
Capítulo 538
Assassino Atemporal
(Ponto de vista de um escoteiro aleatório, Cidade de Sanfe)
Quando o sol começou a se pôr, vários escoteiros foram enviados à Cidade de Sanfe pelo Comandante da Legião, com o objetivo principal de coletar informações sobre os movimentos do inimigo e dos civis.
Para esses escoteiros, entrar na Cidade de Sanfe foi mais fácil do que esperavam, já que toda a cidade parecia ter sido atingida por uma tempestade recente.
Os civis não eram ingênuos e perceberam as milhares de naves descendo do céu mais cedo naquele dia, e já entendiam que o planeta agora estava sitiado pelo Culto.
Por isso, começaram a encher as despensas com alimentos, água e outros itens essenciais, como lampiões de mana e óleo, pois sabiam que um toque de recolher provavelmente seria decretado em breve.
As ruas do mercado já estavam desmatadas de tudo que fosse comestível ou bebível, com barracas quebradas jogadas sobre os pisos rachados de pedra, enquanto caixas vazias e sacos de ração rasgados espalhavam-se pelos cruzamentos, onde antes havia vendedores de comida e comboios de suprimentos.
As portas das lojas estavam enforcadas de dentro com pregos.
As janelas das casas estavam quebradas ou cobertas com tábuas, e toda viela tinha cheiro de fruta podre, suor e metal enferrujado.
Civis se moviam como fantasmas pelos becos laterais, com braços carregando tudo o que conseguiam acumular, desde feixes de arroz envoltos em pano até garrafas plásticas velhas reabastecidas em fontes públicas.
Crianças eram vistas puxando sacos mais pesados do que elas próprias, enquanto mães sussurravam instruções em seus ouvidos.
Soldados patrulhavam os telhados com mandíbula cerrada, perguntando-se se havia algum inimigo escondido lá em cima ou não.
Ninguém falava mais do que o necessário, e ninguém permanecia mais tempo do que devia na rua aberta.
Não havia necessidade de anúncios ou declarações.
Todos dentro da cidade já entendiam que tempos difíceis estavam por vir.
Os piores desses tempos começariam com uma nova bandeira sendo hasteada sobre os portões da cidade.
Bloqueios foram montados a intervalos regulares usando veículos virados de cabeça para baixo, chapas de ferro enferrujado, sacos de areia e detritos.
Alguns eram guardados por soldados uniformizados, enquanto outros não tinham nenhum guarda e ficavam ali mais como símbolos de ameaça do que como estruturas defensivas.
Ao chegarem aos bairros mais internos, os escoteiros perceberam que a presença militar, embora dispersa e escassa naquela região, ainda era visível, pois os soldados pareciam ter se espalhado por toda a cidade como formigas.
Já muitos civis pareciam combatentes.
Ficou impossível distinguir quem era militar e quem não era, pois homens idosos carregavam lâminas escondidas sob suas capas, e mulheres com aventais de mercado se movimentavam como se tivessem visto dezenas de batalhas antes.
Até mesmo adolescentes olhavam duas vezes ao cruzar cruzamentos, com as mãos sempre próximas às sacolas, como se carregassem mais do que apenas pão.
Assim como nos bairros internos, não parecia haver sinal de caos, apenas preparação.
No centro da cidade, na antiga praça pública, o comandante inimigo não fez qualquer esforço para se esconder.
Su Pei ergueu um acampamento avançado bem à vista, cercado por oficiais leais, barreiras de mana e uma série de placas de escudo reforçadas por redes de torres portáteis e dezenas de feitiços defensivos.
Torres arqueiras foram erguidas em cada canto da praça, abrigando alguns dos melhores arqueiros de longo alcance e atiradores de élite das forças defensivas, e mais de alguns escoteiros caíram por causa do ataque.
Não havia civis nos três quarteirões ao redor, provavelmente limpos para evitar interferências, e as poucas patrulhas próximas à periferia mostravam-se calmas, mais do que nervosas.
*Kugh—*
Ao ver mais um escoteiro morrer por uma flechada de arqueiro, seu parceiro não hesitou, nem avançou mais perto do centro do que o necessário.
Sua missão era observar e retornar, e não havia dúvida em sua mente de que Su Pei estava pronto para fazer resistência ali.
E assim, com a missão cumprida, voltou para relatar suas descobertas.
(Ponto de vista de Leo)
Quando vários escoteiros reportaram suas descobertas, Leo abriu um mapa da cidade e começou a marcar todas as bloqueios e patrulhas vistas, à medida que surgia uma imagem inicial de como estavam as defesas inimigas.
Tinha muitas ideias sobre como abordar a operação, mas deixou que o Comandante da Legião e os outros tenentes decidissem o melhor caminho a seguir, pois sabia que, no final, eram eles que arriscavam suas vidas para tomar a cidade, não ele.
Dupravel, após receber a localização confirmada do comandante inimigo, partiu imediatamente para tentar assassiná-lo, garantindo a Leo que retornaria em três dias com a cabeça de Su Pei.
Quanto a como planejava alcançar esse feito, Leo nunca perguntou, pois sabia que era cedo demais para entender os movimentos de um Monarch.
O restante do Exército do Culto recebeu ordens de como marchar para dentro da cidade ao amanhecer do dia seguinte, enquanto os tenentes realizavam reuniões com sargentos e capitães para assegurar que todos entendessem suas tarefas.
Cada esquadrão foi informado sobre seu quadrante, cada pelotão alertado sobre possíveis emboscadas, e cada unidade de ataque lembrada de que, embora fosse uma zona com muitos civis, hesitar ali poderia custar suas vidas.
A maioria dos soldados terminou os preparativos para marchar até meia-noite, limpando armas em silêncio, revisando seus núcleos de mana duas vezes e colocando peças extras de armadura ao lado das camas, por sorte.
Engenheiros continuaram trabalhando durante a noite nas trincheiras externas, instalando dispositivos de detecção de mana e reforçando o perímetro com cannons de ataque, enquanto alguns oficiais subordinados verificavam a montagem dos campos médicos, para que soldados em retirada pudessem receber atendimento imediato.
Logo, as últimas varreduras do perímetro foram concluídas pouco antes do amanhecer, quando escoteiros confirmaram que não havia movimentos inesperados do inimigo.
E assim, com todas as variáveis consideradas e cada soldado informado sobre seu papel, o cerco a Sanfe finalmente começou ao amanhecer.