Assassino Atemporal

Capítulo 540

Assassino Atemporal

(Cidade de Sanfe, ponto de vista de Dupravel)

Dupravel havia crescido na mesma época de Su Pei e Su Tang, portanto não precisava de introdução para entender o quão monstruoso Su Pei tinha sido em seu auge.

Ele se lembrava de ter cruzado o caminho do homem uma ou duas vezes em jantares informais, quando Su Pei ainda era considerado a joia da Família Su.

E mesmo nesses encontros breves, havia algo inegável em sua presença, uma facilidade na forma como os outros o deferiam, que tinha marcado profundamente Dupravel.

Naquela época, ele não gostava de Su Pei, não especialmente. Mas respeitava-o. E agora, foi exatamente por causa dessas lembranças que Dupravel acreditava que essa seria uma missão desafiadora.

Pois, a menos que Su Pei tivesse realmente regredido como guerreiro ao longo do último século e perdido completamente seu talento, isso provavelmente seria a luta da vida dele, uma que exigiria toda a sua astúcia e todos os truques que Dupravel pudesse guardar na manga para vencer.

—----------

Ao contrário da abordagem cautelosa que fora obrigada a adotar ao infiltrar-se no território do Culto, Dupravel não parecia estar nem um pouco preocupado em ser pego dentro de Sanfe City.

Ele se movia com rapidez e intenção, pois, diferente do reino transcendental de poder ao qual ficara preso na última missão, agora ele estava de volta ao seu melhor como um Monarca completo.

E isso fazia toda a diferença.

Ele tinha clareza sobre como queria que essa luta se desenvolvesse, e por isso, antes de avançar em direção ao Centro da Cidade, passou por becos abandonados e cantos agudos, que identificou como locais perfeitos para montar armadilhas.

Algumas dessas armadilhas eram feitas para atrasar, outras para ferir, e algumas apenas para forçar Su Pei a seguir padrões de movimento que pudesse prever.

Usou todos os truques disponíveis para obter uma vantagem indevida, começando por beber duas poções de grau raro com antecedência, uma para aumentar temporariamente sua agilidade e outra para acelerar sua recuperação de mana, mesmo sabendo que a reação ao tomar essas poções seria forte quando seus efeitos acabassem.

No entanto, como não planejava prolongar essa luta, não se preocupava com esse resultado, pois planejava acabar com a luta rapidamente ou recuar para um local seguro.

Ele também tomou a liberdade de impregnar cada lâmina e punhal de sua arsenal com um veneno paralisante de ação rápida, forte o suficiente para enfraquecer os músculos de um guerreiro de nível Monarca, ou até paralisá-los completamente.

Mas, mesmo após preparar tudo isso, Dupravel sabia que talvez não fosse suficiente.

Porque Su Pei não era um alvo que pudesse ser pego de surpresa.

Da sua memória da lenda de Su Pei, Dupravel lembrava de que o homem possuía uma habilidade chamada [Intimidação pelo Perigo], que alertava-o da presença de qualquer intenção de morte sendo projetada em sua direção, funcionando como um sexto sentido que tornava quase impossível montar uma emboscada nele.

Por isso, Dupravel nem se importou de perder tempo tentando um ataque surpresa.

Ao invés disso, optou por ficar exposto, na beirada da praça central da cidade, vestindo seu manto de assassino Cinza e Azul e uma máscara branca, defendendo-se de cada flechada que vinha em sua direção com movimentos de lâmina desdenhosos e fáceis, enquanto simplesmente aguardava que o comandante inimigo saísse.

E, de fato, pouco tempo depois, uma voz calma se fez ouvir.

"Pare... não é preciso atirar!"

A ordem vinha do grande toldo central, e os soldados imediatamente pararam no lugar ao verem Su Pei entrando em cena, com expressão imutável e uma mão levantada, sinalizando para parar.

"Ele é um Monarca. Vocês não conseguem enfrentá-lo," avisou Su Pei ao avançar sozinho, enquanto desembainhava sua espada longa com movimento lento e deliberado.

*CHHHNG*

O som metálico da lâmina ressoou suavemente, mas Su Pei parecia não notar.

Seus olhos focavam em Dupravel, estudando-o em silêncio, observando cada detalhe de sua postura.

Havia algo claramente estranho nesse homem.

Su Pei nunca tinha ouvido falar de um assassino de máscara branca sob comando do Culto, e vinha acompanhando de perto os guerreiros da alta patente deles há décadas.

Além do Monarca Charles, nenhum outro operante tinha sido registrado com esse nível de poder. O que significava que ou esse homem era novo, ou era algum monstro antigo que tinha desertado para o lado do mal.

"Quem é você?" perguntou Su Pei, com a voz firme porém controlada, continuando a observar a postura do adversário — o ângulo da lâmina, a postura, a confiança que carregava sem um pingo de hesitação. "Nunca ouvi falar de outro Monarca na Companhia do Culto além do Charles."

Dupravel inclinou a cabeça de leve, com movimentos quase teatrais.

"Pode me chamar de Viper," respondeu, com a voz calma e leve, como se estivesse apenas participando de um duelo cortesão, não uma missão sangrenta.

Sua expressão se contraiu numa sorriso lento, mas não de divertimento, e sim de simples reconhecimento do que tinha diante dele.

"Todos os outros, saiam desta praça. Agora," ordenou com voz alta e autoritária, sem precisar ser rude. "Esse homem é perigoso demais para vocês. Deixem comigo."

Sem contestação. Sem hesitar. Os soldados começaram a dispersar rapidamente, com passos ruidosos pelo pavimento de pedra, afastando-se do confronto que se avizinhava.

Porém, ainda não tinham saído quando Dupravel se moveu.

Com um movimento rápido de ambas as mãos, uma dúzia de punhais emergiu das mangas, como flashes de luz prateada, cortando o ar com precisão milimétrica.

*SHUA*

*SHUA*

*Thud*

O vento silbante foi o único aviso antes que corpos caíssem, alguns perfurados de ponta a ponta no pescoço, outros segurando o peito, mortos antes mesmo de tocarem o chão.

"Ops... acho que escorreguei," disse Dupravel, abaixando os braços lentamente, como um homem que relaxa após uma longa esticada. "Minha mira era na sua cabeça."

Su Pei não respondeu.

Ele não precisava.

Sua expressão ficou dura como pedra enquanto apertava sua espada longa, e, com uma explosão repentina de força, avançou com tudo, lançando-se na direção de Dupravel numa corrida a alta velocidade.

*CLANG*

O som do aço colidindo com o aço produziu fagulhas violentas enquanto Dupravel defletia o ataque de forma limpa, e sem perder tempo, pulou do chão e desapareceu na fuga, infiltrando-se entre as ruas estreitas de Sanfe City, controlando o ritmo da batalha.

*CLANG*

*CLANG*

Ele guiou Su Pei até a parte da cidade onde armadilhas já estavam preparadas para este confronto específico.

E apesar de reconhecer os perigos, Su Pei partiu em perseguição sem hesitar, não porque quisesse, mas porque não havia outra escolha.

Dupravel tinha acabado de eliminar uma dúzia de seus homens com facilidade, sem precisar tentar, e se fosse deixado solto, ninguém sabia o quanto de dano poderia causar.

Sem controle, Dupravel poderia potencialmente eliminar metade de suas forças até amanhã, e Su Pei não podia arriscar essa possibilidade.

Como o inimigo tinha um Monarca inesperado entre seus ranks, ele precisava lidar com ele agora, enquanto ainda tinha chance.

Comentários