Assassino Atemporal

Capítulo 516

Assassino Atemporal

(Alojamentos dos Limpadores, Telhado. 5h07 da manhã)

Leo retornou ao topo do edifício dos alojamentos dos limpadores, seus passos leves no concreto frio do telhado enquanto ajustava sua respiração e deixava para trás o peso das últimas quatro horas de expressões fechadas.

Antes que pudesse soltar um suspiro, uma voz familiar cortou a névoa matinal.

"Tá lento demais, primo. Tô esperando você há quinze minutos. Quase pensei em voltar ou que você tinha aprontado alguma," disse Veyr, com a voz baixa, mas brincalhona, enquanto ficava ali de uniforme completo de zelador, com os braços cruzados, um sorriso meio malicioso nos lábios.

Leo não conseguiu evitar uma risada, aliviado ao ver seu primo vivo e tranquilo, o que provavelmente significava que a missão tinha sido bem-sucedida.

*Aceno*

Ele fez um gesto breve de cabeça para Veyr antes de tirar o manto de assassino e trocar pela roupa de zelador que escondia atrás do tanque d'água, a peça ainda com o cheiro de detergente e canos enferrujados — um contraste gritante com o odor de sangue que grudava na sua pele no momento.

"Quer um cigarro?" ofereceu, puxando um cigarro do forro do bolso do casaco e lançando na direção de Veyr.

Veyr apanhou-o sem pensar, mas fez uma careta, balançando a haste com reprovação. "Não... não gosto do cheiro."

Leo deu de ombros enquanto acendia o próprio, a ponta inflamando-se em laranja na pouca luz, lançando um brilho breve em seu rosto enquanto dava uma tragada lenta e exalava de lado, observando a fumaça drifting over the edge of the rooftop.

"Pois é, tem que cheirar como se tivesse," murmurou, com tom seco, "senão alguém pode desconfiar do que você estava fazendo na varanda às cinco da manhã. Melhor parecer um zelador estressado do que correr o risco de perguntas que não podemos responder."

Com relutância visível, Veyr levou o cigarro à boca, acendeu e inalou, tossindo de imediato, alto e lamentável, como alguém que nunca tinha fumado antes.

*GARGALHADA**

*TOSSE**

Leo arqueou uma sobrancelha e tentou não rir.

"É... era isso que eu pensei, Sr. 'Cheguei quinze minutos antes de você'. Ainda tem muita coisa que a vida não te ensinou, hein?" retrucou, após outra tragada, quase conseguindo segurar uma crise de tosse própria.

'Caramba, quase perdi o personagem calmo... não sei como o Charles faz isso todo dia,' pensou Leo, com a garganta já arder, forçando-se a terminar o cigarro só pelo protocolo.

Depois, esmagou a ponta sob o pé, conferiu o relógio e deu uma última olhada na base ainda adormecida.

Era 5h15 da manhã, o que significava que a equipe de limpeza estaria acordando em mais quinze minutos, com as tarefas oficiais começando pontualmente às 6h.

Tudo tinha se encaixado perfeitamente, e a partir daqui o plano era bem simples.

Ele e Veyr desceriam com o supervisor como parte da equipe de inspeção de drenagem e resolveriam a questão até às 7h30, ou pelo menos fingiriam que tinha sido resolvida, para então se transformar nos Tenentes Larry e Aaron, que deveriam comparecer na inspeção matinal às 8h, sem levantar suspeitas.

Idealmente, eles precisavam fazer um bom trabalho nesse intervalo de uma hora e meia para resolver o problema, mas mesmo que não conseguissem, poderiam alegar que estava desobstruído, e o oficial responsável provavelmente não descobriria até horas depois, quando já estariam oficialmente fora do planeta.


Às 6h em ponto, Barry, o supervisor, começou a liderar Leo e Veyr pelos túneis subterrâneos de manutenção até a seção da rede de drenagem que vinha causando mais problemas à equipe, seus passos ecoando nas paredes de concreto cobertas de musgo enquanto a luz fraca de sua lanterna quase não iluminava os canos enferrujados ao longo do caminho estreito.

"Partimos do princípio que o entupimento tem cerca de 20 metros de diâmetro. Parece bem travado aqui..." disse, batendo uma barra de aço de modo experimental contra a lateral do tubo.

*Ting*

*Ting*

O som reverberou nitidamente, metálico e cortante, até que eles caminharem alguns metros adiante e Barry golpeou de novo.

*Tung*

*Tung*

Dessa vez, uma vibração mais abafada e pesada soou, e Barry assentiu com expressão sombria.

"Já tentamos todos os métodos tradicionais para desobstruir, mas nada funciona. A pressão simplesmente não—"

"Shhh," disse Veyr de repente, levantando um dedo e agachando-se ao lado do tubo com uma intensidade que fez Barry interromper a frase.

Colocou ambas as mãos delicadamente sobre a superfície enferrujada, esfregando círculos lentamente na metal coberta de sujeira, como se estivesse acariciando um amante após uma longa separação, e então inclinou a cabeça ao lado, colando o ouvido à parede like alguém tentando ouvir o oceano dentro de uma concha.

Barry abriu os olhos duas vezes. "O-que ele está fazendo?"

Leo virou-se e deu um olhar direto ao supervisor. "Não te avisaram para ficar quieto? O mágico dos canos está fazendo sua mágica. Só esperar e ver."

Veyr ficou imóvel por um longo momento, respirando fundo, batendo uma vez com o punho e depois de novo, até finalmente levantar a cabeça.

"Tem uma cavidade à frente, aproximadamente a dezessete metros daqui. Está acumulando lodo por causa de uma camada espessa de sedimento endurecido no interior do tubo," disse com tom sério, como quem revela uma visão divina.

Barry olhou de boca aberta, incrédulo.

"E como... como você sabe disso?" perguntou, enquanto Veyr olhava com cara de decepção para o chão.

"É uma história triste para explicar como adquiri meus poderes... tenho certeza que você não quer gastar seu tempo ouvindo como um órfão de rua aprendeu a ouvir canos por entretenimento enquanto crescia."

"Vamos direto ao ponto de resolver seu problema e seguir em frente," respondeu Veyr, fazendo Barry quase soluçar com suas palavras.

"Então seus grandes poderes... vieram de um passado tão trágico..." murmurou Barry, quase chorando, enquanto Leo e Veyr lhe davam um tapinha nas costas antes de passar e seguir com o trabalho.

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