
Capítulo 525
Assassino Atemporal
(Planeta Tithia, Gabinete do Primeiro Ancião)
Só quando suas botas finalmente tocaram o solo de Tithia mais uma vez, Leo e Veyr permitiram-se respirar aliviados… sua longa e perigosa missão de reconhecimento finalmente chegava ao fim.
Mesmo enquanto respiravam o ar familiar do lar, não se sentiam à vontade, pois o zumbido constante de tambores de guerra ecoava na cabeça deles.
Não havia descanso esperando por eles em Tithia, nenhum tempo para repouso ou recuperação. Assim que seu retorno foi registrado no sistema, foram convocados imediatamente ao gabinete do Primeiro Ancião, onde sua presença era exigida como se a guerra não pudesse esperar sequer mais uma hora.
Ao entrarem no escritório semi-luxuoso, os primeiros, segundos e terceiros anciãos já estavam sentados em semi-círculo, com olhares afiados, avaliadores, e perturbadoramente ansiosos.
"Então…" começou o Primeiro Ancião, com voz suave e ensaiada, "vocês já têm um plano de ataque bem definido?"
Não houve saudação. Nenhuma consideração pelo que os dois jovens haviam acabado de suportar. Apenas negócios, como se nada mais importasse.
Leo deu um passo à frente primeiro, com voz calma e equilibrada, enquanto ele e Veyr começavam a expor tudo — cada detalhe que haviam descoberto no Planeta Koral, desde os movimentos das tropas e desorganização interna até armamentos ocultos e vulnerabilidades no núcleo do escudo.
Eram palavras não de soldados inexperientes, mas de bardos, que relatavam cada ponto com detalhes vívidos.
"Legal…"
"Genial!"
"Muito bom…"
Os anciãos fizeram comentários de incentivo ocasionalmente, claramente surpresos com o nível de competência demonstrado pela dupla ao completar a missão, já que os dois tinham ido muito além na quantidade e qualidade das informações obtidas.
Porém, esses elogios eram, na maior parte, vazios. No final, parecia que aqueles três velhos não davam a mínima para os detalhes minuciosos da missão de reconhecimento.
"Então… quão cedo vocês acham que podemos lançar o ataque? Amanhã? Depois de amanhã?" perguntou o Primeiro Ancião, com entusiasmo, enquanto Leo franzia a testa visivelmente com a pergunta.
"Como acabei de dizer… Primeiro precisamos fabricar cristais de isca. Depois, necessitamos de agentes capazes da Cult para infiltrarem-se na base da zona 12 e explodirem a instalação do escudo.
Só após destruí-la, poderemos tentar realmente infiltrar no planeta.
E, ainda assim, precisamos de upgrades na proteção dos nossos navios, para que possam resistir aos ataques das railguns modificadas do inimigo", explicou Leo, enquanto ambos os Anciãos, Primeiro e Segundo, o interrompiam de uma vez.
"O cristal é prioridade", disse o Segundo Ancião, fazendo uma cara rabugenta, como se estivesse farto da conversa.
"Faremos nossos melhores ferreiros começarem a trabalhar no dispositivo que você descreveu e enviaremos um agente para realizar a missão em 3 a 5 dias."
"E quanto à tecnologia de escudo nos nossos navios? Isso não é algo que consideramos urgente."
As sobrancelhas de Leo se franziram ligeiramente.
O ancião prosseguiu.
"Pode levar meses, até anos, para desenvolver um escudo capaz de resistir às railguns anti-aéreas. E só porque vocês, crianças, acreditam que isso pode salvar algumas vidas, não significa que vamos adiar a guerra por isso."
Seu lábio se torceu em uma expressão entre desprezo e arrogância.
"Quatorze dias", afirmou com tom definitivo. "Vamos atacar o Planeta Koral em quatorze dias. Esse prazo não será discutido."
Veyr ficou pálido. Seu maxilar se fechou involuntariamente enquanto dava um passo à frente, com as mãos cerradas ao lado do corpo.
"Com todo respeito, Segundo Ancião", disse, forçando a compostura, "por que tanta pressa para declarar guerra? Por que não esperar seis meses… um ano… até termos a tecnologia adequada para proteger nossa frota? Isso salvaria centenas de milhares de vidas."
Sua voz tremeu ligeiramente, não por medo, mas por descrença.
"Certamente não somos tão insensatos a ponto de jogar nossos homens fora como se fossem carvão —"
"Você está enganado."
Foi o Primeiro Ancião quem o interrompeu, com uma voz inquietantemente paciente, como quem explica matemática básica a uma criança.
"Essa guerra não pode esperar. As reeleições são daqui a quatro meses, e nossos assentos… não estão garantidos."
Ele inclinou-se um pouco pra frente, com longos dedos cruzados sob o queixo.
"Precisamos de resultados. E a população? Eles querem sangue. Vocês ficariam surpresos com o que uma conquista planetária bem-sucedida faz pelos índices de aprovação."
Veyr piscou, pasmo, enquanto o Terceiro Ancião, o único cujo rosto mostrava um leve incômodo, desviou o olhar e permaneceu em silêncio, com os olhos fixos além do chão de mármore, enquanto o Primeiro Ancião prosseguia.
"É bom que o povo sofra um pouco. Assim, quando a solução chegar, eles irão venerá-lo por isso. Um homem que nunca andou em uma charrete de lama nunca vai compreender a suavidade de um assento de bóoster."
Ele sorriu agora, um sorriso vazio e sem empatia.
"Eles sabem do que estão entrando. Soldados morrem. Essa é a natureza da guerra. O que importa é que eles morram com um propósito."
Ele recostou-se com um ar de encerramento. "Então, não percam tempo com coisas sob seu controle. Foquem no que podem fazer."
Seguiu-se um silêncio mais denso que fumaça.
A garganta de Veyr estava seca. Seu olhar oscilaria na direção de Leo, procurando algum sinal, um lampejo de revolta, incredulidade ou resistência.
Mas o rosto de Leo era inexprimível. Ele encarou Veyr sem piscar, e dentro dos olhos dele havia não choque, mas um desgosto quieto, familiar.
Ele já esperava por isso.
Ele há muito tempo sabia que tipo de homens sentavam-se naquela mesa. Não eram visionários ou defensores. Eram oportunistas disfarçados de rituais, covardes vestidos de poder, homens capazes de travar uma guerra apenas para garantir um voto.
E se um centena de milhares de soldados precisassem morrer por isso?
Então, que assim fosse.
Leo não disse palavra. Não havia necessidade de falar com esses covardes.
Porém, no fundo, ele sabia que a maior causa da corrupção atual do Cult eram esses Anciãos, e que precisava encontrar uma maneira de substituí-los o mais rápido possível.