no final do corredor, sentado de braços cruzados e com os olhos semicerrados, estava Veyr.

Ele se levantou assim que viu Leo e estendeu um punho fechado. "Finalmente."

Leo deu um soco de leve, sem dizer uma palavra, e sentou-se do outro lado, enquanto o resto do grupo se acomodava ao redor.

Ninguém falou. Não havia necessidade. O zumbido dos sistemas internos da nave e o tenso silêncio no ar eram o suficiente para dizer tudo.

Minutos depois, os motores rugiram. Um som baixo atravessou as paredes, seguido por um forte sopro enquanto a nave levantava voo do hangar, acompanhada de centenas de outras.

Da sala de observação, Leo viu dezenas de naves decolando ao mesmo tempo, como escorpiões que deixam suas cascas, perfeitamente sincronizadas.

Todo o enxame subiu, atravessando as nuvens juntas e se dispersando o suficiente para formar fileiras.

Logo, uma formação tridimensional perfeita começou a tomar forma no espaço.

Para Leo, parecia um enorme bumerangue girando lentamente entre as estrelas, com pequenos pods protegendo as pontas e destróieres mais pesados agrupados perto do centro, formando uma parede de escudo flutuante.

Foi a primeira vez que ele viu naves de guerra se moverem assim… silenciosas, rápidas e sincronizadas, todas alinhadas e no mesmo ritmo.

A marcha rumo a Koral tinha oficialmente começado, mas naquele momento, 99,9% das forças ainda achavam que estavam indo para Nemo.


(Posto de Vigilância do Cult, órbita externa do planeta Nemo)

A sala de comando pouco iluminada vibrava com uma tensão silenciosa, enquanto dezenas de painéis de radar pulsavam com sinais intermitentes. Um assistente correu pelo recinto, segurando um tablet de dados, parando somente na borda do máximo comandante.

"Encarregado Su Bal, senhor," disse o assistente, com a voz tensa. "Temos confirmação. Múltiplos nós de vigilância de longo alcance detectaram uma frota gigante. O curso é direto para o Planeta Nemo."

Su Bal não respondeu de imediato. Ficou de pé perto da janela, olhando para o vazio do espaço, com os ombros relaxados, como se estivesse esperando por exatamente esse momento.

Pois, lentamente, virou o pescoço, com os ossos estalando alto no silêncio.

"Então… esses cultistas realmente perderam a cabeça,"

"Muito bem… Que venham."

Seu tom era calmo. Resoluto.

A guerra viria para Nemo.

E ele estava disposto a enfrentá-la de frente.

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