
Capítulo 524
Assassino Atemporal
Assim que Leo terminou de expor suas descobertas, a sala ficou silenciosa por um breve momento enquanto Veyr respirava lentamente, seu olhar vagando em direção ao teto como se estivesse organizando seus pensamentos antes de falar.
— Bem, concordo com sua conclusão de que o Clã Su claramente não sente que este planeta tenha qualquer importância estratégica para eles, porque o responsável pela proteção dele, o comandante à frente, é praticamente um pária…
Leo se ajeitou na cadeira, os olhos estreitando-se enquanto Veyr se inclinava para frente, agora com uma voz mais animada, ao compartilhar uma verdade triste que secretamente o alegrava.
— Segundo as fofocas, ele é um membro da Família Su que caiu em desgraça com a linhagem governante e foi enviado para este planeta remoto para atuar como seu protetor. O sujeito não tem família e passa a maior parte do tempo bebendo e relaxando. Tanto que não participa de uma única reunião militar há dois anos.
Veyr hesitou, coçando a bochecha pensativamente antes de concluir seu raciocínio.
— Pode ser preguiçoso… ou talvez esteja depressionado, não importa, de qualquer forma, ele não tem envolvimento com a administração do planeta.
Leo não respondeu imediatamente. Ficou ereto, os olhos fixos no primo, uma expressão de ceticismo começando a se formar.
— Acho que você nunca se torna um Monarca se for, por natureza, preguiçoso de verdade, — disse lentamente, com o tom de voz carregado de desconfiança.
— Não é como se ele fosse um guerreiro de nível Mestre que teve sorte só por fazer parte de uma grande família. Ele é um Monarca. Isso significa que, pelo menos em algum momento da vida, foi um homem talentoso e ambicioso.
Seus dedos bateram suavemente na mesa de madeira enquanto ele prosseguia.
— Então, se as notícias dizem que ele só está desperdiçando a vida por aqui… pode levar com uma pitada de sal.
Veyr deu de ombros, sorrindo de leve, claramente sem se sentir ofendido.
— Pensei exatamente a mesma coisa… Então, sim, vou agir com cautela, mas é isso que o boato tem dito sobre o comandante.
Ele se recostou, cruzando os braços enquanto a conversa entrava em uma pausa breve, ambos processando as informações conflitantes que tinham até então. Após um curto silêncio, Veyr falou novamente, desta vez com um tom mais sério e fundamentado.
— Enfim, além disso, acho que tenho uma pista sobre o ‘ás escondido’ que a Facção Justa pode ter.
Isso chamou a atenção de Leo instantaneamente. Seus olhos se levantaram com um leve brilho de curiosidade enquanto ele se voltava totalmente para Veyr.
— Acho que é um super canhão de íons que consegue disparar um ataque equivalente à força total de um espadachim Transcendente no auge, que, na teoria, consegue dividir até mesmo naves de classe Destruidor ao meio, e é rápido demais para ser evitado.
Veyr observou Leo atentamente, notando a leve elevação de sua sobrancelha ao perceber a potencial ameaça.
— Durante as guerras passadas, eram as naves superiores do Culto que mais preocupavam a Facção Justa, e desde então eles investiram bastante em tecnologia antiaérea. Cada base zonal possui duas dessas armas ocultas, capazes de eliminar frotas inteiras em combates reais.
Leo assimilou a informação cuidadosamente, sua expressão indecifrável enquanto se inclinava um pouco para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
— Então, se planejarmos atacar Koral, primeiro precisamos garantir que nossas naves tenham como se defender dessas armas de railgun, ou nem atiramos…
Veyr estalou os dedos com um sorriso, concordando.
— Exatamente.
A sala voltou a ficar silenciosa, mas agora um silêncio satisfatório, aquele tipo de silêncio que só vem depois de se chegar a uma conclusão difícil de conquistar.
Com essa última peça de inteligência, os objetivos principais da missão de reconhecimento estavam cumpridos. Eles haviam identificado as ameaças, coletado informações sobre as defesas do planeta e descoberto suas vulnerabilidades na liderança.
Não havia mais dúvidas persistentes, nem suposições que prejudicassem o julgamento deles.
O caminho à frente estava claro.
Amanhã, eles voltariam ao Culto — não com teorias vagas ou instintos, mas com uma compreensão completa de como orquestrar uma estratégia de guerra eficiente e devastadora.
No dia seguinte, Leo e Veyr embarcaram num voo de hovercraft da Zona 12 até a Zona 11, sob o pretexto oficial de reunião com alguns chefes de divisão para finalizar os detalhes dos próximos exercícios interzonais.
Era uma desculpa plausível, registrada no sistema com todas as autorizações corretas, roteada pelo sistema interno de comunicações, exatamente como qualquer movimento rotineiro de oficiais, pois, pelo papel, tudo parecia perfeito.
No entanto, os dois primos nunca embarcaram de fato nesse veículo.
Antes mesmo do horário de partida, Leo se afastou para um canto tranquilo na estação de lançamento, ativando o [Espelho do Mundo], e colocou dentro da embarcação dois clones idênticos a ele e a Veyr — perfeitamente vestidos, comportados e realistas o suficiente para enganar qualquer pessoa que olhasse.
Enquanto isso, o Leo real e Veyr já haviam se transformado em funcionários de limpeza, saindo pelo corredor de manutenção dos fundos, misturando-se à multidão matinal sem levantar suspeitas.
Com rostos alterados, uniformes oliva e apenas modestas bolsas, passaram pelo cais de desembarque, onde uma nave da União do Tigre Branco descarregava as provisões da semana, entrando a bordo poucos minutos antes que tudo fosse descarregado e a nave estivesse pronta para decolar.
*KABOOM*
Após aproximadamente trinta minutos de voo em direção à Zona 11, a aeronave de descanso com os clones explodiu em uma detonação controlada, espalhando destroços por uma planície árida a leste da Base Militar da Zona 11.
Para testemunhas ou investigadores, parecia um acidente trágico a bordo, possivelmente sabotagem, erro do piloto ou simples falha mecânica.
De qualquer forma, tudo foi encenado para parecer uma tragédia com potencial para diversas possibilidades.
Sem restos humanos entre os destroços, a Facção Justa só pôde concluir que os tenentes Larry e Aaron haviam desaparecido sob circunstâncias incertas.
E aí, lançaram uma caçada brutal para encontrar seus desaparecidos, desperdiçando recursos e atenção perseguindo sombras nos dias seguintes.
Era exatamente o que o Culto queria também, pois, enquanto a Facção Justa queimava recursos tentando localizar dois homens que já não existiam, o Culto estaria preparando e analisando cada pedaço de inteligência que Leo e Veyr trouxeram, para montar uma estratégia afiada capaz de abrir um buraco na defesa de Koral e vencer a guerra sem perder muitos homens.
O primeiro dominó caiu oficialmente.
E as preparações para a guerra finalmente começaram.