
Capítulo 541
Assassino Atemporal
(Cidade Sanfe, ponto de vista de Dupravel)
*BOOM*
Uma parte do prédio da escola abandonada desabou em poeira quando a [Arco Que Quebra Céus] de Su Pei atravessou toda a estrutura, demolindo até uma casa próxima.
Dupravel não se incomodou em confrontar diretamente, piscando de vista no meio do movimento. Pular de um telhado para outro, intencionalmente mantendo uma distância enquanto Su Pei o perseguia.
"Correndo feito rato?" tentou coagir Su Pei.
"Que decepcionante. Pensei que Monarchs lutassem com orgulho... mesmo que fossem ligados ao Culto do Mal."
Dupravel resmungou ao aterrissar em cima de um telhado quebrado, girando e lançando duas adagas na direção de seus pés.
Logo atrás dele, o chão explodiu assim que Su Pei tocou nele, quando cipós de [Raiz de Sangue Carmesim] saíram do concreto em uma explosão de mana, envolvendo seus tornozelos como correntes de ferro, antes de pegar fogo com chamas condensadas.
*FWOOM*
Su Pei roncou e flexionou as pernas ao se libertar das amarras com força pura.
*Pum*
Alguns instantes depois, ele pousou novamente na cauda de Dupravel, precisando usar mana para apagar o fogo que havia pegado em suas vestes e queimado suas botas.
"Grogou com um ataque tão pequeno? Esperava mais de você, mesmo sendo ligado ao covarde Clã Su." retrucou Dupravel, enquanto Su Pei torcia o pescoço em resposta.
"Nossa... não acredito que deixei aquele ataque atingir. Estou ficando enferrujado." Disse, antes de sorrir de forma divertida.
Os olhos de Dupravel se estreitaram. Aquele tipo de sorriso não combinava com alguém que temia perder a batalha, como se alarmes tivessem começado a soar em sua cabeça.
*WOOSH*
Su Pei se lançou como um míssil, seu corpo se borrando no ar com um rastro de aura dourada enquanto puxava sua lâmina e desencadeava o [Golpe de Estrela], um corte para baixo tão pesado que demoliu o prédio onde lutavam com um só golpe, enterrando Dupravel sob os escombros.
Mas, assim que a poeira levantou—
*SHINK*
Uma adaga saiu de lado, atingindo o ombro de Su Pei em pleno ar.
A lâmina gemeu ao perfurar sua armadura, envenenada com um toxina paralisante.
Su Pei fez uma careta, mas não recuou. "Lâminas envenenadas? Que merda é essa, um rato de esgoto ou uma prostituta de rua?"
"Me chamem do que quiserem," a voz de Dupravel ecoou por trás, enquanto saía correndo de um corredor lateral, já lançando uma mão com três facas curvas na direção dos joelhos, clavícula e cotovelo de Su Pei.
*TING* *TING* *TING*
O monarca girou e desviou todas as três com velocidade e precisão, mas seus olhos se estreitaram ao pisar em uma lajota de rua suspeitamente molhada.
*CLIQUE*
*EXPLOSÃO*
[Glifo de Explosão] explodiu aos seus pés, envolvendo-o numa coluna giratória de fogo que o lançou pelo praça afora.
Dupravel respirou fundo, agachando-se atrás de um carrinho quebrado, mergulhando rapidamente uma outra lâmina em um frasco de veneno altamente corrosivo.
"Ainda é cedo para ir à luta definitiva," murmurou consigo mesmo. "Primeiro, vamos danificar sua armadura."
Momentos depois, Su Pei saiu da nuvem de fumaça, tossindo uma vez, suas vestes militares, antes impecáveis, rasgadas, revelando marcas brilhantes ao longo do antebraço.
Desde que foi cortado pela lâmina envenenada de Dupravel, precisou circular mana para isolar a região e impedir que o veneno se espalhasse.
"Truques bonitinhos," disse Su Pei enquanto limpava fuligem do rosto. "Mas já está me cansando."
Com um rugido, ergueu a mão e lançou um feitiço de domínio.
[Domínio Celestial: Peso dos Ancestrais], transformando as cem metros ao redor numa força de gravidade esmagadora.
O céu brilhou e o ar ficou mais pesado, fazendo os joelhos de Dupravel fraquejarem um pouco, seu manto ondulando como se tivesse sido molhado em chumbo.
"Hah... Você gosta de correr feito rato, homem mascarado? Tente fazer isso agora," sorriu Su Pei.
O corpo de Dupravel pulsou com mana ao ativar o [Ilusão de Passo Velado], seu corpo se borrando em cinco ilusões que se espalharam por todas as direções.
Su Pei nem piscou.
"Truques desse nível não funcionam comigo…" disse, logo perseguindo a figura real, mas seu pé acabou pisando em uma armadilha que Dupravel havia preparado.
*Zzzzttt*
*KABOOM*
Um raio poderoso surgiu do nada e atingiu os ombros de Su Pei, que frustrou-se ao apertar os dentes de irritação.
As armadilhas constantes estavam atrapalhando seu ritmo de combate, dificultando manter o foco nos movimentos do adversário.
"Droga… Você tem sorte de estarmos no meio de uma cidade, porque se não fosse assim, eu liberaria todo o meu poder verdadeiro e destruiria este distrito, transformando tudo em terra plana," disse Su Pei, segurando sua espada com ambas as mãos e desencadeando o ataque [Corte Invisível].
*Corte*
Os olhos de Dupravel se arregalaram de choque, ao ser lançado pelos ares por um corte invisível na lâmina, rastro de sangue no ar.
*Estouro*
Ele espatifou-se numa banca de frutas e rolou até parar perto dos degraus da biblioteca abandonada, tossindo sangue.
"Ainda bem que ele é um monstro," murmurou Dupravel, limpando porcelainas quebradas do rosto.
Su Pei avançou, arrastando sua espada no chão, faíscas douradas voando a cada passo.
"Você é rápido, vou dar esse crédito a você," admitiu Su Pei, com expressão mais severa. "E irritantemente persistente. Mas você não pertence ao Culto, não conhece nenhuma técnica signature que aqueles idiotas usam."
Dupravel se levantou novamente, limpando sangue do queixo.
"Não preciso pertencer a lugar nenhum," disse, numa voz baixa. "Só preciso vencer."
Ele estalou os dedos, e um glifo oculto atrás de Su Pei explodiu, enviando uma corrente de [Minas de Lança Perfura] voando em sua direção por trás.
Su Pei virou na hora certa, ergueu a lâmina e ativou [Manto de Guardião de Aço], uma habilidade defensiva que envolveu seu corpo com uma armadura de mana endurecida.
*Estilhaçar*
As lanças se pulverizaram ao contato, faíscas brilhando como fogos de artifício, mas uma só atingiu seu lado.
Su Pei cambaleou por meio segundo, recuperando o fôlego enquanto uma tênue streak de sangue escorria pelo quadril.
"Você consegue lutar sem depender de truques?" perguntou, enquanto Dupravel permanecia em silêncio, rodando uma adaga em cada mão, assumindo uma postura defensiva no parapeito da biblioteca.
Os dois ficaram alguns segundos olhando um para o outro, ambos ofegantes, ambos sangrando, ambos calculando seu próximo movimento.
Depois, Su Pei quebrou o silêncio novamente.
"Quanto mais luto contra você, mais sinto que já vi esse estilo de luta antes."
Dupravel parou, levemente surpreso.
Su Pei continuou:
"Você luta como uma cobra. Preciso. Rápido. Sempre recuando. Sempre golpeando só quando as chances estão a seu favor. Igual a alguém que eu lembro… um certo alguém que uma vez chamaram de Caçador de Dragões."
Ele ergueu novamente a lâmina, com os olhos estreitando.
"Me diga honestamente. Quem você realmente é por trás dessa máscara?"