Assassino Atemporal

Capítulo 533

Assassino Atemporal

(Planeta Koral, Base Militar da Zona Doze, Armazém de Suprimentos)

*Puff*

Brandon aterrissou silenciosamente dentro do armazém pouco iluminado, deslizando por uma estreita abertura de ventilação na cobertura de placas metálicas.

Como um guerreiro de nível transcendente e um dos principais especialistas em infiltração do Culto, Brandon estava entre os poucos agentes sortudos o suficiente para terem sido resgatados do território da facção justa antes do início da caça aos agentes secretos disfarçados.

Mas hoje, ele estava de volta em solo justo, bem atrás das linhas inimigas, para realizar uma missão que poderia muito bem ser a operação mais importante de sua vida.

"Não posso falhar agora," murmurou baixinho, com os olhos percorrendo as caixas de armazenamento empilhadas em três fileiras. "Hoje, não."

Seguiu até o corredor central, onde a remessa semanal de cristais de núcleo de escudo tinha acabado de chegar.

Os guardas de patrulha dentro do armazém não estavam olhando, e não havia câmeras de vigilância nesta seção específica do setor de armazenamento.

Era a brecha perfeita na defesa deles, e Brandon havia investigado esse lugar durante os últimos dias.

*Abrir*

*Arranhar*

Brandon abriu as duas caixas mais próximas e, com calma, colocou os núcleos verdadeiros no seu anel de armazenamento.

Depois, de um anel de armazenamento separado preso na outra mão, retirou substitutos idênticos.

Estes eram bombas de alta potência criadas pelo Mestre Argo e sua equipe, disfarçadas com detalhes suficientes para passar em todas as inspeções visuais.

Somente equipamentos de diagnóstico avançado poderiam distinguir a diferença. Mas o Culto já sabia que nenhum desses scanners seria utilizado aqui.

Nem aqui. Nem em uma rotina de reabastecimento.

*Fechar*

*Correr*

Após trocar tudo, Brandon fechou rapidamente as caixas, recolocando as tampas, e voltou a subir silenciosamente até a abertura do terraço.

Com dedos treinados, retirou uma folha fina de plástico, cobriu delicadamente a abertura e espalhou uma camada de poeira por cima para esconder qualquer sinal de manipulação.

Então, como uma fumaça se dispersando, ele desapareceu.

Sua missão estava cumprida.

Se tudo saísse conforme o planejado, em duas a cinco horas, o escudo que protegia todo o planeta Koral entraria em colapso com um estrondo devastador e espetacular.

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(Três horas depois, subterrâneo, instalação secreta do Núcleo de Escudo de Mana)

Os trabalhadores murmuravam dispersos enquanto uma nova caixa de suprimentos deslizava até o carregador da instalação do núcleo, chegando exatamente no horário.

Major Garry, de braços cruzados atrás das costas, supervisionava a entrega com uma expressão entediada no rosto.

"Iniciem o ciclo de substituição," ordenou. "Migrem o núcleo para energia reserva."

Quatro operários e dois engenheiros rapidamente entraram em ação, guiados pelo Chefe de Engenharia Dayton.

Primeiro, removiam os cristais de núcleo esgotados da grade principal do escudo, jogando-os em uma bolsa espacial preta, que deveria ser destruída e descartada após uso.

Depois que todos os núcleos esgotados fossem retirados, começaram a inserir os novos componentes entregues sem demora.

"Aqueles malditos do Culto..." resmungou Garry, andando de um lado para o outro, olhando de relance o processo em andamento, sem realmente prestar atenção.

"Eles finalmente perderam a cabeça, não foi, Dayton? Atacar o Planeta Nemo assim?"

Dayton, curvado sobre um console, assentiu. "Querem nossas minas de mana. E o que mais? Os recursos de Nemo estão entre os mais lucrativos neste quadrante do universo. E o Culto não acredita em comércio justo. Eles pegam o que querem."

"Maluquice total..." Garry cuspiu. "Espero que nossas naves os arrasem do mapa estelar."

Enquanto isso, a substituição prosseguia.

Quarenta das quarenta e oito caixas tinham sido trocadas.

"Não desgruda," ordenou Garry. "Temos só dois minutos para desligar. Já estamos em sessenta segundos."

Os operários se apressaram para concluir o reabastecimento, sem saber exatamente o que acabaram de colocar no reator principal, pois, no instante em que completaram seu trabalho no centésimo vigésimo segundo, Dayton mudou a energia do reserva para o núcleo principal, enquanto o sistema começava a tirar energia dos núcleos recém-inseridos.

Porém, infelizmente para os operários, esse foi o gatilho que as bombas de Argo aguardavam, pois, no momento em que a mana fosse absorvida de suas superfícies… o mecanismo das bombas foi acionado.

*KA-BOOM*

A explosão irrompeu com um rugido assustador, mas não foi só uma explosão de rajada; foi uma onda de pressão, uma força concussiva que se expandiu em velocidade ultrarrápida.

Os núcleos falsos explodiram de dentro da matriz de contenção, desencadeando uma reação em cadeia por todas as linhas e condutos conectados a eles.

A força da explosão engoliu toda a câmara do núcleo em menos de um segundo.

Dayton nem teve chance de gritar. Ele foi vaporized junto com os três engenheiros mais próximos. Os quatro soldados que operavam os controles foram projeteados contra paredes reforçadas, ossos se quebrando no impacto, apenas para serem engolidos momentos depois pela onda secundária de fogo e metal em colapso.

O revestimento interno amassou como papel. Incêndios se espalharam pelos túneis de manutenção, derretendo vigas de sustentação e fundindo circuitos em escórias. Uma das vigas do teto se partiu e caiu sobre o gerador secundário, provocando uma explosão ainda maior de faíscas e descarga cinética.

Toda a câmara desabou com a força, e todas as barreiras de emergência reforçadas falharam ao tentar se deployar.

Na superfície da base, os guardas ouviram algo um instante depois.

A terra tremeu sob seus pés enquanto um rugido profundo e gutural ecoava de baixo.

No começo, pensaram que fosse um terremoto. Mas veio o fogo.

Um jato de chama compressedada saiu dos dutos de exaustão subterrâneos, iluminando o céu do meio da tarde como um nascer do sol repentino.

A torre de escudo, que tinha ficado imponente e zumbindo até então, piscou violentamente, depois ficou escura, enquanto, uma após a outra, as linhas de energia conectadas a ela perdiam voltagem.

O pânico se instaurou imediatamente.

Alarmes soaram por toda a base. Luzes vermelhas acenderam nos corredores. Soldados e engenheiros correram para fora dos edifícios, com os olhos fixos na fumaça que se erguia da instalação do núcleo de escudo.

"O que diabos foi isso?"

"Tem algum problema na central elétrica?"

"Major Garry estava lá dentro?!"

Tenentes tentaram reestabelecer a ordem, gritando comandos, acessando feeds holográficos, mas nada funcionava.

A instalação que explodira era misteriosa e de uso restrito, inacessível aos soldados comuns, pois, além dos tenentes, ninguém mais sequer sabia para que ela servia de verdade.

O caos aumentava a cada minuto. Protocolos de evacuação eram considerados, mas nunca acionados. Uma enxurrada de perguntas. Muito pouco tempo.

Na torre de comando, a Tenente Rachel bateu a mão na mesa com força. "Merda, merda, merda, o escudo de mana do planeta está caindo... Com um dos sete núcleos destruídos, todo o sistema vai parar de funcionar."

"Comandante! Alguém tente contato com o Comandante! Isso é sério... metade da nossa frota já está a caminho de Planet Nemo."

Vai uma parte do escudo planetário também. Se o Culto agora virar o olhar para Koral, ficaremos como patinhos na manhã de domingo, esperando o desaforo deles."

"Isso é ruim... muito, muito ruim! Estamos ferrados!", disse Rachel em pânico, sem perceber que se tornara a primeira líder militar no planeta Koral a compreender realmente as intenções do Culto.

A guerra poderia estar chegando a Koral.

E, se chegasse, eles estavam mais despreparados do que nunca para enfrentá-la.

Seu escudo de mana havia sido destruído. Metade da frota tinha desaparecido.

Isso não era só um jogo ruim.

Era um cenário de pesadelo em ação.

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