Assassino Atemporal

Capítulo 539

Assassino Atemporal

(Coração da cidade de Sanfe, POV de Su Pei)

Houve um tempo, há muito tempo, em que o nome Su Pei significava algo.

Quando ele e o atual patriarca do Clã Su, Su Tang, eram apenas calouros na Academia Militar Rodova, foi Su Pei quem chamou toda a atenção, todos os sussurros e toda a inveja, pois os instrutores o elogiavam como a próxima grande prodígio do Clã Su, um homem destinado não apenas a ascender, mas a dominar.

Suas pontuações em combate superavam todos os estudantes de sua turma, enquanto sua taxa de cultivo de mana havia quebrado recordes antigos que até mesmo os professores admitiam que talvez nunca fossem superados por pelo menos algumas décadas.

Ele alcançou o Nível Transcendente aos vinte e sete anos, um ano inteiro antes de Su Tang, e, ao entrar no Reino do Monarca aos cinquenta, a diferença entre eles só aumentou, já que Su Tang ainda ficava para trás, lutando para acompanhar.

No entanto, quando chegou a hora de o Clã Su nomear o próximo Patriarca, não foi Su Pei quem foi escolhido.

Foi Su Tang.

Su Tang não foi escolhido por causa de sua força ou de suas qualidades de liderança excepcionais, não... Ele foi escolhido porque era descendente direto de Su Ren, o Deus da Família Su, e porque foi Su Ren quem tomou a decisão final de quem seria nomeado Patriarca.

Su Pei não protestou.

Ele mantinha a esperança silenciosa de que suas virtudes por si só seriam suficientes para conquistar a posição de líder do clã, e apesar de ter ficado desapontado, ainda compreendia a lógica política por trás de Su Tang ter sido nomeado Patriarca, dado o sangue que carregava.

Porém, o que ele não esperava era ser ostracizado de forma tão deliberada, nem ser perseguido tão constantemente pelo próprio irmão que uma vez protegera e orientara pelos corredores da academia.

Todos no clã sabiam a verdade.

Su Pei era o guerreiro mais capaz. O líder mais qualificado. O herdeiro legítimo.

E isso fez com que Su Tang se sentisse ameaçado.

Nos anos seguintes, Su Pei foi lentamente excluído dos círculos centrais do governo do clã.

Designações que deveriam ter sido dadas a Transcendentes ou até Grandes Mestres eram repassadas a ele, sendo sua última missão enviada para o Planeta Koral, que não tinha nenhum valor estratégico real para o clã.

Su Pei recebeu o menor orçamento e a guarnição mais fraca, para governar esse planeta inútil, tudo sob a desculpa de que o clã confiava nele para manter as fronteiras seguras.

Su Pei, é claro, entendia a verdade. No entanto, ainda escolheu servir sem reclamar, porque dever era a única coisa que ele ainda compreendia.

No entanto, infelizmente para ele, Su Tang não parou apenas de persegui-lo, pois também veio atrás de seus filhos.

Seu filho primogênito, com pouco mais de trinta e cinco anos e recém-promovido a Transcendente, foi enviado numa missão de "contenção" para reprimir uma revolta civil em um planeta controlado pelo Clã Su — na verdade, era uma sentença de morte.

Ele foi enviado sem reforço adequado, sem suporte logístico e sem proteção de nível elite, portanto, quando o planeta explodiu em rebelião aberta, ele ficou encurralado atrás das linhas inimigas.

Seu corpo nunca foi recuperado, e a esposa de Su Pei, que antes tinha sido uma alma vibrante, com risos nos olhos e força nas mãos, entrou em colapso logo após.

Ela parou de falar. Parou de comer e, em dois anos, também se foi.

Seu segundo filho, amargurado e desiludido, decidiu abandonar completamente o Clã Su, desertando para o lado do Governo Universal, onde Su Pei ouviu sussurros de que ele trabalhava sob um nome falso, vivendo uma vida longe da sombra da família que os destruíra ambos.

E com isso, Su Pei não tinha mais nada para proteger.

Sem filhos. Sem esposa. Sem futuro.

Apenas o Planeta Koral.

Então, ele bebeu. Não pelo prazer, mas porque isso momentaneamente o fazia esquecer a sua dor.

Os anos passaram em um borrão de relatórios administrativos superficiais, briefings vazios e guarnições desatendidas, enquanto seu uniforme outrora impecável acumulava poeira e sua espada permanecia embainhada por mais tempo do que deveria.

Mas hoje, quando o céu acima de Koral se abriu com a descida de naves de guerra Cult, algo dentro dele mudou novamente.

Ele não esperou por uma ordem.

Levantou-se de seu aposento, com os olhos vermelhos e as vestes ainda amassadas de sono, e partiu ao céu sem cerimônia, atravessando em uma passagem uma dúzia de aeronaves inimigas, como se os últimos cento e vinte anos de silêncio nunca tivessem acontecido.

E agora, com o exército inimigo se aproximando das muralhas de Sanfe, ele estava novamente no lugar onde sempre deveria estar.

Não porque o clã merecesse sua lealdade.

Mas porque as pessoas sob sua proteção não tinham feito nada para merecer serem abandonadas.

"Mantenham uma vigilância constante para scout inimigo," disse Su Pei calmamente, seus olhos varrendo os telhados ao perceber um brilho perto da torre do portão norte.

"Tenente Barell, qual a notícia da Unidade Leste?" perguntou sem se virar, a voz calma, mas afiada, como se sua memória muscular de comando nunca tivesse desaparecido.

"Está sob controle por enquanto, senhor," respondeu. "O movimento inimigo parece focar mais ao Norte e ao Oeste por ora."

"Dobre as rotas de patrulha ao Norte e troque seus atiradores de elite a cada duas horas. Quero olhos que não pisquem."

Ele caminhou lentamente pela plataforma temporária de comando, ajustando o fecho de sua manopla desbotada, guiado por antigos instintos.

Oficiais curvaram-se levemente ao passar, e embora não tenham dito nada, ele Sentiu a mudança em sua postura.

Ele já não era o bêbado com os olhos vermelhos que eles conheciam, mas o guerreiro astuto e decisivo de quem já ouviu histórias.

Um guerreiro que agora representava a última esperança de saírem vivos do Planeta Koral.

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